Bola da vez

Bebidas diversasAs bebidas não alcoólicas despontam como a bola da vez na cesta de bebidas. É preciso entender o consumidor e inovar constantemente

Por Carlos Donizete Parra

Em uma volta pelas gôndolas dos supermercados podemos constatar a variedade de bebidas disponíveis.
Tem de tudo e para todos os gostos e necessidades. Mas, o consumidor ainda quer muito mais. Ainda bem!
A indústria de bebidas não alcoólicas ampliou muito o portfólio de produtos na última década, principalmente de uns cinco anos para cá.
Os consumidores podem escolher se querem bebida com menos caloria, com sabor mais exótico, que ajude no funcionamento do intestino, que contribua para a saúde dos ossos, entre outros benefícios.
Além disso tudo, é lógico, as bebidas não alcoólicas continuam tendo como principal função a de matar a sede e dar um refresco nestes dias de calorão intenso.
O mercado global de bebidas não alcoólicas, segundo o Datamonitor, movimenta cerca de 500 bilhões de dólares, sendo que a Europa representa quase 40% desse valor. A China apresentou um alto crescimento nos últimos anos, e os Estados Unidos sempre aparecem como grande consumidor dessas bebidas.
Fatores como aumento da população e urbanização influenciam diretamente no crescimento do consumo e, desta forma, é possível entender a expansão das bebidas não alcoólicas no mercado chinês. O processo de urbanização na China começou em 1995 e, desde então a população nas cidades criaram necessidades diferentes e novas oportunidades em âmbito mundial.

Soft drinksNo Brasil

O setor de bebidas não alcoólicas no Brasil é liderado pelos refrigerantes e deve permanecer assim por muito tempo, no entanto, outras bebidas como água mineral, sucos e energéticos cresceram a taxas bem maiores que os refrigerantes na última década e as previsões apontam para manutenção desse crescimento.
O aumento de renda das classes C e D nos últimos anos propiciou a entrada desses consumidores nesse mercado. Essa classe média emergente tem renda entre R$ 12 mil e R$ 53 mil por ano. Um aumento de quase 25% em cinco anos. Esse fator fez com que as empresas de bebidas voltassem sua atenção para esse público aumentando o desenvolvimento e lançamento de novos produtos direcionados a essa faixa da população.
As tendências de longo prazo mostram um consumidor nada fiel às marcas, melhor informado e mais preocupado com a saúde e com as questões ligadas a sustentabilidade do planeta. O envelhecimento da população e a redução do número de crianças entre os brasileiros também interferem diretamente nas estratégias das empresas no longo prazo. Segundo o estudo Brasil Food Trends, em 2020 o número de crianças e adolescentes será reduzido em 10 milhões, e a participação no total da população cairá de 45% para 36%. Haverá 22 milhões mais adultos, consequentemente uma quantidade maior de brasileiros na chamada terceira idade.
Entre as principais tendências destacadas pelo estudo Brasil Food Trends 2020 estão:

1 – Sensorialidade e prazer;

2 – Saudabilidade e bem-estar,

3 – Conveniência e praticidade;

4 – Confiabilidade e qualidade;

5 – Sustentabilidade e ética.

O ritmo de vida acelerado e os jovens cada vez mais plugados devem abrir espaço ainda mais para os produtos on the go e para o crescimento ainda maior do food service. As embalagens para consumo, “em movimento”, devem ganhar mais adeptos, transformando-se num importante nicho de mercado para as indústrias de bebidas. Com as pessoas mais tempo fora de casa, aumentam as opções de embalagens e de canais de distribuição.
O Brasil nos últimos meses viu crescer a quantidade de food trucks e depois a entrada de food bikes mostrando que há espaço para a venda de alimentos e bebidas em vários pontos das cidades que ainda não estavam sendo explorados.O consumidor não tem tempo a perder e quer consumir o produto onde estiver e o mais rápido possível. Satisfazer essa necessidade e aproveitar essa oportunidade é o desafio das empresas, mas para isso é preciso investimento em desenvolvimento de produto e logística adequados.

0003336419G-565x849As águas minerais

O setor de águas minerais vem experimentando, nos últimos anos, um forte crescimento de consumo embalado pelo desejo do consumidor em ingerir bebidas mais saudáveis.
Respondendo a essa demanda as indústrias lançaram novos produtos e novas opções de embalagens. Muito comum as pessoas hoje em dia andarem com suas garrafinhas de água mineral para todos os lados, cena rara de se ver há alguns anos. Para isso é preciso embalagens com “pega” adequada, bem como formatos diferenciados e design atrativo.
As águas aromatizadas, com forte mercado na Argentina, estão apenas engatinhando no Brasil. Os garrafões continuam sendo os responsáveis pelo aumento no consumo de água mineral no país. A crise hídrica também deve aumentar a participação, popularizando ainda mais a água mineral por aqui.
Boa notícia foi a decisão do Governo de São Paulo de reduzir os impostos sobre os galões de água mineral. A medida anunciada em 2 de fevereiro passado diminui de 18% para 7% o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre embalagens retornáveis de 10 e 20 litros.Com a medida , a expectativa é que os preços fiquem menores para o consumidor final.
São Paulo segue reivindicação antiga dos engarrafadores de água mineral, já atendida pelos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais.
A agregação de valor também parece ser uma tendência em alta neste segmento e para os próximos meses deveremos ter lançamentos nessa linha, principalmente com embalagens em formatos e materiais diferenciados.

caféCafé

O Brasil é o principal produtor e o segundo maior mercado global de café. Por aqui, a iguaria é uma das grandes paixões nacionais. Seja de manhã ou entre uma reunião e outra, para aliviar a tensão do dia-a-dia, o café acompanha milhares de brasileiros.
Segundo a ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café – o país tem cerca de 3.500 cafeterias, que juntas escoaram parte das 20,33 milhões de sacas consumidas pela população entre novembro de 2013 e outubro de 2014. Ou seja, cada brasileiro consome ao ano 81 litros de café ou 4.89 kg de café torrado. E mesmo com o consumo da bebida dentro do lar aparecendo em primeiro nas pesquisas e o baixo desempenho da economia brasileira, as cafeterias comemoram crescimento e investem em produtos diferenciados para fidelizar seus clientes.
Para os fabricantes de bebidas que buscam novos produtos e estão dispostos a inovar esse pode ser um grande mercado a explorar. As cafeterias são um excelente canal de distribuição já consolidado e com possibilidades para lançamento de novos produtos. As bebidas geladas a base de café ainda representam uma parcela muito pequena desse mercado. Inovações em sabor, assim como em embalagens diferenciadas e novos conceitos de bebidas ainda são pouco exploradas por esse setor.

1080x1920Crescendo sempre acima dos dois dígitos

Seguindo uma tendência mundial, o Brasil avança no consumo de bebidas saudáveis e o suco de frutas é um dos destaques.
Com crescimento acima de dois dígitos há mais de cinco anos, o produto já se encontra num patamar bem diferente do que na década passada.
Os consumidores brasileiros que emergiram das classes com menor renda foram apresentados ao suco pronto para beber (PPB) e gostaram, tornando-se mais um público em potencial para o produto. Mas, o suco PPB tem nos amantes dos produtos saudáveis seus maiores defensores. E hoje, em sã consciência, quem não faz parte desse grupo?
A população brasileira quer viver mais e melhor e os sucos levantaram muito bem essa bandeira. Atualmente, no Brasil, os sucos já estão na fase das super frutas, ou dos sucos 100%. Não interessa como as empresas preferem chamar o que vale é que esses sucos já possuem uma porcentagem maior de fruta em sua composição e, por isso, aumenta o apelo da saudabilidade.
Por lei, em vigor desde 31 de janeiro deste ano, os produtores devem aumentar a porcentagem de fruta nos néctares de laranja e uva, passando de 30% para 40%, chegando em 50% a partir de 31 de janeiro de 2016.
Com faturamento de mais de 2 bilhões de reais por ano, o mercado de sucos prontos para beber tende a aumentar cada vez mais seu portfólio colocando à disposição do consumidor maior variedade de sabores e embalagens. Praticidade é um driver importante nesse segmento, assim como inovação. Os produtos adicionados de ingredientes funcionais também agradam cada vez mais o consumidor que busca opções diferenciadas como adição de fibras, ômega 3, cálcio, vitaminas, enfim bebidas que contribuam para melhorar a qualidade de vida e que representem algum benefício ao exigente consumidor.

Leite-de-CocoBebidas vegetais

As bebidas vegetais, uma alternativa aos produtos lácteos, estão entre os itens que mais crescem no segmento de não alcoólicos. A demanda por bebidas a base de soja, castanhas, grãos, sementes e outros cereais cresce em todas regiões do globo. Seja por adesão aos produtos saudáveis ou por intolerância à lactose, o certo é que cada vez mais consumidores são atraídos pelos produtos fabricados com vegetais. Também cresce a demanda por bebidas à base de proteínas vegetais provenientes do coco, por exemplo.
A análise dos ingredientes é tão importante quanto o conhecimento de sua proveniência, cultivo e processamento. As alternativas de bebidas vegetais são naturalmente livres de lactose e normalmente são consideradas bebidas de baixo colesterol e gordura, oferecendo o mesmo conteúdo de proteínas, minerais e vitaminas.Além disso, estas alternativas vegetais costumam ser de digestão mais fácil que os lácteos.
Como explica Matthias Krusche, gerente Global de Segmento de Mercado da SIG Combibloc, fornecedora mundial de embalagens cartonadas, cada vez mais consumidores têm reações a determinados alimentos e prestam mais atenção ao que comem. “Mais de um terço de todos os consumidores evitam alguns produtos devido a alergias e intolerâncias. Para muitos consumidores que evitam os de origem animal, a soja já não precisa mais ser a única opção. O leite de amêndoas, por exemplo, é um dos produtos com crescimento mais dinâmico. Também crescem em popularidade os produtos à base de coco, arroz e aveia.”
A tendência de consumir bebidas vegetais tem sua raiz na Ásia, onde as vacas são consideradas sagradas. Assim, o número de pessoas com intolerância à lactose é bem mais alto que nos países ocidentais. A produção e o consumo de substitutos lácteos são mais altos nesta região; mas o ocidente começa a aderir a esta tendência. Segundo Krusche, há alguns anos, vários países lançam alternativas vegetais aos lácteos. “Já os vemos nas prateleiras dos EUA, Brasil, África do Sul e países europeus como Reino Unido, Bélgica e Espanha. Pesquisas conduzidas em diversos mercados sugerem que, até 2018, o crescimento mundial destes produtos vegetais excederá 15% ao ano.”

bebidas-vegetais-swimexSem lactose, pouca gordura

As bebidas à base de soja continuam alternativas bastante populares, embora não sejam as que mais crescem. Para fazer lei te de soja, os feijões da soja são colhidos, prensados e lavados com água quente. O leite de soja tem um alto teor de proteínas e vitaminas em comparação ao leite de vaca. Por exemplo, 100 ml de leite de soja contém cerca de 3 gramas de proteína, contra 3,2 gramas do leite de vaca. Mas ele é um leite com bem menos gordura e menos calorias, além de livre de colesterol e glúten.
O leite de amêndoas é o que mais cresce globalmente. Para fazê-lo, é preciso torrar as amêndoas, moê-las e misturá-las com água. Este leite tem baixo teor de gordura e açúcar e poucas calorias – cerca de 20 a cada 100ml. O nível de proteínas é de 0,5 grama por 100 ml; e ele também é livre de colesterol e glúten.
Outro item com grande potencial é o leite de coco. Dependendo do fabricante, ele pode ter mais de 2 gramas de proteínas por cada 100 ml. Estes produtos também são livres de colesterol e têm pouco açúcar e gordura, por isso são bem aceitos pelos consumidores – além de sua agradável textura cremosa.
As alternativas feitas a partir de grãos e sementes como arroz, aveia e quinoa são similares ao leite de vaca, mas têm menos proteínas e mais carboidratos e fibras. Estas bebidas também não têm lactose e têm baixo teor de gordura. As bebidas de arroz são populares por sua cremosidade, embora tenham o maior índice de açúcar entre as bebidas vegetais. Para fazer o leite, o arroz é moído, cozido em água e amassado. Depois de filtrado, adiciona-se óleo de girassol, que funciona como emulsificante e refina seu sabor. O arroz em si não tem gordura e o teor de proteína é de 0,1 grama por 100 ml, bem baixo comparado a outras alternativas vegetais.
Para fazer bebidas à base de aveia, cuja popularidade tem crescido entre os consumidores, a aveia é moída, acrescida de água e fervida. O líquido é fermentado por várias horas e depois filtrado. Neste caso, a filtragem também é emulsificada com óleo de girassol, que garante a cor característica do leite. A bebida garante cerca de 1%de proteína por 100 ml e uma quantidade equivalente de betaglucano, substância que ajuda a manter o nível de colesterol baixo no corpo humano.

receita-iogurte-caseiroLácteos

O consumo global de lácteos deve crescer 36% até 2024, segundo o estudo Dairy Index divulgado pela Tetra Pak. O estudo destaca as oportunidades e desafios impostos pela crescente demanda global por lácteos, especialmente na próxima década, quando o consumo deve ultrapassar a oferta disponível, pela primeira vez na história. O levantamento aponta que, tanto em mercados lácteos emergentes quanto nos desenvolvidos, os produtores precisam entender o equilíbrio para garantir o sucesso sustentável dos negócios.
Entre os motivos para esse crescimento estão, principalmente, o aumento da população, do maior poder aquisitivo e da urbanização na África, na Ásia e na América Latina. No entanto, a oferta e a demanda de leite estão desequilibradas em todo o mundo. A crescente demanda por lácteos em mercados emergentes dificilmente será suprida pelo leite cru produzido localmente, enquanto nos mercados desenvolvidos o excedente de leite produzido enfrenta os desafios de competir no mercado externo, além da queda no consumo interno.
No Brasil, os lançamentos de produtos com maior valor agregado que oferecem novas experiências de consumo aos consumidores ganham força. O iogurte grego já conquistou um importante mercado, assim como as versões de achocolatados com maior tempo de prateleira devido ao processo de produção e envase em ambiente asséptico. A Nestlé foi a precursora no lançamento desse produto no Brasil com a linha Fast e agora o Todynho entra na briga por esse nicho de mercado. Outra novidade interessante nesse mercado foi o lançamento recente do Dan’up para jovens em copo de 300 ml. Uma opção diferente que deve conquistar a atenção desse público que está em constante movimento e não para nem para se alimentar.
Um setor que não poderia ser diferente. Tem que inovar e está fazendo isso com maestria.

Protagonista na berlinda

Principal produto da cesta de bebidas não alcoólicas, os refrigerantes buscam um caminho para permanecer no mercado.
Reposicionamento parece uma palavra de ordem nesse setor que vive uma estagnação há vários anos. Em 2013 caiu 3,5% e em 2014 mostrou sinais de que não está tudo perdido e subiu cerca de 1 ponto percentual.
De qualquer forma, a situação é desafiadora como diriam os gurus americanos. Investir em pesquisa, desenvolvimento de produtos e inovação, muita inovação é essencial para esse setor.
As grandes empresas fazem isso e mesmo assim 2014 foi um ano de queda nas vendas no Brasil para a Coca-Cola, líder no setor. E como ficam as empresas regionais e de pequeno porte com pouquíssima capacidade de investimento?
As mudanças na tributação talvez ajudem essas empresas a aumentar a rentabilidade e, investir em novos produtos.
Lá fora os refrigerantes verdes da Coca-Cola e Pepsi parece que vão conquistar um espaço no mercado. Mesmo assim, o foco dessas empresas parece que está voltado para outras bebidas como suco, isotônicos, água mineral e outras bebidas não alcoólicas. Uma sábia estratégia, afinal viver uma vida mais saudável deixou de ser uma tendência para se tornar um hábito dos dias atuais e quem atender essa necessidade sai na frente no mercado de bebidas.
Encontrar um refrigerante mais saudável que se adapte a essa nova realidade do mercado é a palavra de ordem para o setor. O consumidor adora o refrigerante e não quer deixar de consumí-lo. Acredito no poder do conhecimento e da inovação e, em breve, deveremos ter boas novidades nesse sentido.

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