Publicado em 8 de setembro de 2015

Análise Sensorial é a disciplina cientifica usada para evocar (provocar), medir, analisar e interpretar reações às características dos alimentos e materiais como são percebidas pelos sentidos da visão, olfato, gosto, tato e audição (ABNT, 1993). A Análise Sensorial foi definida como disciplina cientifica em 1975 pelo IFT (Institute of Food Technology).
Através da análise sensorial pode-se determinar a aceitabilidade e qualidade dos alimentos, com auxilio dos órgãos humanos do sentido. Seu uso estende-se desde as equipes sensoriais na indústria até a análise no efeito da embalagem no produto; além do monitoramento, melhoramento ou lançamento de novos produtos no mercado.
Sua prática é considerada milenar nas indústrias de cerveja, vinho e destilados da Europa. No Brasil, a prática se iniciou em 1954 com degustadores para a classificação do café brasileiro.
De acordo com Dutcosky (1996), a avaliação sensorial fornece suporte técnico para a pesquisa, industrialização, marketing e controle de qualidade. Dentre as muitas aplicações da análise sensorial na indústria de alimentos e nas instituições de pesquisas, destacam-se:
a) Controle das etapas de desenvolvimento de um novo produto, como análise descritiva das amostras experimentais; classificar amostras de acordo com padrões estabelecidos e/ou estabelecer que um dos vários produtos experimentais tenha aceitabilidade igual ou melhor que o padrão;
b) Tecnológico sobre o produto final;
c) Redução de custos;
d) Controle de efeito da embalagem sobre os produtos acabados;
e) Controle de qualidade;
f) Estabilidade durante o armazenamento – Vida de prateleira;
g) Teste de mercado de novos produtos ou produtos reformulados.
Percepção é o ato ou efeito de perceber; reconhecer através dos sentidos uma característica do objeto de estudo. Esta percepção ocorre através dos cinco sentidos que são:
• Visão – Estimulo físico;
• Olfato – Estimulo químico;
• Tato – Estimulo físico;
• Audição – Estimulo físico;
• Paladar – Estimulo químico.
São atributos sensoriais:
• Aparência: cor, brilho, translucidez.
• Odor: Milhares de componentes voláteis.
• Gosto: Os quatro gostos clássicos inclui: doce, azedo, salgado e amargo. Sendo incluído atualmente o gosto: umami.
• Textura: Propriedades físicas, dureza, quebradiço, arenoso, densidade etc.
• Som: Efervescente e ruído do gás carbônico.
Para o estudo dessas características é necessário o conhecimento de várias áreas, tais como a psicologia (comportamento humano – percepção, motivação), fisiologia (funções dos sistemas sensoriais), química (composição do alimento) e estatística (quantificação matemática dos dados).
• Visão
Os olhos são os órgãos físicos que nos permite o sentido da visão. O receptor é a retina que contém dois tipos de células: os cones e os bastões. Os cones são para detectar a cor e os bastões para visualizar a forma e a luz escura. Através da visão obtemos as primeiras impressões dos produtos quanto à aparência geral, que engloba as características de cor, tamanho, formato, brilho, impurezas etc.
Luzes coloridas podem ser usadas para mascarar diferenças de cor e reduzir sua influência na avaliação sensorial.
• Olfato
O nariz é um órgão físico que nos permite o sentido do olfato, que nos capacita a sentir o cheiro, quando estamos fisiologicamente saudáveis. Cheiros são produzidos por misturas complexas de moléculas odoríferas. Odor é a propriedade organoléptica perceptível pelo órgão olfativo quando certas substâncias voláteis são aspiradas, sendo este sujeito a variáveis, como a fadiga e a adaptação. Evita-se o termo “cheiro” em análise sensorial.
• Tato e Audição
Os sentidos do tato e audição simultaneamente permitem a percepção da textura de alimentos e bebidas. A boca e a mão podem fornecer informações táteis do alimento.
A densidade é um importante atributo físico dos alimentos, perceptível nas bebidas. A densidade é perceptível pelo sentido do tato na boca de quem consome a bebida.
• Sabor
O sabor ou “flavor” é a experiência mista, de sensações olfativas, gustativas e táteis percebidas durante a degustação.
Pungente é o nome dado à sensação de dor causada, por exemplo, pelo gás carbônico em bebidas carbonatadas ou ao cheirar ácido acético (2-5%). A sensação de quente ou frio pode também ser causada por substâncias como álcool (quente).
A figura 1 mostra as percepções utilizadas para formar o sabor.
1 – O produto é aceito pelos consumidores? Qual a preferência do consumidor? TESTES AFETIVOS.
2 – Existe diferença perceptível entre o produto em estudo e algum produto convencional similar? TESTES DISCRIMINATIVOS.
3 – Quais os principais pontos de diferença? Que qualidades sensoriais estão presentes? Quais as suas intensidades? TESTES DESCRITIVOS.
Há bibliografias que os dividem em:
Analíticos: inclui os testes descritivos e os discriminativos;
Afetivo: testes de aceitação e preferência.
Devemos contar sempre com dois tipos de provadores para realizar análise sensorial: os não treinados e os treinados. Nos testes analíticos o provador é utilizado como um instrumento, portanto, há necessidade de treiná-los. Porém, não se deve utilizar um provador treinado para a realização de métodos afetivos.
Treinamento do provador para degustação de cervejas, método Mebak. Para a degustação interligada com a qualidade analítica, são necessários um grande número de degustadores treinados, entre 10 e 20 pessoas.
A escolha acontece, quando os interessados em fazer parte do time sensorial são treinados e testados em sua aptidão em relação à:
• Água gaseificada (com gás carbônico);
• Cerveja, onde é adocicada com açúcar de cana, como com Iso-alfa-ácido;
• Amargor, adicionado na cerveja,
• A cerveja sem adição (sem alteração, amostra em branco).
O período de treinamento e seleção das pessoas é de três dias consecutivos, onde ocorre o aprendizado básico e a verificação da capacidade de diferenciação de cada aluno.
As pessoas, que nestes testes (Duo-Trio) acertarem acima de 75% e no teste triangular acertarem no mínimo 50%, são pessoas com perfil para análise sensorial, sendo aprovadas e devem ser treinadas nos Off Flavor da cerveja que são no total 47 tipos diferentes.Estes OffFlavors são encontrados para compra geralmente em cápsulas.
Laboratório• As cabines são importantes para que os provadores não se comuniquem uns com os outros provadores, influenciando nos resultados,
• Devem possuir sinal luminoso para comunicação entre o provador e o experimentador;
• Devem ser providas de luz colorida verde ou vermelha. A luz colorida serve para mascarar diferenças visuais entre produtos,
• Devem ser individuais, sem contato entre os provadores;
• As paredes devem ser de cor clara, neutra.
• Lavar os copos com detergente de cheiro e gosto neutro;
• Armazenar a cerveja (garrafas que serão analisadas), na temperatura da análise sensorial uma noite antes do teste. Geralmente, um pouco mais fria para que na preparação a amostra não fique com a temperatura fora do desejado.
• Colocar caneta e formulário para preenchimento pelo degustador.
Clorofenóis – Gosto de remédio. Quando a água utilizada no processo tem cloro, porque geralmente o processo de retirar cloro está inativo, carvão ativo.
Lightstruck – Os raios ultravioletas reagem com a cerveja durante a estocagem da cerveja nas garrafas. Traz para cerveja aroma e gosto de suor.
Dimetil sulfito – Geralmente formado por falta de fervura do mosto, bactérias ou autólise da levedura. A cerveja fica com aroma de ovo ou legumes cozidos.
Butírico – Formado por bactérias durante a produção do mosto ou durante o armazenamento de xarope de açúcar. Gosto e aroma de vomito de bebês.
Mercaptanos – Forma-se, principalmente, no início da fermentação pela levedura. Também se forma, quando a levedura está se autolizando durante a maturação. O aroma e gosto lembram a ralo.
Acético – Produzido durante a fermentação. Podem ser produzidos na cervejaria pela contaminação da cerveja por bactéria do ácido acético (Acetobacter) provocando gosto e aroma de Vinagre.