Qualidade assegurada – A melhor opção em tempos de incertezas

As empresas já seguem esse conceito de qualidade garantida
entre as diferentes áreas produtivas, valendo a máxima de que o produto
só passa para a área seguinte se estiver dentro das especificações acordadas

 

Alvaro Dertinate Nogueira, Gerente da área
de Qualidade Assegurada do Grupo Petrópolis

Alvaro Dertinate Nogueira

Nos tempos atuais não podemos mais nos dar ao luxo de controlar a qualidade de tudo que é produzido, o controle pressupõe que podem existir falhas e, falhas são traduzidas em prejuízos, desperdícios, não atendimento à demanda, perda da credibilidade e danos à imagem da empresa.

Cada vez mais devemos garantir que tudo que será produzido terá a qualidade que foi especificada pelo cliente, seja ele interno ou externo à organização. As ferramentas para a garantia da qualidade existem, são temas de palestras e de treinamentos, e devem ser aplicadas quando do planejamento da produção.

Para atender à demanda do mercado é preciso que os insumos atendam às especificações acordadas entre fornecedor e cliente e os procedimentos de transformação dentro da indústria estejam descritos de forma clara e sejam cumpridos à risca.

O investimento em recursos para a realização de análises de recebimento deve dar lugar à garantia da qualidade na etapa anterior do processo de transformação.

Garantia da qualidade versus controle de qualidade

Até o século passado, as empresas investiram em controle de qualidade e, em alguns casos, intenso ao extremo. Não tem como não lembrar da piada que dizia que para ter um controle 100% o fabricante de palitos de fósforos deveria testar todos eles, ou então, da visão de retrovisor. Quem já não fez um Pareto para priorizar uma não conformidade?

Brincadeiras à parte, os controles de qualidade, aos poucos, conforme as ferramentas de qualidade foram sendo desenvolvidas, deram lugar ao conceito de garantir a qualidade dos insumos e do processo produtivo. Isso permite, por exemplo, que os insumos não onerem o caixa da empresa com capital empregado já que é possível manter baixos estoques. No conceito anterior era necessário ter estoque maior para que as análises de recebimento e liberação fossem realizadas.

Atualmente, dentro das empresas a relação de controles já segue este conceito de qualidade garantida entre as diferentes áreas produtivas. A máxima de que o produto intermediário só passa para a fase seguinte do processo produtivo se estiver dentro do que foi especificado segue valendo.

Usando uma cervejaria como exemplo, a adega não precisa analisar o mosto resfriado que recebe para fermentar pois, o processo de produção do mosto na sala de brassagem, tem os procedimentos escritos, padronizados, acompanhados durante sua execução e validados pelos resultados, por vezes, de instrumentos instalados nas linhas e equipamentos de produção que são dinâmicos e atuantes, podendo interromper o processo caso um dos parâmetros não esteja entre os limites de especificação.

Indústria 4.0

A digitalização de controles capturados por instrumentos instalados em linhas ou em equipamentos do processo produtivo é um benefício que reduz a carga de trabalho dos laboratórios. Adicionalmente já é possível capturar também os resultados de instrumentos de laboratório para sistemas integrados de qualidade.

A imagem de um operador preenchendo um check list é bem representativa do formato antigo de controle. As informações contidas no check list eram então repassadas para uma planilha, por vezes por uma outra pessoa, e seria a base para um sistema de avaliação. Hoje isto é passível de substituição por sistemas de monitoramento da produção, MES no jargão industrial.

A digitalização de controles capturados por instrumentos instalados em linhas do processo produtivo é um benefício que reduz a
carga de trabalho dos laboratórios

Dessa maneira ficou muito mais fácil fazer as avaliações de garantia da qualidade do processo produtivo como um todo. Uma avaliação holística permite encontrar oportunidades de redução de controles redundantes ou com alta frequência de análises desnecessárias.

Ainda aguardamos a universalização dos acessos dos fornecedores aos estoques e equipamentos das indústrias de transformação. Os benefícios são evidentes e desejados pelas indústrias. A segurança dessa informação e do acesso mútuo das empresas é, e deve ser, um item de melhoria para garantir a integridade das empresas.

Fornecedor qualificado

Dentro das indústrias as transformações acontecem com o processamento dos insumos. Esses insumos são produtos de fornecedores, internos e externos. O insumo deve ter sua garantia atestada pelo fornecedor a fim de que não ocorram perturbações do processo na indústria.

Um fornecedor qualificado é aquele que atende os itens de qualificação de maneira satisfatória, em todos os quesitos: especificações, quantidade solicitada, cronograma de entrega, preço, atendimento técnico, pós-venda etc.

Um bom programa de qualificação e monitoramento de fornecedores deve ser um instrumento vivo e em constante evolução e aprimoramento dentro da indústria, para que a tranquilidade no uso do insumo seja percebida, mantida e não gere insatisfação.

A padronização ocorre por meio de procedimentos escritos, detalhados, oriundos
da prática, que são disseminados por todo
o pessoal envolvido no processo produtivo

Um exemplo de especificação: uma indústria que produz um refrigerante de baixa intensidade de cor, tipo limão ou tônica, deve ter a garantia de que o seu fornecedor de açúcar entregue a quantidade necessária para a produção planejada, na data solicitada e com a cor dentro da especificação acordada.

A garantia do atendimento à especificação deve ser responsabilidade do fornecedor, sob risco de não ser possível a realização da produção planejada caso a cor esteja acima do limite superior da especificação, por exemplo.

Isso nos leva a uma outra discussão: quão rígida deve ser a especificação? Pensando na indústria que utilizará o insumo, a variação na especificação deve ser a menor possível para que o processo de transformação não precise ser modificado. Agora, pensando no processo produtivo do fornecedor, quais devem ser os limites para esta especificação?

Esse range é o resultado da soma das imprecisões dos equipamentos da indústria, dos insumos primários que ela recebe e da variação intrínseca do próprio processo produtivo. Cabe ao fornecedor atuar, minimizando essas imprecisões ou variações para que o produto da sua transformação seja o mais constante possível e atenda às especificações da indústria de transformação.

Uma boa forma de reduzir os desvios no processo produtivo é padronizar as atividades de cada uma das fases do processo. A padronização ocorre por meio de procedimentos escritos, detalhados, oriundos da prática, que são disseminados por todo o pessoal envolvido no processo produtivo, principalmente através de treinamentos periódicos. Esses procedimentos precisam ser monitorados para estarem disponíveis e sempre atualizados por exemplo, pela introdução de uma melhoria de processo, troca de insumo, alteração de formulação e/ou dosagem etc.

Direcionamento

O que devemos perseguir? Para onde devemos apontar a proa do nosso barco? Qual é a direção do barco para o sucesso da organização?

A qualidade deve ser assegurada pelos pré-requisitos básicos desde o chão de fábrica

Eu acredito na Qualidade Assegurada em cada etapa do processo. Um processo deve ser capaz de entregar o produto especificado pelo cliente, seja ele o produto da transformação da indústria ou o produto intermediário dentro dela (o final de uma etapa é o insumo para a próxima).

A qualidade deve ser assegurada pelos pré-requisitos básicos desde o chão de fábrica, tais como programas de Boas Práticas de Fabricação e de Padronização das atividades, aplicação de ferramentas simples de segurança como o sistema APPCC,valorizando a identificação e o monitoramento dos pontos críticos para controle, garantindo a entrega daquilo que foi alinhado, dentro das especificações de qualidade acordadas.

Isso reduz sobremaneira a necessidade de investimentos pesados, equipamentos complexos e tempo prolongado de análises de recebimento, espaços para grandes estoques, desperdícios de pessoal e de tempo em verificações redundantes etc.Liberando a mão-de-obra qualificada para desenvolver melhorias operacionais e otimização da produção, através de novos insumos ou novas tecnologias.

Alvaro Dertinate Nogueira é mestre cervejeiro e malteiro pela Academia Doemens – Alemanha, Sommelier de Cervejas pela Associação Brasileira de Sommelier e Gerente da área de Qualidade Assegurada da Diretoria do Grupo Petrópolis

 

 

 

 

 

 

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