Um brinde aos negócios

Funcionais e com apelo saudável, envasadas em embalagens que garantem
a longevidade dos produtos. Essas são as apostas no mercado de
bebidas sensíveis, setor que cresce exponencialmente no País

| KATHLEN RAMOS |

O apelo ao saudável chegou, definitivamente,ao mercado de bebidas. Aos poucos, as opções com alto teor alcóolico, muitos açúcares ou gaseificadas vão sendo substituídas nos carrinhos de compras por aquelas com ingredientes naturais, capazes de trazer benefícios ao organismo e que vão além de ‘matar a sede’. “O consumidor brasileiro está mudando de perfil. Cada vez mais em busca de uma alimentação saudável e, no que se refere às bebidas, este comportamento não é diferente”, afirma o diretor de marketing LATAM da General Mills – empresa detentora de marcas como Yoki e Mais Vita – Manuel Garabato.

De fato, segundo dados da Euromonitor, o mercado de água de coco movimentou no Brasil, em 2017, 157,4 milhões de litros, alta de 41,5% em relação a 2012. Até 2022, a previsão do instituto é que a produção deste tipo de bebida alcance 216,5 milhões de litros. Mesmo que em menor ritmo, esse crescimento também foi observado no segmento de chás, que contabilizou, ao longo do ano passado, 126,1 milhões de litros, um aumento de 15,4% na comparação com cinco anos antes. As projeções para 2022 são de que as vendas atinjam 152,1 milhões de litros.

O segmento de chá contabilizou em 2017 cerca de 126 milhões de litros, um aumento de 15,4% na comparação com 5 anos antes

Números expressivos como esses trazem um ânimo aos investidores do setor, atingindo, em cheio, o mercado de bebidas sensíveis, que pedem processos de produção e envase assépticos ou em altas temperaturas. “As bebidas microbiologicamen-te sensíveis, isentas de conservantes, requerem cuidados especiais suplementares para atingir a vida útil esperada e preservar sua qualidade, sabor e vitaminas”, explica o vice-presidente de vendas para a América Latina da Sidel, José Priante. Esses produtos – que incluem sucos, néctares, refrescos, isotônicos e chás (JNSDIT, na sigla em inglês), bem como bebidas lácteas (LDP, na sigla em inglês), como leite fresco, leites aromatizados, iogurtes líquidos e leite de soja – demandam tecnologias diferenciadas e com controle rigoroso, a fim de que se evitem contaminações e tragam vida longa nas gôndolas.

Na Obrigado, marca de água de coco sediada na Bahia, essa necessidade por inovação está no radar. “Estamos em constante evolução, seja no desenvolvimento de produtos, ou no cuidado com as nossas fazendas. Somente no ano de 2017, foram investidos R$ 50 milhões. Além disso, já prevemos um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões na estrutura e em novas linhas de produtos para os próximos cinco anos”, revela o diretor de pessoas, organização e governança da Obrigado, Adriano Meyer.

Segundo ele, parte desses investimentos estão voltados para a manutenção da qualidade do produto. “A água de coco é uma bebida muito sensível, por isso, desenvolvemos uma técnica exclusiva e patenteada de extração. Criamos uma tecnologia que não corta o fruto, mas drena o líquido por meio de agulhas. Descobrimos que o contato com o oxigênio, a luz e a casca prejudicam o sabor da bebida, então levamos mais de dois anos criando esse sistema que garante o frescor, a qualidade e a pureza dos nossos produtos”, descreve. Mas o cuidado e atenção vão além da extração: na Obrigado, cada coqueiro possui um código de barras para controle de pragas e melhor nutrição, com um sistema para irrigação de precisão, garantindo, assim, que o coco tenha alta qualidade, sabor naturalmente adocicado e o menor uso possível de água ou fertilizante.

“Alem da inovação, a empresa investe na constante melhoria de processos, possibilitando agilidade e aumento da performance das pessoas envolvidas”, Sérgio Ferreira da Leão Alimentos e Bebidas

Inovação nos processos Além de trazer produtos com benefícios extras ao consumidor e qualidade garantida, inovar tem feito parte dos processos das indústrias do ramo para assegurar que essas novidades cheguem, o mais rápido possível, nas mãos do consumidor. Integrante do Sistema Coca-Cola Brasil, líder de mercado e responsável pela produção de bebidas mistas, chás e café, a Leão Alimentos e Bebidas é um exemplo de empresa que tem buscado esses objetivos. “Temos a inovação entre as três prioridades da Coca-Cola Brasil. Algo que evidencia isso é a recente reestruturação da empresa: além da diretoria de inovação, foram criadas a vice-presidência de Transformação Digital e a diretoria de Transformação no Negócio, ambas com grande impacto em inovação”, pontua o diretor de Desenvolvimento Organizacional e Sustentável da Leão Alimentos e Bebidas, Sérgio Ferreira.

Outro investimento da empresa está na constante melhoria de processos, como a aposta na metodologia agile, criada para ajudar os colaboradores a trabalharem de maneira eficaz e rápida, unificando serviços administrativos e financeiros em uma só equipe, além de um aplicativo mobile para aprovação de pedidos e requisições de compras. “Adotamos essa metodologia para entregar o que as pessoas querem no menor tempo possível, e já estamos entregando ótimos resultados”, comemora Ferreira.

Embalagens são foco Não é só no líquido que está o foco em inovação das empresas que atuam no segmento de bebidas sensíveis. As embalagens também são prioridade de boa parte dos investimentos. Afinal, a escolha correta do envase ajuda a proporcionar uma validade estendida, por meio de barreiras para gases, luz e temperatura, ou diretamente a partir do material utilizado.

“Parte significativa da garantia dos produtos está na embalagem, uma vez que n ão têm conservantes e são envasados assepticamente, garantindo naturalidade e longevidade às bebidas, Pawel Keller, gerente de embalagens, Coca-Cola Brasil

Na Coca-Cola Brasil, a estratégia é explorar soluções de embalagens que remetam à diferenciação nos pontos de venda e passem ao consumidor um conceito de naturalidade. “A utilização de materiais sustentáveis é uma prática nas embalagens cartonadas utilizadas pela Leão, que já são fabricadas com polietileno de origem vegetal. Já a substituição de duas das sete camadas de polietileno convencional por polietileno de etanol na embalagem cartonada dos sucos gerou uma redução de 41% de emissões de gases de efeito estufa por embalagem”, constata o gerente de embalagens da companhia, Pawel Keller.

Entretanto, muitas vezes os produtos não recebem o mesmo cuidado nas prateleiras ou mesmo no manuseio feito pelo consumidor. “Parte significativa da garantia dos produtos está na embalagem, uma vez que não têm conservantes e são envasados de forma asséptica, ou seja, sem contato com o ar, para garantir a naturalidade, qualidade e longevidade dos ingredientes da bebida”, comenta, alertando que quando a embalagem sofre algum dano, o ar entra em contato com o produto, que pode perder suas características. “Nosso maior desafio está em assegurar a qualidade das embalagens ao longo de toda a cadeia até o momento de consumo do produto. É importante que todo consumidor avalie as condições de qualquer embalagem no ato da compra. Além disso, após a abertura, deve adotar os cuidados recomendados na embalagem”, acrescenta Keller.

O PET é o material com maior potencial no segmento de bebidas sensíveis. Esperamos conquistar cerca de 50% desse mercado em cinco anos”, Ayrton Irokawa, gerente comercial da Krones do Brasil

Somadas às embalagens cartonadas, a escolha pelo envase de bebidas sensíveis com PET continua sendo uma das apostas da indústria por diversos motivos, que passam pelo grande índice de reciclagem, flexibilidade, últimas tecnologias de barreiras, vedação da tampa, custo menor comparado a outras embalagens, transparência para consumidores enxergarem o conteúdo, além de tecnologias de barreira de ultravioleta e luz. “Este é o material com maior potencial neste segmento, podendo no futuro ser utilizado em outros segmentos, como o de cerveja. Esperamos que, em cinco anos, possamos ter ao menos uma fatia de 50% deste mercado”, projeta o gerente comercial da Krones do Brasil, Ayrton Irokawa.

Para Keller, esse tipo de embalagem tem condições de competir tecnicamente e comercialmente com as cartonadas. “As tecnologias de sopro, de barreiras e envase evoluíram muito e hoje o PET entrega performance equivalente às embalagens cartonadas”, avalia.

José Priante, da Sidel, acrescenta, ainda, que as vantagens do PET são realmente poderosas em termos de posicionamento de marketing. “As garrafas podem ser cilíndricas ou quadradas. Quaisquer formas, tipos ou diâmetros de gargalo (28 mm a 38 mm) são possíveis. As garrafas são fáceis de abrir e manusear, permitindo uma grande variedade de tampas (tampas tradicionais ou esportivas, possibilidade de sobretampa), e oferecem a vedação necessária da tampa/gargalo”, justifica, complementando que as soluções de barreira PET garantem a segurança do produto ao longo de toda a cadeia de suprimentos, com boas propriedades de barreira contra o oxigênio, 15 a 30 vezes mais altas em comparação com o PEAD monocamada e de três camadas.

“As bebidas microbiologicamente sensíveis, isentas de conservantes, requerem cuidados especiais para atingir a vida útil esperada e preservar sua qualidade, sabor e vitaminas”, José Priante, vice-presidente de vendas para a América Latina da Sidel

Soluções em equipamentos As novidades também aparecem nos equipamentos e soluções. A Krones, por exemplo, fornece a sopradora asséptica conhecida como Contiform AseptBloc (CAB). Neste sistema de bloco, a sopradora tem um design asséptico no qual pode ser realizado o Sterilization Out Place (SOP), que dá segurança para trabalhar produtos de baixa acidez sem risco de contaminação. Além desta tecnologia, a Krones também vem realizando projetos com esterilização por E-beam (radiação elétrica), que gera menor impacto ambiental e maior escopo para eficiência da produção. Esta tecnologia utiliza uma emissão de elétrons controlada para eliminar microrganismos da embalagem de alimentos e bebidas, inclusive em garrafas.

Bebidas lácteas com pedaços de frutas são uma tendência cada vez mais forte em todos os mercados

Já a Sidel dispõe da Versatile Aseptic Combi Predis™, solução adequada para bebidas sensíveis de alta e baixa acidez (como chás, sucos, leite UHT, leite de soja etc.) em garrafas PET de 200 ml a 2 litros. Com ela, é possível ampliar a flexibilidade da produção asséptica para bebidas sem álcool com e sem gás, com ou sem polpas, e com receitas mais naturais sem conservantes.

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