2019: ano promissor para o setor de bebidas

Especialistas em economia apontam para um otimismo e confiança geral, tanto de consumidores
quanto de empresários, o que faz a ‘roda começar a girar’ novamente.
E a indústria de bebidas promete ser contagiada por esse ciclo

Kathlen Ramos

Um dos principais fatores que levou o País a chegar à mais profunda recessão da história foi, sem dúvida, a crise de confiança. Diante de tanta corrupção – colocada à tona pela Operação Lava Jato – e desesperança com a classe política, o índice de confiança dos consumidores e do empresariado nunca foi tão baixo.

Entretanto, as eleições e novos nomes no Planalto trouxeram uma rodada de novas expectativas aos brasileiros em todos os níveis. Assim, se vê cada vez mais os investimentos das empresas começarem a sair do papel e, o emprego, como consequência, passar a ter real viabilidade de crescimento, o que retomaria o tão esperado circuito de consumo.

Flexibilidade nas linhas de envase é fundamental para o bom desempenho das fábricas de bebidas

Essa sequência de eventos positivos parece ter reflexo nos mais diversos setores, e com o de bebidas não é diferente. “A tendência é que seja um ano melhor que 2018, que foi um período de desafios para a indústria, pois passamos por 2016 e 2017 bem difíceis para a economia e, consequentemente, para o mercado de bebidas”, comenta o diretor comercial e de marketing da CRS Brands – empresa detentora de marcas como Cereser e Chuva de Prata -, Lourenço Filho.

Para o diretor da Mcpack, Marcelo Cozak, 2019 deve ser marcado pela retomada gradativa do País. “Deverá ser um ano de recuperação, levando ainda algum tempo para retomar o patamar anterior à crise econômica. Porém, finalmente, percebemos que o interesse em novos investimentos está em uma curva ascendente”, diz, salientando que a empresa já percebe uma movimentação maior em relação a projetos de inovações e estudos de melhoria de processos.O presidente da Refrigerantes Convenção, Geraldo Guitti, afirma que, nos últimos anos, o mercado de bebidas vem passando por desafios diversos devido os novos hábitos dos consumidores somados a situação econômica do País. “Para o ano de 2019, os fabricantes estão mais otimistas após alguns anos consecutivos de retração. Mesmo com a variação de volume de produção dos refrigerantes, inovações e lançamentos de novos produtos devem agregar mais faturamento ao setor”, prevê.

O diretor geral da KHS, Roberto Giampietro, acredita que 2019 será um ano de bons investimentos para indústria de bebidas, mas, ao mesmo tempo, desafiador para os envolvidos na área. “No setor cervejeiro, as disputas por market share vão desafiar a indústria de máquinas a desenvolver soluções inovadoras e de baixo custo operacional. O hábito de consumo do mercado de bebidas premium de alto valor agregado (sucos, iogurte, bebidas funcionais etc.) também irá demandar linhas de produção e máquinas individuais; além da água mineral, que a cada ano vem buscando tecnologias de ponta para se tornar cada vez mais competitiva”, justifica.

O diretor presidente da Bebidas Poty, José Luiz Franzotti, também aposta num ano positivo e afirma que, com a retomada econômica, a empresa estabeleceu uma meta de crescimento de 14%. “A economia registrou, pelo menos, três anos de consumo retraído e com muita insegurança para a indústria. O ambiente político havia contaminado a economia. Agora, com o novo governo e a expectativa de novas e importantes medidas, esperamos uma retomada no crescimento e um aumento no consumo”, analisa.

O VP Digital Transformation da Coca-Cola, Flavio Camelier, disse durante o Beverage Revolution Day, realizado em novembro último, que todos acreditam que o País voltará a ter um crescimento sustentável, o que está se traduzindo num momento de muito investimentos no mercado. “Estamos no momento certo de investir. Claro que ainda temos efeitos tributários grandes e problemas de distribuição importantes dentro do sistema, que são problemas a serem administrados. Mas todos acreditam que os próximos três anos serão muito mais positivos do que foram os últimos três”, projeta.

Investimentos

As principais indústrias do setor planejam trazer novidades ao mercado em 2019. A CRS Brands, por exemplo, afirma lançar novas edições especiais para Sidra e novidades para o vinho de mesa. “Vamos continuar com os investimentos nas principais marcas, reforçando a comunicação da marca Cereser com Ivete Sangalo e promoções ao consumidor”, revela Lourenço Filho.

O presidente da Refrigerantes Convenção, Geraldo Guitti, afirma que mesmo com os desafios dos últimos anos, o ano de 2018 foi de realizações de alguns projetos. Entre eles, a inauguração da primeira RavacheTapHouse, um bar totalmente tematizado localizado dentro da Cervejaria Ravache, em Caieiras (SP). Os visitantes podem fazer um tour pela cervejaria, degustar os estilos de chope disponíveis e adquirir materiais exclusivos. Para conhecer, basta acessar o site da cervejaria Guitt´s (www.cervejareia guit ts.com.br) e selecionar a data e horário de interesse. Também foi marcante a implantação de uma nova linha de envase para embalagens longneck e um tanque de fermentação/ maturação de cervejas. Para esse ano, os projetos continuam. “Em fevereiro, iremos inaugurar a segunda RavacheTapHouse, no Shopping Campo Grande (RJ). Além disso, ampliaremos nossas linhas de produção de água mineral, refrescos e cervejas”, conta.

A Poty investe em marketing para alavancar as vendas de produtos na capital paulista

Já a Bebidas Poty quer chegar com mais força no mercado da capital de São Paulo e baixada santista. Para tanto, está investindo em marketing esportivo e fechou o patrocínio com o Corinthians e com as categorias de base do Santos. “Também vamos investir em logística, em especial nas regiões de Bauru e Araraquara, reforçando a agilidade na distribuição. Queremos estar cada vez mais próximos do nosso cliente, procurando atendê-lo cada vez melhor”, sinaliza Franzotti, acrescentando que a empresa também pretende investir na área de licores, com lançamentos de vermutes.

Como realizou diversos lançamentos no ano passado, a estratégia da Leão Alimentos e Bebidas para 2019 está focada na distribuição e comercialização dos novos produtos. Uma das grandes novidades do portfólio foi o lançamento, em dezembro de 2018, das cápsulas de chá Leão compatíveis com as máquinas Nespresso.

Em 2018, a empresa também ampliou a linha de chás premium Leão Senses, com a chegada de dois novos sabores: Laranja, Gengibre & Pimenta Rosa e Papaia, Cenoura & Laranja.Outra novidade foi o lançamento do Chá Matte Leão Sachê Tamanho Família, produto que traz 10 sachês por display, que rendem até 1 litro de bebida cada sachê, sem a necessidade de coador.

Linha de sucos concentrado da Del Valle já está no mercado

Ainda vale lembrar que, final do ano passado, a Leão iniciou a produção do novo Del Valle Concentrado, um suco para ser preparado em casa. O produto já está disponível, inicialmente, em supermercados e redes atacadistas das regiões Sul e Sudeste.

Leão Alimentos investe no aumento de sabores de sua linha de chás preium e na linha de cápsulas

Segundo Flavio Camelier, da Coca-Cola, a empresa aposta na introdução de mais geladeiras nos pontos de venda e também em vasilhames retornáveis. O executivo também apontou o potencial de aplicativos (apps) que servem como delivery de refeições, a exemplo do iFood, e como a indústria de bebidas pode ser beneficiada. “O iFood registrou 10 milhões de transações por mês (até outubro). Mas um app similar da China, o MeituanDianping, alcança 20 milhões de transações diárias. Eles têm, assim, 1,2 pedidos por e-shopper/dia enquanto o iFood tem 0,15. Portanto, a oportunidade é exponencial”, argumentou.

Refrigerantes

Já a Convenção garante que todos os sabores dos refrigerantes da marca terão menos açúcares. “Atualmente, temos o Guaraná e Frutaína Convenção com 53% de açúcares, mas a partir desse ano, todos os produtos (Laranja, Uva, Abacaxi, Limão, Cola e Vitt´s – refrigerante cítrico de limão) terão essas novas versões. Além disso, iremos lançar o Frutaína Convenção retrô, na versão longneck, com uma adaptação do rótulo comercializado na década de 70. Ademais, também apresentaremos novos sabores e embalagens para os refrescos Convenção e novidades na linha de água mineral”, diz, acrescentando que, para a linha de bebidas alcoólicas, a empresa projeta o lançamento da cerveja puro malte, Ravache Pilsen, na versão longneck.

Apostas seguem na área de equipamentos

A Mcpack pretende continuar investindo em tecnologia. “Trabalharemos forte para apresentar e tornar viável a aplicação de diversas tecnologias nas unidades industriais de bebidas. Mas, se pudéssemos destacar dois pontos, de fato seriam: eficiência energética das linhas (com tecnologias que possibilitam um menor consumo de energia elétrica das plantas industriais); e diminuição de custos com matéria-prima de embalagem, especificamente redução de gramatura de PET”, afirma Marcelo Cozak. Entre os últimos equipamentos apresentados pela empresa, dois deles se destacam pela redução de custos para clientes e redução dos custos com energia. Entre eles, está o sistema de ultrassom, que tem o objetivo de reduzir a espuma de produtos carbonatados, como refrigerantes e cervejas. “Uma grande surpresa nesta aplicação, foi a melhoria nos valores de TPO (Oxigênio total) das garrafas de cerveja. Conseguimos reduções de 20% a 40%”, diz. Há, ainda, o sistema de secagem de garrafas e latas por uma turbina, substituindo o ar comprimido, representando economia de, aproximadamente, 230.000 kWh anuais, por ponto de aplicação. A tecnologia pode ser usada em diversas linhas de embalagens cartonadas, latas e garrafas.

Para este ano, a KHS vai apostar no aumento de produtividade e melhoria dos processos internos de fabricação. Também está investindo em um Centro de Treinamento que será inaugurado em 2019, e irá operar em uma área com mais de 450m2 com equipamentos para testes, assim como uma planta piloto de processos, com estação de dissolução de ingredientes, carbonatação, central de CIP, teste de válvulas, circuito de transportador de garrafas e transporte de pacotes, entre outros equipamentos. O Centro de Treinamento da KHS também possui, entre outros espaços, laboratórios para cursos da área de automação, análise físico química para bebidas, e um auditório para cursos e treinamentos.

Máquina blocada da KHS combina sopradora e enchedora asséptica, e forma a garrafa em uma única etapa do processo

Entre as últimas novidades anunciadas pela empresa, estão o InnoPETForm Fill TM, caracterizado pela formação da garrafa e enchimento em uma única etapa do processo; o Bloco Sopradora Rotativa/Enchedora Asséptica Linear para 12.000 gph, que é uma máquina blocada que combina uma sopradora rotativa com uma enchedora asséptica linear; e as formadoras de cartão Schubert e encaixotadoras KHS combinadas, que garantem flexibilidade para trabalhar com vários tipos de embalagens de cartão e também com caixas plásticas na mesma máquina.

Formadora de cartão Schubert / KHS permite trabalhar com vários tipos de cartão e caixas plásticas na mesma máquina

O que esperar para as embalagens?

Praticidade e conveniência são palavras que estão ditando as tendências atuais em termos de embalagens, conforme comenta o gerente nacional de vendas da Leão Alimentos e Bebidas, Marcelo Corrêa. Nesse contexto, novas embalagens vêm obtendo bons resultados, promovendo novas ocasiões de compra, além de serem opções de custo-benefício. “Esse é o caso das recém-lançadas cápsulas de Chá Matte Leão Natural e Chá Leão Senses, ambas para máquinas Nespresso; e a embalagem diferenciada do Chá Matte Leão Sachê Tamanho Família, produto que traz 10 sachês por display”, diz.

As cápsulas são opções que aliam custo X benefício, praticidade e conveniência para todos os tipos de bebidas

Há, ainda, uma preocupação da indústria com a gestão dos resíduos das embalagens. “A utilização de materiais sustentáveis na produção de embalagens já é uma prática nas embalagens cartonadas fornecidas pela Tetra Pak utilizadas pela Leão, que já são fabricadas com polietileno de origem vegetal. Já a substituição de duas das sete camadas de polietileno convencional por polietileno de etanol na embalagem cartonada dos sucos gerou uma redução de 41% de emissões de gases de efeito estufa por embalagem”, finaliza Corrêa.

Embalagens de PET aumentam participação no envase de bebidas sensíveis devido a fatores como sustentabilidade e flexibilidade

Além disso, a escolha pelo envase de bebidas sensíveis em PET continua sendo uma das apostas da indústria por diversos motivos, que passam pelo grande índice de reciclagem, flexibilidade, últimas tecnologias de barreiras, vedação da tampa, custo menor comparado a outras embalagens, transparência para consumidores enxergarem conteúdo, além de tecnologias de barreira de ultravioleta e luz. “Este é o material com maior potencial neste segmento, podendo no futuro ser disseminado em outros segmentos, como o de cerveja. Esperamos que, em cinco anos, possamos ter ao menos uma fatia de 50% deste segmento”, projeta o gerente comercial da Krones do Brasil, Ayrton Irokawa.

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