Na onda dos saudáveis

white-strawberry-splashConsumidores buscam produtos que tragam benefícios diretos à saúde e a uma dieta alimentar mais equilibrada. O leite tem tudo para surfar nessa onda

O mercado de leite avançou muito nos últimos anos no Brasil, mas ainda será preciso novos avanços para o país se tornar um grande exportador de leite. O país saiu de uma produção de 7,3 bilhões de litros de leite na década de 70 para atuais 35 bilhões de litros. Apesar do alto custo Brasil as vendas externas do leite brasileiro estão em alta. Este ano, o país enviou ao exterior 50 milhões de litros de leite a mais que importou, conseguindo superávit na balança comercial, situação bem diferente dos anos anteriores. No entanto, questões tecnológicas e científicas precisam ser aceleradas visando o aumento da produtividade e qualidade do produto. Esses fatores são importantes para o crescimento das vendas do setor lácteo no mercado nacional e, principalmente, no mercado internacional. Uma política tributária mais justa sem dúvida elevaria os ganhos das empresas o que permitiria uma sobra de caixa para investimentos em tecnologia e inovação.

O setor lácteo cresceu 14,2% entre janeiro/maio de 2014 comparado ao mesmo período do ano anterior. A balança comercial láctea registrada em junho fechou com déficit financeiro de US$ 19,2 milhões, o maior desde janeiro deste ano. O volume de importações atingiu no mês aproximadamente 9,5 mil toneladas, sendo os leites em pó (integral e desnatado) os principais produtos da pauta importadora, representando cerca de 54% do volume. No acumulado do ano, a balança comercial láctea brasileira acumula saldo negativo de US$ 39,5 milhões.

white_fruits_milk_food_1920x1080_37457No mundo

A produção global de leite deverá alcançar 928 milhões de toneladas (901 bilhões de litros) até 2023, um aumento de 180 milhões de toneladas com relação aos níveis atuais, de acordo com o último relatório de previsões agrícolas produzido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As nações em desenvolvimento serão responsáveis pelo maior crescimento, cerca de 78%, do leite extra produzido. Isso acontece porque esses países possuem os maiores rebanhos leiteiros e estão conseguindo aumento expressivo da produtividade. Mesmo assim, o crescimento anual da produção de lácteos nos países em desenvolvimento ainda será baixo, segundo o Relatório, devendo chegar próximo a 0,8% em média por ano. A União Europeia tem previsão de crescimento baixo, cerca de 0,5% em média por ano na próxima década. Segundo o mesmo relatório divulgado pela OCDE e pela FAO os preços para lácteos deverão se manter firmes nos próximos 10 anos. Isso é baseado em uma previsão de que o crescimento da demanda nos países em desenvolvimento ultrapassará o crescimento da produção.

As projeções da FAO e OCDE indicam aumento de aproximadamente 1.9% ao ano da demanda por produtos lácteos suportados por um crescimento de suas economias, enquanto que nos países desenvolvidos esse crescimento também acontecerá só que de maneira mais tímida.

O Brasil teve um dos mais expressivos crescimentos no mercado de lácteos na última década entre todos os países do mundo. De 2000 a 2013 nosso mercado aumentou em volume nada menos do que 62%. Mesmo assim, o setor apresentou dificuldades, principalmente devido a aumentos significativos de custos operacionais, ocasionando redução das margens de lucro.

A eficiência operacional é, sem dúvida, premissa básica para o crescimento das empresas, além de um olhar mais atento ao consumidor para buscar caminhos que possam aumentar o consumo de lácteos no mercado interno. A busca da sociedade por produtos saudáveis e por uma dieta mais equilibrada são driveres importantes para o setor.

Os produtos lácteos devem ser associados a essa dieta saudável e cada vez mais os fabricantes terão que mostrar esses benefícios através de comprovações científicas alinhando essas características às demandas e desejos dos consumidores atuais.

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