O futuro das cervejarias

Executivos de várias cervejarias analisam as mudanças comportamentais e como elas impactam o futuro das cervejarias. Eles falam sobre novos modelos de negócios, sustentabilidade, eficiência e outros assuntos fundamentais para a sobrevivência e sucesso das empresas nesse mercado cada vez mais turbulento e marcado por grandes e profundas transformações tecnológicas, sociais, políticas e econômicas

Por Carlos Donizete Parra

Que a velocidade das tecnologias está impulsionando o mundo dos negócios não é novidade para ninguém, mas como acompanhar esse processo e atender as demandas geradas é uma preocupação de todos. Algumas empresas tiveram que mudar seus modelos de negócios para se manterem competitivas no mercado. Caso da americana Best Buy que viu suas vendas despencarem e as ações atingirem níveis baixíssimos beirando a falência. Executivos e especialistas perceberam que os consumidores visitavam as lojas, experimentavam os produtos, mas optavam por comprar da Amazon via e-commerce. A virada aconteceu quando a empresa mudou o modelo de negócios e passou a funcionar como um market place físico de produtos em que a receita vem dos fornecedores de produtos que pagam para a Best Buy pelo espaço e vendem diretamente aos consumidores. Um acordo garante comissão à Best Buy pelas vendas através da Amazon. As ações da empresa subiram e as receitas vão muito bem, obrigado!

A indústria cervejeira, como todas as outras, está no meio desse redemoinho de transformações, rápidas e exponenciais, que exigem agilidade e conhecimento que nem sempre estão ao alcance das pessoas. “O que aprendemos no passado ajuda pouco a resolver os problemas do futuro”, explica Vicente Falconi, em entrevista recente à FRST Falconi. “As inovações sempre existiram, mas hoje estão muito mais aceleradas, por isso, o ser humano se depara cada vez mais com temas desconhecidos. Isso são problemas e por isso são desconhecidos porque senão não seriam problemas”, explica Vicente Falconi.

Os problemas acontecem mais rápido do que as soluções aparecem. As empresas precisam estar preparadas para oferecer soluções rápidas de acordo com as demandas dos clientes. A tecnologia é fundamental para agilizar e resolver tais problemas. Estamos vivendo a quarta revolução industrial, sendo que nos últimos dois anos completamente diferentes passamos por uma incrível transformação digital onde estamos sendo desafiados a entregar produtos e serviços como nunca imaginamos fazer. E o desafio não para!

A transformação digital é uma jornada que envolve processos, tecnologia e pessoas. Principalmente pessoas! Elas são o ativo principal das mudanças. Precisam de treinamento, capacitação e uma nova cultura organizacional que privilegie a experimentação, agregação de valor, propósito, diversidade e transparência. E, para isso, cada empresa tem seu tempo para uma jornada que está só começando!

Nesse processo precisamos compreender muito bem o cliente/consumidor. Sem entender suas reais necessidades não chegaremos a lugar nenhum.

E como olhar lá na frente sem perder o “time” do presente? O futuro parece cada vez mais próximo e é extremamente importante participar ativamente das questões que estão pulsando na sociedade. Para saber que rumo seguir e alinhar algumas estratégias perguntamos a executivos do mercado o que e como fazer? Acompanhe suas opiniões e descubra os melhores caminhos.

QUAL SUA CONCEPÇÃO DE CERVEJARIA DO FUTURO?

Saulo Miguel, Diretor Regional Industrial – Sudeste – Heineken Brasil

Saulo Miguel, Diretor Regional Industrial – Sudeste, Heineken Brasil

A cervejaria do futuro mantém as bases que trouxeram essa indústria milenar ao patamar que conhecemos hoje, primando pela qualidade de seus produtos e sustentabilidade de suas operações.

Essa cervejaria será centrada nas necessidades de clientes e consumidores, relevante na comunidade em que atua, mantendo o cuidado e respeito às pessoas, meio-ambiente e sociedade, gerando um ambiente diverso e inclusivo em todas as suas relações e, obviamente, entregando produtos segundo os anseios de seus clientes no momento exato em que desejarem.

Tal papel só será possível pela aplicação das melhores práticas de gestão, contando com os mais bem capacitados profissionais, atuando em uma cultura onde seus líderes sejam embaixadores de comportamentos, entre eles: celebrar o sucesso dos times, tomar decisões corajosas, pensar no consumidor primeiro e não trabalhar em silos, priorizar o aprendizado / compartilhamento / reaplicação de boas práticas, abertura para inovações e não temer conversas difíceis.

Dentro do contexto de conectividade, ainda, preparar uma cervejaria para combinar potencialidades de ‘colaboradores conectados’ e uma ‘fábrica inteligente’ trará diferencial adicional e melhor adaptará as instalações às necessidades das futuras gerações. Para os hoje conhecidos como ‘nativos digitais’ (aqueles que não conheceram um mundo sem as tecnologias atuais), trabalhar em ambientes não conectados simplesmente não fará sentido. Sabemos que a jornada é longa, mas toda caminhada começa com o primeiro passo. Ao mesmo tempo, precisamos resistir à tentação de implementação de tecnologias por ‘modismos’, mas sim mirando no valor que cada ferramenta ou iniciativa aporta para as pessoas e para o negócio.

Victor Marinho, Sócio e Mestre-cervejeiro
Cervejaria Dádiva

Victor Marinho, Sócio e Mestre-cervejeiro, Cervejaria Dádiva

Acho que a empresa do futuro, mais do que a cervejaria do futuro, tem que ser ambientalmente correta e socialmente inclusiva. Acredito que esses sejam os dois pilares essenciais de uma empresa do futuro.

Além disso, uma empresa precisa apoiar localmente toda a comunidade, estar integrada com o ambiente no qual ela está inserida. Em termos de cervejaria, especificamente, acho importante a gente sempre pensar também nas novas formas de consumo da bebida, produzindo para públicos dos mais variados gostos e preferências, incluindo aqueles que precisam tomar cervejas sem glúten, não podem ou não querem ingerir álcool e, até mesmo, para quem dá preferência para cervejas low carb. Acho que esses são pontos cada vez mais relevantes para o futuro do mercado.

Gustavo Assoni,
Gerente Industrial, Convenção

Gustavo Assoni, Gerente Industrial, Convenção

Minha concepção de cervejaria do futuro está ligada fortemente ao regionalismo, cervejarias locais, uso de ingredientes regionais (por exemplo, lúpulo nacional).

Todo trabalho maravilhoso que está sendo feito no Brasil tem tudo para dar bons frutos. Iniciou com a cevada. Foram anos de estudos e tecnologia e, agora, o lúpulo está no mesmo caminho. O resultado são cervejas de altíssima qualidade e sabores incríveis.

Rodrigo Veronese, Mestre-cervejeiro,
Brewine Leopoldina

Rodrigo Veronese,
Mestre-cervejeiro,
Brewine Leopoldina

A cervejaria do futuro, sobretudo a artesanal, é aquela que tem bastante criatividade, com um raio de vendas geralmente mais próximo de onde está instalada e que traga bastante inovação. Levando em consideração o propósito de uma cervejaria artesanal, elas devem ser criativas, inovadoras e proporcionar ao consumidor uma experiência de aromas e sabores diferente das cervejas tradicionais de grande volume.

Rodrigo Sawamura,
Gerente de Cultura Cervejeira, Estrella Galícia

Rodrigo Sawamura, Gerente de Cultura Cervejeira, Estrella Galícia

A cervejaria do futuro tem que minimizar os gastos energéticos e ampliar a utilização de fontes renováveis na cadeia. Além de reduzir o lixo em todo o circuito cervejeiro (embalagens, insumos etc), precisamos dar atenção à questão da pegada hídrica tomando os devidos cuidados com gastos desnecessários, reaproveitamento da água e o tratamento adequado para que possamos preservar esse recurso tão importante para o planeta.

Outro olhar importante é para as questões sociais, diversidade, inclusão das mulheres nesse universo cervejeiro que ainda é bastante machista e sexista.

 

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