Startup brasileira apresenta solução para descarte ilegal de lixo

Em janeiro, a Malásia devolveu 42 contêineres
de lixo plástico importados ilegalmente do Reino Unido

Com taxas muito baixas de reciclagem, o mundo vive um colapso quanto ao descarte de resíduos. Como “solução”, países de primeiro mundo têm enviado seu lixo para o exterior por ser economicamente viável, assim como fez o Reino Unido que exportou ilegalmente — e teve devolvidos — 42 contêineres de lixo plástico para a Malásia, tornando evidente a falta de gestão e inserção de sistemas de controle que garantam um sistema de logística reversa eficiente. Em uma declaração recente, a ministra do Meio Ambiente da Malásia, Yeo Bee Yin, afirmou: “O que os cidadãos do Reino Unido acreditam que enviam para reciclagem é realmente jogado em nosso país”.

A startup brasileira Green Mining, acelerada pela Ambev, foi convidada pela EURADA (Associação das agências de desenvolvimento da Europa) para participar do Brokerage Event for Innovation Agencies para apresentar sua iniciativa de coleta e rastreabilidade de recicláveis, chamada de logística reversa inteligente. No Brasil, a startup já coletou mais de 720 toneladas de resíduos e evitou mais de 120 toneladas de emissões de ?CO2. O evento reuniu no mês de janeiro, na Bélgica, especialistas no campo da inovação para compartilhar as melhores oportunidades de negócios promissores.

“A gestão de resíduos é um problema mundial. Queremos que, assim como temos feito no Brasil, o governo e as indústrias percebam como é benéfico investir em projetos sustentáveis que garantam a credibilidade de suas ações. Para nós, é uma grande satisfação expor nossos resultados e mostrar o potencial que nossa solução tem para ser desenvolvida na Europa”, diz Rodrigo Oliveira, presidente da Green Mining.

A startup coleta embalagens pós-consumo em estabelecimentos, como bares, restaurantes e condomínios, de maneira ambientalmente correta, por meio de triciclos e sem emissão de gás carbônico. Entre as empresas parcerias da Green Mining, a Cervejaria Ambev, permite que o vidro recolhido seja levado direto à fábrica da própria cervejaria, devolvendo o material à cadeia produtiva da empresa. Em menos de 1 ano, a Green Mining — que iniciou com um bairro de São Paulo, já expandiu sua operação para 18 bairros da cidade, Osasco, Rio de Janeiro e Brasília, e pretende levar o projeto para outros países.

Rodrigo Oliveira explica que o governo do Reino Unido está tomando uma série de medidas para reduzir o número de embalagens plásticas para garantir a reciclagem. As medidas apresentadas incluem a melhoria na rotulagem, combate ao crime de exportação ilegal, tornar as empresas responsáveis pelo processo de logística reversa e introduzir o rastreamento eletrônico. “O modelo desenvolvido pela Green Mining já atende os problemas atuais e ainda permite que a indústria faça seu papel sem danificar suas margens”.

Como funciona o sistema de logística reversa da Green Mining

A eficiência dessa economia circular colocada em prática pela startup é baseada em um sistema de rastreabilidade que é feito em todas as fases do processo, garantindo que todo o material coletado chegue ao seu destino de maneira correta. “Todas as informações são registradas no aplicativo da Green Mining por cada coletor, desde o local onde o material foi gerado. Com informações como data e local da coleta, peso e destino dos recicláveis, o sistema faz o rastreamento do percurso de cada triciclo, garantindo a transparência da informação”, finaliza o presidente da Green Mining.

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