Quem não investir em tecnologia e processos vai ficar pelo caminho

Presente em mais de 1000 pontos de vendas no Estado de São Paulo,
a Cervejaria Madalena investe em tecnologia para garantir ao consumidor
um produto único e sempre com as mesmas características de sabor e qualidade

Carlos Donizete Parra

 

Com sete anos de mercado, a Cervejaria Madalena, localizada em Santo André (SP), segue firme sua rota de crescimento. Num amplo espaço composto por fábrica, tap room e uma área de eventos, onde recebe mais de 1000 pessoas por dia nos finais de semana, a empresa oferece um portfólio composto por 8 estilos de cervejas em embalagens de vidro de 600ml, long neck e latas, além de sazonais e edições limitadas.

Acompanhe a entrevista com o diretor da Madalena, Roberto Leonessa e saiba quais são os planos para manter o ritmo de crescimento da empresa para o futuro.

Quais os principais desafios da cerveja artesanal?

Fabricar um produto padronizado com qualidade, seguindo o perfil exigido pelo consumidor de cervejas. Com essa estratégia definida, a Madalena é uma referência no mercado de cervejas. Estamos crescendo, mas com qualidade, com investimentos em tecnologia, em distribuição e marketing. Grande parte das cervejarias artesanais que nascem não têm qualidade, identidade, por isso não permanecem no mercado. Não é um mercado fácil, não é para amadores.

Tributação também é um desafio?

Sempre. Tributação no Brasil é sempre um problema. Além da alta carga tributária federal, aqui em São Paulo temos que brigar com estados com benefícios fiscais melhores, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros. Além de alta, a tributação é complexa e atrapalha o crescimento das empresas.

A distribuição é um gargalo para a cervejaria artesanal?

Para nós não. Temos frota própria e trabalhamos com uma distribuição customizada.

O brewpub é uma boa estratégia de crescimento para o setor?

É uma boa estratégia, mas precisa de investimento alto. A Madalena está abrindo em junho quatro pontos nos formatos tap room e chope express (delivery). Serão em Santo André, Jundiaí, Santana do Parnaíba e Morumbi.

“Fazer a mesma cerveja, sempre com qualidade e preço baixo é o grande desafio desse mercado”, Roberto Leonessa

Qual a estratégia da Madalena para crescimento nos próximos anos?

Investimento em processos e tecnologia. Só assim conseguiremos crescer e ser competitivos no mercado. Fazer a mesma cerveja, sempre com qualidade e com o menor custo é o grande desafio. Fomos na Brasil Brau para buscar tecnologia e saímos de lá com três novos equipamentos: envasadora de latas, enchedora de barril e lavadora de barril. Todos os equipamentos são automáticos e nos próximos dias já estarão em pleno funcionamento em nossa fábrica.

A lata é uma boa forma para diversificar o portfólio? É possível ter um preço melhor com esse tipo de embalagem?

É o futuro desse mercado. A lata vem para incorporar e aumentar nosso portfólio. Não tem, necessariamente, um custo menor mas oferece vantagens logísticas. Complementa alguns canais que a garrafa e o chope não entram. A lata tem um consumidor próprio, um nicho específico de mercado.

Fale um pouco sobre a escolha do equipamento da Mcpack? Quais características foram decisivas para o negócio?

Já vínhamos trabalhando o mercado de latas. Temos produtos nesse tipo de embalagem e terceirizávamos esse serviço aqui na fábrica. A escolha do equipamento da Mcpack foi em função de custo-benefício. Uma oportunidade de mercado que não podíamos perder. O momento é bom para latas e o equipamento nos dá mais agilidade e flexibilidade.

A Madalena realiza serviços de produção para ciganos?

Já realizamos serviços de produção e envase, mas hoje não temos mais capacidade ociosa para isso. Nossa capacidade de produção é totalmente empregada em produtos próprios.

Quais as perspectivas da Madalena para 2019? Haverá crescimento?

Acreditamos em crescimento, mesmo com o país travado como está. Estamos no caminho certo, realizando investimento em tecnologia, processos e num produto de qualidade, sempre de acordo com as necessidades dos nossos clientes.

“Quem não tiver condições de investir em tecnologia e marketing vai ficar pelo caminho”, Roberto Leonessa

Quem não tiver capacidade para investir fica para trás. Acredito que o setor de cervejas especiais vai passar por uma adequação e algumas empresas continuam, outras ficam pelo caminho.

Quais os próximos lançamentos?

Com a chegada do inverno algumas sazonais vão para o mercado. Mas, sem exageros. Somos uma empresa de cervejas, não somos alquimistas. Lançamos recentemente uma lager light que vem para satisfazer uma solicitação dos nossos consumidores que queriam uma cerveja low carb, com baixo teor alcoólico.

E assim, vamos seguindo. Sempre atendendo nosso consumidor e mantendo nossa identidade, com produtos de qualidade que possam proporcionar uma boa experiência ao consumidor.

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