Muito mais que sabor

Merecer a escolha do consumidor vai
muito além do sabor. É decisivo para empresas o investimento em inovação, criatividade, tecnologia e a aproximação
das marcas com o consumidor.
O sarrafo está mais alto como se diz
no jargão esportivo. Quem quer um
lugar nesse mercado precisa
acompanhar as tendências e responder
prontamente às demandas

 

Carlos Donizete Parra

 

A pandemia continua refletindo e transformando comportamentos e hábitos das pessoas em vários setores da sociedade, como na indústria e varejo, por exemplo. Todos os setores precisam se adaptar com rapidez oferecendo produtos de acordo com as novas demandas.

Hoje somos mais digitais e o consumo em casa aumentou porque boa parte da população ainda continua trabalhando em home office. As pessoas gostaram desse novo formato de trabalho. Traz mais liberdade, flexibilidade, autonomia, entre outros benefícios. Isso não significa o adeus aos escritórios e fábricas. Essa volta também está acontecendo gradativamente e de forma diferenciada de acordo com as necessidades e planos de futuro de cada empresa. O modelo hibrido deve ser o escolhido, mas também está sendo testado tanto por empresas como por colaboradores.

A velocidade é outra grande mudança! O ritmo é outro, nada é definitivo e, por isso, as mudanças ocorrem com maior frequência e rapidez.

Consumidores não aceitam mais lentidão em lançamentos, novidades, informações e novas experiências. Entregas que antes eram feitas em dias, agora são realizadas em horas.

A Ambev já está testando drones para agilizar a entrega de pedidos.

Por sinal, essa é uma grande mudança: a Ambev!

A empresa teve um crescimento de receita de 36% no segundo trimestre passando dos 15 bilhões de reais, mesmo em um ano marcado pela pandemia e restrições de circulação e de funcionamento do comércio. Boa parte desse resultado está sendo puxado por inovação e tecnologia! Há vários anos, a Ambev vem investindo pesado em startups dentro e fora da companhia, sejam elas próprias ou não. O Zé Delivery é o caso mais famoso e que vem contribuindo bastante para esse aumento de vendas. Só no primeiro trimestre do ano, o aplicativo de entregas atendeu 14 milhões de pedidos – mais da metade de todo o volume feito em 2020.

Outro destaque da Companhia nessa área de tecnologia é o BEES, super aplicativo desenvolvido para simplificar e auxiliar o micro, pequeno e médio varejista nas suas compras. A tecnologia já atende mais de 65% da base de clientes ativos da Ambev no Brasil. Outra startup que vem ganhando destaque é a Z-Tech, braço de tecnologia focado em pequenos e médios negócios.

Uma das realizações desse hub de tecnologia da Ambev, foi a integração da Menu.com, uma startup de marketplace fundada em 2016 e acelerada, desde 2019, pela Z-Tech, Em dois anos junto com a Z-Tech, a Menu.com viu sua receita crescer 65 vezes e foi reconhecida como a melhor startup do Brasil, segundo ranking anual do LinkedIn em 2020.

Outros vários negócios foram criados e comprados nesses últimos tempos pela Ambev, tendo a ZX Ventures como capitaneadora dessas ações. Como a parceria com a cervejaria Hocus Pocus, uma pequena micro cervejaria artesanal, que nasceu cigana lá no Rio de Janeiro em 2014. Seguem esse mesmo modelo as parcerias feitas com a Pratinha e a Lohn Bier, em 2019 e 2020, respectivamente. A iniciativa visa alimentar o processo de inovação e criatividade dentro dos portões da empresa. A ZX trabalha na descoberta de novas oportunidades e na incorporação desses negócios à gigante cervejeira, numa escala de risco bem inferior ao tamanho da matriz. Grande benefício nesses negócios é o acúmulo de conhecimento, experiência, diversidade que podem ser escalados e transformados em produtos, serviços e negócios promissores e muito rentáveis para o futuro da Companhia.

Cervejas especiais

No mercado cervejeiro, as cervejas especiais representam papel importante para o crescimento das vendas em volume e, principalmente em valor. Também são parte significante no processo de aproximação do consumidor final às marcas. Dentro dessa estratégia, a diferenciação ganha espaço e cada vez mais importância na decisão de compra do consumidor.

O Brasil é o terceiro maior consumidor de cerveja no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos e, segundo estudo divulgado pela plataforma CupomValido.com.br, o principal fator para escolha de uma marca é o sabor. O preço e o tipo da cerveja, também são considerados, porém em segunda e terceira posição, respectivamente. A embalagem de preferência com 47% das opções dos entrevistados é a garrafa de vidro, aparecendo a lata como a segunda opção, com 39% da preferência.

Um dos motivos de ter o sabor como principal fator de escolha da cerveja é, sem dúvida, o crescimento das cervejas artesanais em todo o mundo. Elas são fonte inesgotável de inovação, criatividade e empreendedorismo. Apesar dos impactos da pandemia, ainda tivemos um crescimento de 14,4% em cervejarias abertas, movimento menor que o registrado em anos anteriores, mas considerado satisfatório em virtude da situação econômica e de crise de saúde. Segundo o MAPA, em 2020, o país chegou a 1383 cervejarias registradas, tendo São Paulo como o estado com mais cervejarias, com 285 estabelecimentos, alta de 18,2% em relação a 2019. Entre os municípios, o destaque em 2020 ficou para Ribeirão Preto (+50%) e São Paulo (+44%). O número de municípios com cervejarias chegou a 609, com crescimento de 5% em 2020. A tendência de concentração de cervejarias nas regiões Sul e Sudeste se manteve em 2020, com 85,6% dos estabelecimentos registrados nessas regiões.

Boa notícia também é que todos os estados estão contemplados com pelo menos uma cervejaria, sendo o Acre o último estado a completar essa relação com a instalação da primeira cervejaria.

 

 

 

Desafios

Apesar dos desafios causados pela pandemia, quem sobreviveu deve surfar uma onda de crescimento nos próximos meses. Para isso alguns caminhos são apontados como importantes para o futuro:

• Utilização mais forte do e commerce;
• Sustentabilidade como parte do negócio;
• Aumento do portfólio de cervejas com baixo ABV e outras bebidas;
• Embalagens menores;
• Uso de latas e outras embalagens alternativas;
• Preços mais baixos no varejo;
• Sabor é um grande diferencial;
• Novos estilos no portfólio;
• Investimento em gestão, otimização de custos, melhoria de processos, tecnologia e capacitação;
• Fortalecimento das vendas locais e personalização;
• Criar experiência para o cliente. No caso do atendimento, 50% das pessoas vão embora quando têm uma experiência ruim. E 75% dos clientes consideram sua experiência ao fazerem uma compra.

Inovação

Blondine inova no processo
de produção de cerveja sem álcool

A inovação faz parte do cotidiano das cervejarias artesanais, seja em processos, receitas, gestão ou em outras áreas que tragam algum diferencial para seus produtos no mercado.

As cervejas sem álcool e com baixo teor alcoólico estão em alta no mercado mundial e representam uma oportunidade de negócio. Essa categoria vem crescendo cerca de 20% no mundo nos últimos cinco anos. No Brasil, o interesse também é aumenta merecendo a atenção das indústrias quanto aos métodos e processos de fabricação.

Pode-se utilizar o processo físico ou biológico para retirada do álcool da cerveja. A desalcoolizacão é um processo que requer altos investimentos em equipamentos e tecnologias de processo, portanto, significa uma barreira de entrada para pequenos fabricantes.

Já o processo biológico requer investimentos menores em equipamentos, exigindo um trabalho minucioso de pesquisa de seleção e desenvolvimento de leveduras. A possibilidade da entrada de fabricantes menores aumenta consideravelmente com a adoção desse processo.

A Blondine, cervejaria artesanal, fundada em 2010, é um desses casos de empresas que vivem inquietantemente em busca de novos produtos e negócios. Com esse mind set, a empresa mergulhou há 2 anos na pesquisa de um processo para produção em escala reduzida de uma cerveja 0.0% álcool.

 

Ciente dos altos investimentos que requer o processo tradicional de desalcoolização, a empresa investiu cerca de R$ 120 mil na busca de um método que fosse mais adequado ao seu modelo de negócio. O resultado já está no mercado em duas versões: Blondine 0.0% Session IPA e a 0.0% Session IPA com Maracujá. Com o lançamento a companhia acredita que deve atingir diferentes públicos ” são pessoas maiores de 18 anos que estão em momentos específicos da vida que exigem a retirada do álcool, como treinos de esporte, dietas restritivas, tratamentos médicos, grávidas, lactantes, motoristas, profissionais em reunião, grupos de estudo e outras muitas ocasiões que levam a uma vida de cerveja sem álcool”, afirma Aloisio Xerfan, fundador da Blondine. Com esta inovação, a Blondine dá mais um passo para ampliação de portfólio da marca.

“A cerveja 0,0% foi apenas o primeiro passo para uma linha de cervejas inovadoras que iremos lançar. Começamos pelo que parecia impossível, criar uma cerveja 0,0% e na sequência teremos novidades no portfólio”, complementa Aloisio.

Skol é a quinta cerveja mais vendida do mundo com 2,1% de participação no mercado

Marcas mais vendidas no país

Figurar entre as marcas mais vendidas do mundo é o sonho de qualquer cerveja, mas a tarefa é árdua.

Segundo a plataforma CupomValido.com.br que compilou dados de pesquisas da Credit Suisse, Euromonitor e Statista, o brasileiro consome em média seis litros de cerveja por mês. E o gasto médio por semana foi de R$46. No mês totaliza R$184, o que representa 16% do custo do salário mínimo nacional. Além disso, 9% dos pesquisados gastam acima de R$101 por semana.

Skol é a cerveja mais vendida no Brasil, seguida pela Brahma e Antarctica, respectivamente. As três marcas mais vendidas são da Ambev. Na quarta posição fica a Schin, e a Itaipava em quinta posição. Heineken também está entre as mais preferidas, porém segundo avaliação do Credit Suisse, a diferença entre as cervejas preferidas e mais consumidas, pode ser explicada por falta de estoque e preços elevados, dois problemas recentemente citados pelos donos de bares.

A China é o país que mais consome cerveja, com 27% do consumo mundial. Os Estados Unidos ficam em segundo, com 13%. E o Brasil está na terceira posição, com 7% do consumo mundial.

A cerveja mais vendida no mundo é a Snow com 5,5% de participação de mercado. A segunda é a Tsingtao, ambas da China. Bud Light e Budweiser, ambas dos Estados Unidos, ficam na terceira e quarta posição. Na quinta posição aparece a Skol, com 2,1% de participação de mercado.

 

 

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