Cervejas artesanais: o mercado que não para!

A liderança em produção é dos Estados Unidos, um setor com mais de 6 mil empresas que movimentam
U$ 26 bilhões em vendas, o equivalente a 23% do faturamento do mercado total de cervejas.
No Brasil são mais de 800 cervejarias artesanais, um número que cresceu 37,7% em relação a 2016

Thais Martins

O mercado de cervejas artesanais tem ganhado destaque em todo o mundo. A liderança em produção e consumo é dos Estados Unidos. Segundo dados da Brewers Association, entidade que reúne os microcervejeiros norte-americanos, esse setor movimentou em vendas no país U$ 26 bilhões em 2017, o que equivale a 23% do faturamento do mercado total de cervejas. Lá, existem mais de seis mil empresas de cervejas artesanais.

No Brasil, os números são bem mais modestos, mas o setor de cerveja artesanal tem experimentado grande expansão. Segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o País atingiu em dezembro de 2017 o número de 679 cervejarias artesanais registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, um crescimento de 37,7% em relação a 2016. Estas empresas representam entre 2,5% e 3% do faturamento do mercado nacional de cerveja.

“A Blondine está presente em mais de 800 pontos de venda no Brasil e exporta para os Estados Unidos e China”, Aloísio Xerfan, Blondine

Trajetória

Segundo Aloisio Xerfan, fundador e diretor da Blondine, quando iniciaram suas atividades há oito anos, o mercado era bem limitado no Brasil. “Trouxemos um modelo de comunicação que não existia até então, com base no mercado americano. Alugamos a capacidade de uma fábrica em Curitiba, no Paraná, testamos algumas receitas e fizemos uma comunicação de rótulo bastante original. As pessoas não tinham costume de optar por cervejas artesanais. Tínhamos um sommelier alocado nas principais casas em que vendíamos para explicar sobre o que está por trás do produto. Hoje, somos reconhecidos em premiações cervejeiras e nos posicionamos fortemente no setor gastronômico”.

Atualmente, a Blondine está presente em mais de 800 pontos de venda no Brasil e exporta aos Estados Unidos e China. A empresa fornece rótulos colaborativos exclusivos aos principais restaurantes reconhecidos do setor gastronômico como Casa do Porco, Bar Dona Onça, HotPork, Jacarandá, Antonietta, Obá, TakaDaru, ICI Brasserie, Pirajá Laje, Cabana Burger, Rubaiyat e Mani.

“Meu público não bebe somente um líquido, mas degusta um pouco de história e, assim, vivencia um momento repleto de significado”, Scott Ashby, Ashby

Scott Ashby, fundador da Cervejaria Ashby, decidiu iniciar em 1993, em Amparo, SP, a produção da primeira Pale Ale do Brasil. “Cerveja puro malte, de alta fermentação, com baixo teor de gás carbônico, a Pale Ale nos firmou como pioneira, ousada e cheia de planos para o futuro. As pessoas tomavam, gostavam, mas diziam ‘não é igual a nossa cerveja’. Quando fui atrás dos primeiros fornecedores para construir a fábrica, eles trouxeram um time de engenheiros esperando construir uma cervejaria de grande porte. Na época, não havia o conceito de microcervejaria ou de cervejas de outros estilos no Brasil”.

Como as cervejas são compostas por mais de 90% de água, a qualidade desta na fabricação é extremamente relevante. “Por isso, escolhemos estrategicamente o melhor lugar para nossas instalações. As águas de Amparo, além de conservar a pureza que brota da terra, têm um equilíbrio excelente entre sais e minerais tornando-a perfeita para a fabricação de chopes e cervejas de qualidade ímpar. Hoje, atendemos a região de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás, com uma rede de mais de 100 distribuidores espalhados por cinco estados, conquistando clientes, eventos importantes e grandes redes de supermercados em todo o país”, diz Ashby.

“A Berggren conta com uma linha com sete rótulos e projetamos vários lançamentos para este ano”, Lucas Berggren

Desde 2015 a Berggren está no mercado. Atuante no setor têxtil, Lucas Berggren, se interessou pelo segmento após visitar uma fábrica de cerveja em 2008. “Em um primeiro momento, minha família teve resistência em diversificar os negócios. Apesar de já ter planejado e estruturado a cervejaria, tive que adiar o projeto por conta da crise de 2010. Enquanto aguardava a situação melhorar, decidimos montar uma fábrica piloto, conseguimos ir testando as cervejas e tiramos todas as licenças para registrar os produtos. O projeto só foi retomado em 2014. Após um ano e meio para estruturar a unidade e conseguir os equipamentos necessários, a cervejaria iniciou sua produção em dezembro de 2015 com o nome de Berggren Bier, que leva o nome do meu avô”, conta o diretor.

“Sabor e paixão com o objetivo de proporcionar uma experiência única ao consumidor são fatores primordiais da Dogma”, Bruno, Luciano e Leonardo, Dogma – Foto: Fernando Satt

Três sócios e uma única paixão. É assim que originou a Cervejaria Dogma: Bruno, proprietário da Serra de Três Pontas; Luciano, fundador da Noturna; e Leonardo com a Prima Satt. “Nos conhecemos nas produções caseiras e acabamos nos tornando grandes amigos. O curioso é que cada um já tinha sua própria cervejaria cigana. Em 2015 criamos a Dogma para dedicar nossas energias em uma única marca, mais forte e reconhecida no mercado de cervejas artesanais”, diz Leonardo Satt, um dos sócios-fundadores.

Para ele, não é apenas o sabor que é prioridade na hora de produzir um novo rótulo. “Antes de iniciar uma receita, faço uma espécie de organização mental de como quero que ela fique. Com o objetivo de proporcionar uma experiência única para o consumidor, também investimos em nomes criativos e nos rótulos das bebidas. Estamos presentes nos estados do RJ, MG, ES, SC, PR, BA, PE, RN, PI, CE, PA, MA, AM, GO, DF, MT e MS”, revela Satt.

“Nossa capacidade instalada atual é de 700 mil litros/mês, 10 vezes mais do que quando começamos. E, pretendemos fazer novos investimentos em breve”, Luiz Sergio Franzotti, Cervejaria Trieste / Poty – Foto: Eloisa Mattos

O gerente comercial da Cervejaria Trieste, Luiz Sergio Montanari Franzotti, afirma que “apanhou” bastante no começo da operação. “O começo foi difícil, sofremos bastante por utilizarmos um processo inovador de mircrofiltração, principalmente, falando em pequenas cervejarias. Hoje, temos segurança no que fazemos e caminhamos na busca constante do crescimento das vendas.

Poty utiliza como diferencial a microfiltração a frio para conservação da cerveja

Nossa capacidade instalada atual é para 700 mil litros mês de brassagem e esperamos fazer novos investimentos em breve. Um reflexo disso é que em apenas um ano de operação, trocamos nossos equipamentos para uma capacidade 10 vezes maior”, analisa. “Seguimos à risca a condição de fabricação de produtos puro malte com matérias-primas de primeira qualidade, associadas ao nosso diferencial que é a microfiltração e não-utilização do processo de pasteurização para conservação da cerveja. Além disso, somamos os produtos ao nosso portfólio da Bebidas Poty para termos sinergia na comercialização e distribuição em todos os PDVs onde já atuamos”, complementa.

Com início em 2010 e apenas quatro estilos no portfólio, distribuídos em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, a Leuven hoje conta com 11 rótulos seguindo predominantemente a escola cervejeira belga. “Atualmente, vendemos de 40 a 50 mil litros por mês. Temos premiações nos mais renomados concursos cervejeiros do mundo como o World BeerCup (EUA) e Wold Beer Awards, em Londres”, se orgulham os sócios Gustavo Barreira e Karin Moraes.

“A Leuven captou R$ 4 milhões em operações de crowdfunding para implantação de uma nova fábrica, em Piracicaba (SP)”, explicam os sócios Gustavo Barreira e Karin Moraes

Em 2017, os sócios fizeram a abertura de capital da Leuven por meio de uma operação de equity crowdfunding. “Fomos a primeira cervejaria do Brasil a realizar esta captação de recursos e o fizemos em tempo recorde, em apenas oito dias. No ano seguinte, captamos em apenas três dias, totalizando R$ 4 milhões. O objetivo foi a mudança da fábrica, para uma nova unidade, em Piracicaba, SP”, afirmam.

Com mais de 16 anos de estrada antes da criação da Paulistânia, em 2009, o gerente de produto Eryck Machado relaciona o sucesso da marca ao fato de já ter trabalho com as mais conceituadas marcas europeias, como Erdinger, HB, La Trappe e Warsteiner. “No ano passado, a Paulistânia Marco Zero, nosso carro-chefe, foi eleita a melhor Pilsen do Brasil e da América do Sul pelo World BeerAwards e South BeerCup, respectivamente. Estamos agora comemorando os 10 anos com a Paulistânia X, uma cerveja bastante especial. Nossa missão é contar as histórias da cidade de São Paulo por meio dos nossos produtos”.

A Paulistânia X é uma cerveja BrutBarleyWine, que passa por uma segunda fermentação na vinícola usando levedura de espumante e, dessa forma, transcende as fronteiras cervejeiras. “Produzimos oito estilos diferentes, que propiciam ao consumidor fazer uma viagem por diferentes escolas cervejeiras mundiais”, diz Machado.

Portfolio e produção

Blondine investiu R$ 12 milhões na instalação de uma das mais moderna fábricas para cervejas artesanais do Brasil

A Blondine conseguiu conquistar a fábrica própria quatro anos após o início das suas operações. “Instalada em Itupeva, São Paulo, investimos um total de R$ 12 milhões e parte dos recursos conta com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento, BNDES. Com uma sala de brassagem de 35HL, tanques de fermentação e maturação de 25HL e 50HL e uma linha de envase e pasteurização de garrafas computadorizada, nossa unidade inclui o que existe de melhor e mais moderno em se tratando de equipamentos nacionais para uma cervejaria artesanal”, revela Xerfan.

Hoje, a produção da empresa tem capacidade de fermentação e maturação de 100 mil litros/mês, podendo ser expandida ao limite da capacidade de brassagem e envase de 300 mil litros/mês. Em novembro de 2015, a fábrica finalizou a instalação da Linha de CO2 e, segundo Xerfan, é uma das únicas no mercado que dispõe desta instalação.

No portfólio da Blondine contam 21 criações com sabores originais produzidos pelo mestre-cervejeiro Alan Kardec. “Desenvolvemos uma linha de cervejas democrática, a Martina, com três rótulos (IPA, Witbier e Lager) em diversos pontos de venda, inclusive redes de supermercado, com custo benefício super atrativo”, destaca o diretor.

A produção atual da companhia é de 100 mil litros por mês. “A profissionalização da empresa começou há um ano aproximadamente, e continuamos a estruturação. Hoje,temos sistema de gerenciamento SAP, budget anual, profissionais de peso do mercado e uma área de Desenvolvimento Humano e Organizacional”, explica Xerfan.

A Ashby possui uma linha com 16 rótulos de cervejas e capacidade produtiva de 400 mil litros por mês

Com o passar dos anos, a produção da Ashby se diversificou, sua linha foi automatizada e a empresa se especializou na produção de chopp claro, escuro, trigo, Pale Ale e IPA, “Ao todo são 16 rótulos de cervejas especiais com uma capacidade produtiva de 400 mil litros. Nossa média mensal gira em torno de 200 mil litros.Gosto de imaginar que o meu público não bebe somente um líquido, mas degusta um pouco de história e, assim, vivencia um momento repleto de significado”, afirma Scott.

A Berggren possui sete rótulos de linha, sendo elas American Lager, Hop Lager, Weissbier, Witbier, APA, IPA e Porter, e conta com lançamentos de novos estilos ainda este ano. Suas cervejas podem ser encontradas em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia e Minas Gerais. No início do ano, a marca passou por um projeto de reposicionamento.

De acordo com Leonardo Satt, em um ano a Cervejaria Dogma faturou mais de R$ 5 milhões. “Nossa capacidade instalada é de 3.500 litros/mês de produção própria e giramos em torno de 15.000L terceirizado por mês. Tivemos um retorno tão positivo que abrimos, em 2017, nosso próprio bar no bairro Santa Cecília, em São Paulo. No final do ano passado colocamos uma enchedora de latas dentro do bar. Temos crescido em torno de 25% a.a”, comemora.

A 2 cabeças terceiriza sua produção, que hoje gira em torno de 8 a 12 mil litros por mês – Foto: Bruno de Lima

Com produção terceirizada, a 2cabeças já chegou a fazer mil litros de cerveja. “Começamos em 2012 e até hoje trabalhamos sem ter uma fábrica própria, tendo a Cervejaria Invicta como parceira. Inicialmente, a maior dificuldade era conseguir manter a produção constante, já que dependia do espaço em outras fábricas. Também foi complicado operar o fluxo de caixa desta operação terceirizada. Porém, sempre apostamos na criatividade dos nomes, identidade visual e receita, usando muitos insumos nacionais como maracujá, carambola, cumaru, pitanga, entre outros”, detalha o sócio e cervejeiro, Bernardo Graça Couto.

A 2cabeças tem uma rede de distribuição que atua de maneira independente na maioria dos estados brasileiros. “Nosso investimento maior foi na construção de parcerias sólidas e duradouras. Hoje, conseguimos ter uma estabilidade de produção bem superior ao nosso início, produzindo de 8 a 12 mil litros, volume que varia conforme estilo e sazonalidade”, aponta Couto.

Os sócios da Leuven chamam atenção para os rótulos em realidade aumentada de seus produtos. “Inovação está sempre em nossos processos, como é o caso da RA. Nossas matérias-primas são, em sua maioria, importadas da Alemanha, Bélgica, Austrália e Estados Unidos. Chegamos a produzir 50 mil litros/ mês. Os grandes desafios são garantir a estabilidade do processo e atingir o equilíbrio entre os ingredientes para se chegar no produto ideal”.

“Além da cerveja puro malte Salzburg – Evidências, parceria com a dupla Chitãozinho & Xororó, investimos no lançamento da Wienbier, uma cerveja sem glúten, Edison Nunes, New Age Bebidas

A NewAge Bebidas completou 30 anos em 2018. “Iniciamos uma parceria com a dupla Chitãozinho & Xororó na marca puro malte Salzburg, com a edição limitada ‘Evidências’.Nossa distribuição está concentrada nas regiões Sudeste e Sul, porém estamos ampliando nosso atendimento. Outro grande investimento foi o lançamento da cerveja sem glúten na marca Wienbier, que é a terceira mais vendida do nosso portfólio”, ressalta o diretor comercial, Edison Nunes.

Metas para 2019

A trajetória da Blondine foi de um crescimento de 40% ao ano. Desta forma, a meta de 2019 continua na faixa de 30% a 40% de crescimento com o foco na rentabilidade, “o que nos proporcionará cada vez mais captar novos projetos que exigem uma competitividade maior. Nosso 2019 se resume em uma frase: ‘início do processo de verticalização’. Um dos exemplos deste planejamento é um teste piloto para produção própria de malte. Também estruturaremos a verticalização da distribuição, isso nos daria um foco de 100% em nossa marca própria e, consequentemente,um volume maior de entregas”, analisa o fundador.

De acordo com Lucas, a cervejaria Berggren fechou 2018 com uma produção total de um milhão de litros. “Para 2019, nossa meta é dobrar esse volume anual”, prevê.

Para os sócios da Leuven, a meta para este ano é continuar crescendo no mercado, disponibilizando produtos com preços competitivos. “Temos evoluído uma média de 60% nos últimos quatro anos em volume de vendas. Estamos caminhando bem, otimistas e mantendo a meta de novos 60% este ano”.

New Age pretende lançar 30 novos produtos a partir de abril

Já para a NewAge bebidas, devido ao sucesso da linha “Evidências”, foi necessário ampliar a capacidade fabril. “Inauguramos este ano uma moderna instalação que dobra nosso envase. Temos crescido, nos últimos três anos, dois dígitos no faturamento. Pretendemos manter esse ciclo virtuoso e, com isso, lançaremos 30 novos produtos a partir de abril”, planeja o diretor.

Conselho do especialista

Os resultados da Dogma foram tão positivos que motivou a abertura do próprio bar em São Paulo. Estão crescendo 25% ao ano

O sócio-fundador da Cervejaria Dogma aconselha os novatos: “Se apresente antes ao mercado. Mostre quem você é. Divulgue seu produto antes de produzir um lote grande. Caso contrário, terá sérios problemas na conservação do produto, mesmo refrigerado”.

De acordo com Satt, o segmento de cerveja artesanal só cresce. “De 10 anos para cá não houve um ano sequer de queda. Muitas novas cervejarias, muitas receitas, muitos preconceitos quebrados (como o uso de lata e que cerveja escura só se bebe no inverno). Muitas pessoas estão se formando para atuar no meio. As pessoas se preocupam com o produto (o que está certo), mas se esquecem totalmente do mercado”.

“Acredito que as pessoas entram na área cervejeira repetindo demais fórmulas de outras cervejarias. Não tanto em estilos e marketing, mas sobretudo em modelo de negócio. Faltam boas empresas focadas em logística, comercial, ou seja, na parte da estrutura do negócio, e sobram pessoas que querem ter uma marca própria”, reforça o sócio da 2cabeças.

Atendimento às cervejarias

Líder de mercado na fabricação e distribuição de barris de aço inox para cervejas, a Agavic alerta para o fato que muitas cervejas de boa qualidade estão sendo contaminadas com oxidação quando colocadas em barris velhos e até mesmo sem procedência. “Devido ao crescimento de mais de 700% do setor de microcervejarias nos últimos 10 anos, o volume e uso de barris usados teve um aumento considerável e, com isso, os problemas também cresceram. Por isso, investimos em um Centro de Desenvolvimento Cervejeiro e Alimentício, show-room, treinamentos e apresentação de nossos produtos e projetos de melhorias de processos de automação e instrumentação nas cervejarias”, explica o diretor comercial, Breno Garrefa.

Além da expertise e tradição no fornecimento de barris, a Agavic também fornece equipamentos para secar levedura e peletizar o malte gerado na fabricação da cervejaria, transformando assim resíduos e sobras em novas matérias primas e até mesmo na geração de energia.”Outra novidade é o desenvolvimento de um produto aromático baseado na cana de açúcar para ser usado na formulação das bebidas. Estamos também investindo para aumentar nossa produção de 80 mil barril/ ano para 240 mil / ano para os próximos cinco anos”, planeja o diretor.

“Nossos barris são 100% recicláveis e estão disponíveis nos formatos de 15L, 20L e 30L de capacidade”, Ricardo Vieira, Petainer

A Petainer, de origem britânica, com operações globais em inovação de embalagens plásticas para o mercado de bebidas, produz os barris descartáveis petainerKeg, reconhecidos como solução de envase de classe mundial e presentes nos mais diversos mercados cervejeiros ao redor do mundo. “Somos um player global, com tecnologia e soluções de embalagem que vão de envases pequenos (garrafas re-utilizáveis), passando por galões de água one-way, até nosso carro chefe, o petainerKeg. Nossos barris são 100% recicláveis, feitos a partir de matérias primas e componentes de altíssima qualidade, além de muito leves e disponíveis em 15l, 20l e 30l de capacidade”, aponta o gerente geral do Brasil, Ricardo Leonel Vieira.

De 2017 para cá, a Petainer busca ampliar sua presença nas principais regiões cervejeiras do país, ao mesmo tempo que se envolve, direta e indiretamente, com diversos eventos técnicos e mercadológicos voltados à cerveja artesanal. “No segundo semestre de 2018 foi dado início à uma operação de sopro e montagem dos nossos barris Classic 30l, em Tijucas/SC, em parceria com a LD Indústria Plástica. Temos trabalhado sempre no sentido de reiterar nosso compromisso com o mercado local e a busca constante de oportunidades de redução de custos e de facilitação da logística de acesso aos nossos produtos”, conta Vieira.

A Agrária Malte, maior maltaria da América Latina, conta com a produção de Malte Pilsen como carro-chefe, atendendo aproximadamente 30% da demanda do mercado brasileiro de cerveja. “Após a última ampliação, atingimos uma capacidade de produção de 350.000 t de malte por ano e começamos a produzir também alguns maltes especiais, como Malte Pale Ale, Vienna e Munique, todos com cevada 100% nacional”, garante a analista de marketing e comunicação, Vitória Schwarz.

“Depois da última ampliação atingimos uma capacidade de produção de 350 mil ton./ano e passamos a produzir maltes especiais como Pale Ale, Vienna e Munique”, Vitória Schwarz, Agrária

A empresa atende grandes grupos, cervejarias de médio porte, artesanais, brewshops e os cervejeiros caseiros. Para atender as necessidades de alguns clientes que não possuem produção própria, a Agrária implantou a Cervejaria Experimental, um espaço para desenvolver receitas, funcionando como um laboratório de testes.

Vitória reforça ainda que este ano serão implementadas mais algumas novidades. “A Cervejaria Experimental, em breve, irá para uma nova casa, ainda maior e mais moderna. Também iniciaremos a comercialização de flakes de milho e barris da chinesa Penglai, além da linha de Fermentos Essential”.

Equipamentos

A HiperCentrifugation trabalha ativamente no desenvolvimento do setor cervejeiro com o fornecimento de equipamentos e serviços para centrífugas clarificadoras

Segundo Carlos Eduardo Alvarenga, engenheiro da HiperCentrifugation, a companhia participou ativamente do crescimento e desenvolvimento de diversas empresas no ramo cervejeiro. “Somos especializados no atendimento às indústrias que usam equipamentos centrífugos em seus processos.

Inclusive, um de nossos serviços é desenvolver processos e montagens de plantas para cervejarias de todos os portes. Para isso, contamos com uma assistência técnica especializada em centrífugas clarificadoras, importantes para
garantir a qualidade final do produto”.

Já a Pall fornece equipamentos completos de clarificação, estabilização e filtração final de cervejas, assim como, elementos filtrantes para todas as áreas, como água, gases e utilidades, além de equipamentos para laboratório e análises microbiológicas de cerveja. “Nossos destaques são os equipamentos de clarificação de cervejas livre de terra diatomácea (PROFi), estabilização contínua de cervejas por PVPP (CBS) e filtração final a frio como alternativa a pasteurização tradicional (CFS). Também contamos com um equipamento de laboratório para análise microbiológica de cervejas por meio da técnica de PCR, em que é possível obter resposta em até 2 horas”, explica o Systems Sales Manager LatinAmerica, André Costa Trombe.

A Pall fornece equipamentos completos para clarificação, estabilização e filtração final de cervejas, além de equipamentos para laboratórios e análises cervejeiras

A Prozyn atua no mercado cervejeiro acompanhando as tendências, principalmente com base em enzimas e outros bioingredientes. “Desenvolvemos soluções em mais de 400 plantas no território nacional.

“Desenvolvemos soluções para mais de 400 plantas no Brasil, com atendimento flexível,

Nosso diferencial é o atendimento flexível, oferecendo maior praticidade e controle de processo com a possibilidade de produção de embalagens pré-dosadas de acordo com a produção do cliente”, diz Juliano Rost, Gerente Comercial Especialidades.  Segundo ele, a empresa investiu em um Centro de Inovações Tecnológicas, que possui novos laboratórios de análises e planta piloto de aplicação. “Nosso time está em constante treinamento, contando inclusive com equipe dedicada especialmente ao atendimento de cervejarias artesanais”, afirma.

Desde 2005, a Zegla atua na área de envase de cervejas, produzindo também soluções para as áreas de moagem de malte, silos, brassagem, tanques de maturação e de fermentação, filtragem, tanques de pressão, bombas sanitárias, tanques dosadores, tanques para recuperação de fermento, CIP, entre outros. “Contamos com especialistas para dar suporte técnico desde o projeto base até o momento que a planta estiver produzindo”, diz o diretor comercial, Arthur Stringhini.

“Um dos destaques da Zegla está na brassagem, que segue padrões internacionais, com o conceito de fervedor externo com whirpool de fundo plano, proporcionando economia e eficiência ao processo”, Arthur Stringhini

Apesar da atuação ampla, Arthur destaca dois diferenciais da Zegla. “Oferecemos um equipamento robusto e com tecnologia de precisão, garantindo o processo de envase com o mínimo de incorporação de O², além de um apurado sistema de fechamento (recravamento) de latas, o qual garante a qualidade do produto produzido”.

Enchedora híbrida da Zegla envasa embalagens de vidro e lata, reduzindo o investimento e garantindo maior flexibilidade ao processo

O segundo destaque da companhia é a brassagem, que segue especificações internacionais, com o conceito de fervedor externo com whirpool de fundo plano. “Isso favorece a formação de trub, elimina a perda de cerveja, proporcionando economia e eficiência no processo. A automatização garante a repetibilidade de receitas, dimensionada para pressões mais baixas, reduzindo a caramelização, com filtração por gravidade, o que elimina a necessidade de bomba de vácuo, construção mecânica com alto grau de acabamento, favorecendo a limpeza”, aponta o executivo.

Recentemente, a Zegla lançou uma enchedora híbrida para baixas produções, onde a mesma enchedora envasa em um momento embalagens de vidro e em outro, embalagens de lata, reduzindo o investimento inicial e dando maior flexibilidade ao fabricante.

“Nova linha Belga de 550ml conta com fechamento rolha clip-lock, uma demanda dos cervejeiros artesanais”, Felipe Velame, Verallia

Presente no Brasil há mais de 120 anos, a Verallia oferece ao mercado cervejeiro garrafas aliadas à inovação e funcionalidade. “Uma garrafa bonita e funcional agrega valor ao produto e estimula o consumidor, principalmente no mercado de cervejas artesanais, fatores que despertam a curiosidade e geram impacto positivo no aumento de vendas”, reforça o gerente de contas, Felipe Velame.

No portfolio, destaca-se a SelectiveLine, linha Premium da Verallia. Já na Standard, a garrafa LongNeck Coroa é inspirada pelo entendimento das características técnicas das linhas das cervejarias artesanais, e o recente lançamento da garrafa Belga 550 ml, desenvolvida a partir de uma pesquisa de design na Europa, seguindo as tradicionais cervejeiras da Bélgica. “Em cor âmbar, a Belga 550 ml conta com fechamento em rolha fixa clip-lock, um dos mais solicitados pelos cervejeiros em exposições realizadas por nós em 2018”, complementa Velame.

“A alta tecnoloiga também está disponível para pequenas e médias produções, como forma de impulsionar os negócios para as cervejarias artesanais”, Silvio Rotta, Krones

A Krones acredita que o sucesso depende de um cuidadoso planejamento do investimento. Por isso, disponibiliza projetos turn-key, com soluções para a construção de cervejarias completas, de acordo com as necessidades e o planejamento estratégico de cada empresa. “São soluções de processos de produção de bebidas, envase, embalagem, tecnologia de informação (TI), serviços e de logística. Atuamos na parte mercadológica e garantimos todo apoio para o dimensionamento da capacidade produtiva, área, infraestrutura, equipamentos, entre outros pontos essenciais para a eficácia de uma cervejaria artesanal”, orienta o diretor comercial da Krones no Brasil, Silvio Rotta.

Entre as recentes tecnologias, destaca-se a MicroCube, planta de cocção completa, com sala de cocção e adega de fermentação, desenhada para ser instalada em espaços limitados, para volumes de cocção de cinco a dez hectolitros. A máquina possui um moinho de dois rolos com um rendimento por moagem de 500 quilos por hora, com alimentação de malte e descarga manual da moagem.

A cuba de maceração e filtração tem um sistema de aquecimento da parede lateral para o processo de maceração. Para a filtragem, emprega-se o amplamente testado fundo falso de tanques grandes. Enquanto na adega de fermentação, é possível escolher entre tanques com 5, 10, 20, 25 ou 50 hectolitros de conteúdo líquido com arrefecimento de parede e de cone. Estão dotados, respectivamente, de um dispositivo de fechamento para manutenção da pressão e de um indicador de temperatura e pressão.

Novidade da Krones é a enchedora para latas Craftmate com produção entre 6 mil e 18 mil latas por hora

Na área de envase, uma novidade é a enchedora para latas Craftmate, com rendimento que varia entre 6.000 e 18.000 latas por hora. Sua construção modular possui 24 válvulas de envase, que opera com alta flexibilidade, permitindo o uso de latas de diferentes formatos e volumes.

Outro importante avanço tecnológico é a VarioFlash B, pasteurizadora flash compacta que proporciona tratamento de produtos térmicos, uma máquina particularmente adequada para faixas de produção de 18 a 40 hectolitros por hora, que pode ser combinada não apenas com enchimentos de garrafas de vidro e latas, mas também com sistemas PET de barris para cervejas. “Este é mais um exemplo de como a alta tecnologia já está disponível para pequenas e médias produções, como forma de impulsionar bons negócios para as cervejarias artesanais”, finaliza Rotta.

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