Reinventar a empresa focando nas necessidades e problemas dos consumidores e não nas soluções que acreditamos serem mais importantes é um começo para colocar os negócios nos trilhosNinguém, por mais estrategista que seja poderia imaginar as mudanças e situações que viveríamos em 2020.
Estamos todos aprendendo com essas lições e, por isso, muitos contextos ganham diferentes significados. Temos que ficar próximos dos clientes e ter o entendimento sobre o que está acontecendo no mundo, em nosso país, estado, na vizinhança e ao nosso redor. Só assim é possível oferecer soluções adequadas. Uma regra de ouro: seja humano. Construa marcas que tenham personalidade. E personalidade não se copia, cada um tem a sua.
Pensar o futuro da indústria de bebidas é uma necessidade primordial nesse momento de mudanças tão intensas.
As indústrias estão se adequando a uma nova situação, estabelecida no pós-pandemia. Para algumas o desafio é conviver por mais algum tempo com a baixa demanda e reposicionar os negócios de acordo com as necessidades que foram desenvolvidas nesse período.
O turismo é um exemplo de como alguns serviços terão que se adaptar aos novos comportamentos que permanecerão por mais algum tempo, quem sabe até a aplicação das vacinas, ou quem sabe podem se incorporar aos novos hábitos das pessoas.

Seja humano e construa marcas que tenham personalidade
Os bares e restaurantes também estão se adequando aos novos hábitos e questões relacionadas à segurança.
Porém, para surpresa de boa parte das empresas no Brasil, a alta demanda está sendo o desafio do momento. Um desafio bom, mas que também precisa ser resolvido. Na indústria de bebidas isso vem acontecendo com vários produtos, como vinho, cerveja, refrigerantes e outros. Muita gente ainda continua trabalhando de casa, mas as fábricas operam em ritmo bem acelerado. O home office veio para ficar e a descentralização de processos, funções e atividades terá que ser implantada e apreendida por todos nós. As fábricas, por sua vez, necessitarão ainda mais da famosa transformação digital e de todos os recursos para funcionarem cada vez mais com eficiência e níveis altíssimos de produtividade e assertividade. Com as mudanças em hábitos e estilos de vida, o consumo pode não ser como antes e, por isso, é preciso reconstruí-lo de acordo com as novas demandas.
É hora de ver o que funciona, o que não funciona e se adaptar. Tem que se reinventar e tirar vantagens sobre o que está acontecendo. Continuar sendo relevante para os consumidores. Se adaptar não só nos produtos oferecidos mas também nas novas plataformas de vendas disponíveis no mercado.
A volatilidade, ambigüidade e complexidade já fazem parte do cotidiano das empresas e isso gera a incerteza, que teremos que gerenciar muito bem daqui para frente, sempre. É a famosa VUCA, termo descoberto pelos americanos lá na década de 90 e que foi tão bem incorporado aos tempos atuais. A partir de todas essas mudanças, as pessoas terão que ter capacidade para construir um novo futuro.

Entender os movimentos e acompanhar as transformações exigidas pelos consumidores são pontos de partida para se manter competitivo nesse mercado cada vez mais agitado
Entre as tendências e hábitos que vieram para ficar no pós-pandemia, a digitalização é a mais expressiva. Pode ser vista em praticamente todas as regiões e camadas sociais. Mas, ainda existem muitas possibilidades a serem exploradas, principalmente, nas vendas online. Pesquisa da FecomercioSP mostra, por exemplo, que 53% dos consumidores entre 18 e 35 anos compraram mais pela internet durante a pandemia – esse número é de 40% entre os acima de 35, sugerindo maior penetração entre os mais jovens.
Como tendem a ser mais naturalizados com meios digitais, 64% dos entrevistados entre 18 e 35 anos afirmaram que a prática de pedir comida delivery se tornou mais frequente na pandemia (49% entre os acima de 35), enquanto 50% dos mais jovens embarcaram em alguma formação a distância (26% na outra faixa etária) no período.
Já levando em conta o recorte de renda, a faixa que vai de um até cinco salários mínimos demonstra ser a mais ansiosa para voltar às compras. Há, contudo, planos distintos para cada faixa de renda: pessoas do estrato de renda mais baixo (até um salário mínimo) pretendem ir atrás de roupas e calçados quando o isolamento acabar (57%), ao passo que aquelas que estão na faixa entre um e dois salários mínimos dizem querer adquirir mais eletrodomésticos e/ou eletrônicos (48%). Os mais abastados (acima de dez salários mínimos), por sua vez, esperam poder voltar a viajar (45%).
A expectativa é que a utilização das tecnologias digitais seja cada vez maior entre as empresas e pessoas. No meio corporativo, as empresas terão que oferecer experiências digitais para seus colaboradores e, principalmente, para os clientes como premissa para um relacionamento duradouro. Estamos vivenciando o relacionamento direto entre a indústria e seus consumidores, eliminando intermediários. Isso tende a crescer e se fortalecer, criando vínculos positivos para ambas as partes. A aceleração digital também exige das empresas operações mais robustas, entregas mais rápidas de sku’s específicos e linhas de produção flexíveis. É a complexidade e incerteza mudando completamente os planejamentos de produção.

Essa quebra da cadeia de produção com interrupções
no fornecimento de insumos deve atingir o mercado
pelo menos até março de 2021
Quem se adaptou e aproveitou muito rápido das mudanças do mercado no Brasil foram as vinícolas. Elas entenderam a situação provocada pela pandemia e ofereceram ao consumidor o que eles queriam, ou seja focaram no problema e não na solução. A baixa dependência em relação aos bares e restaurantes facilitou a chegada dos produtos através de uma parceria de distribuição já construída com os supermercados. A digitalização também é um aspecto facilitador e muito bem aproveitado pelos vendedores de vinho, seja já por uma estrutura de entrega estabelecida e até mesmo pelo valor agregado dos vinhos que possibilita as vendas pelo e-commerce. O câmbio gerou mais competitividade e equidade de condições com os vinhos importados.
Com isso, a bebida foi uma das que obteve maior crescimento nesse período de restrições. Nunca se bebeu tanto vinho como nesse período.

Bares e restaurantes estão reabrindo e se adequando
aos novos hábitos e exigências dos consumidores
Com bares e restaurantes fechados, o consumidor encontrou no vinho um acompanhante ideal para seus momentos de prazer, como um jantar especial ou aquela pausa para descontração. Dados da Ideal Consulting mostram que a comercialização mensal da bebida em julho deste ano alcançou 63,4 milhões de litros – três vezes mais que o mês de março, com 21,3 milhões. De janeiro a agosto, foram 313,3 milhões de litros, 37% mais que no mesmo período do ano passado.
Além da pandemia, outro fator que explica esse avanço do setor vinícola no Brasil é a alta do dólar, dificultando a entrada de produtos importados no país. Os vinhos finos representam cerca de 6% do mercado de vinhos brasileiro, e são esses produtos que concorrem diretamente com os vinhos vindos, principalmente de países, como, Chile, Argentina, Portugal, Itália e outros. O aumento expressivo do câmbio nos últimos meses dificultou a vida dos importados, reduzindo a participação desses vinhos de 32% para 27% do mercado nacional, entre os meses de janeiro a agosto deste ano. O brasileiro ainda não confia totalmente nos vinhos nacionais, mas esse avanço pode sedimentar uma base mais elevada para um crescimento sustentável do setor. O consumo que por muitos anos ficou estagnado em 2 litros per capta/ano deve chegar aos 2,8 litros o que seria um recorde para o setor de vinhos finos no país. Na contramão, a produção global de vinhos terá uma queda em 2020 em relação a 2019. A crise joga a produção de vinhos para níveis abaixo da produção de 2018. A Organização Internacional de Vinhos (OIV) projeta algo em torno de 258 milhões de hectolitros para este ano.
Essa arrancada do setor impulsionou a realização do primeiro IPO de vinhos no Brasil. A Wine, empresa capixaba que nasceu como e-commerce de vinhos, possui mais de 178 mil associados, além de operações de lojas físicas, tem expectativas de levantar R$ 1 bilhão com o IPO. O dinheiro captado poderá ser utilizado para ampliação das operações, além de investimentos em distribuição, marketing, tecnologia e na compra de concorrentes e empresas que possam contribuir para alavancagem da empresa no mercado.
Atenta aos novos hábitos e direcionamentos do mercado, a Ponto Nero, empresa de espumantes do Grupo Famiglia Valduga desenvolveu Becas, marca de vinhos frisantes em lata para atender, principalmente, a uma demanda do público jovem, antenado a novos processos responsáveis de consumo e que não abre mão da qualidade. Cada dose de Becas traz a reconhecida expertise do grupo na produção de vinhos e espumantes e, também, um olhar cuidadoso para o meio ambiente.

Becas se posiciona como um produto sustentável que combina com a nova geração de consumidores que procuram produtos e marcas com propósito
Em três variações, Joy Blanc, Fun Rosé e Sweet Moscato, a embalagem alternativa permite uma degustação em doses únicas de 269 ml, transformando-se em uma opção econômica para o público e torna a experiência mais democrática e versátil.
“O mundo mudou e o consumo de vinhos encontrou novos caminhos. Becas é um produto pensado para uma degustação leve, simples e direto ao ponto e se torna a escolha ideal para reuniões entre amigos e festas informais. O formato é compacto e fácil de armazenar, prático para atingir a temperatura ideal e as doses individuais possibilitam experimentar diversos estilos. Com certeza, há uma versão de Becas que combina com a personalidade e o gosto de cada um”, diz Lucas Simões, enólogo do Grupo Famiglia Valduga. “São vinhos frisantes que trazem muito frescor e combinam com o verão brasileiro que está chegando”.
Becas também se posiciona como um produto sustentável que combina com a nova geração de consumidores que procuram produtos e marcas com propósito e o meio ambiente é uma de suas principais bandeiras. A personagem da marca caracterizada por uma ovelha moderna, amigável e disruptiva, representa a inserção destes animais no bioma dos terroirs do grupo, onde, por meio da pastagem, controlam o desenvolvimento de plantas invasoras e fazem com que a utilização de defensivos agrícolas seja consideravelmente reduzida, promovendo um plantio cada vez mais equilibrado. O nome Becas – leia-se bêcas – faz alusão à forma que os descendentes de italianos da região Sul do Brasil carinhosamente chamam suas ovelhas. “É um nome de fácil assimilação e carrega um grande significado para a história do grupo Famiglia Valduga”, comenta Simões.
As latas de Becas são de alumínio e possuem um revestimento especial, que impede que a bebida entre em contato com o material, evitando, assim, qualquer alteração no sabor da bebida. Há mais de uma década, o Brasil está entre os maiores recicladores de latas de alumínio para bebidas – em 2018, 96,9% das embalagens que circularam pelo país foram recicladas. “As latas promovem praticidade, segurança e agilidade no transporte. Além disso, o alumínio tem maior índice de reaproveitamento”, completa o enólogo.
A Ambev informou no final de outubro que as vendas de cervejas aumentaram 25,4% no terceiro trimestre de 2020 em comparação ao mesmo período de 2019, com um volume de 23,75 milhões de hectolitros. Nesse período houve um aumento na receita com cervejas de 25,2% em relação a 2019, mas uma queda do lucro acumulado em 2020 de 8,1%. A Ambev está de olho nas movimentações recentes do mercado e não descarta a possibilidade de lançamento de uma cerveja que ocupe a faixa entre o produto básico e o premium, já que a empresa detectou avanço nas vendas de Skol nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Brasil obteve o melhor desempenho
entre todas as regiões de atuação da Ambev,
seja em cerveja ou refrigerante
O Brasil obteve o melhor desempenho entre todas as regiões de atuação da Ambev, seja em cerveja ou refrigerante.
Na América Central e no Caribe, o volume comercializado diminuiu 9,9% no terceiro trimestre de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019. No sul da América Latina, o volume caiu 0,4%, enquanto no Canadá aumentou 7,1%.
O segmento de refrigerantes no Brasil teve um aumento de 0,7% no faturamento no terceiro trimestre de 2020 na comparação com 2019. No entanto, no acumulado do ano, a queda com a venda de refrigerantes no país é de 8,3%.
Segunda maior cervejaria do mundo, a Heineken teve queda de 1,9% no volume global de cervejas no terceiro trimestre de 2020 e 8,1% nos primeiros nove meses do ano. O grupo Heineken destacou vendas maiores de cervejas premium nesse período de pandemia em detrimento das cervejas mais populares. As vendas no terceiro trimestre foram melhores que o esperado, em especial na região das Américas.

A marca Heineken cresceu 7,1% no trimestre e 1% nos primeiros nove meses
No geral, os volumes de cerveja nas Américas aumentaram 2,5%, com crescimento de cerca de 10% nos Estados Unidos e no Brasil. A marca Heineken cresceu 7,1% no trimestre e 1% nos primeiros nove meses. O principal mercado para essa marca foram as Américas, com alta de 28,8% e de 20% no volume no trimestre e no acumulado do ano. No Brasil, o volume total de cerveja cresceu cerca de 10% a 15%. Com custos de produção mais altos em decorrência da transição das vendas de bares para outros pontos de vendas e também pela escassez de matérias-primas, a empresa deve registrar lucros menores no ano. Por conta disso, já está planejando uma reestruturação para 2021 com objetivo de reduzir em 20% os custos com equipe em sua sede e escritórios no mundo todo.
A pandemia e a falta de insumos em geral vem dificultando as ações das indústrias reduzindo drasticamente suas margens de lucro, o que pode acarretar em mais demissões ao longo dos próximos meses. Essa quebra da cadeia de produção com interrupções no fornecimento de insumos deve atingir o mercado pelo menos até março de 2021, segundo análise de especialistas da área. A falta de insumos na indústria é um problema que atinge a produção de vários tipos de bebidas que viram a demanda crescer rapidamente neste ano e não conseguem insumos, como papelão, alumínio, vidro, aço, entre outros.
No entanto, nesse mundo novo, a incerteza é um fator cada vez mais freqüente que as indústrias terão que aprender a conviver, inclusive, no que tange à cadeia de suprimentos. Criar sistemas alternativos, novos fornecedores e até produtos diferentes que possam substituir aqueles com mais dificuldade de produção deve ser objeto de estudo daqui para frente. A pandemia vai acabar, mas algumas mudanças serão incorporadas pela sociedade.

As mudanças atuais devem ser pensadas esquecendo-se velhos hábitos do passado e com disposição para quebrar barreiras que aparecerão pela frente
Aceleração digital, crise de abastecimento, reinvenção, confiabilidade… tantas palavras para dizer que as mudanças vieram pra ficar e mexer com o status quo. Reinventar a empresa focando nas necessidades e problemas dos consumidores e não nas soluções que acreditamos serem mais importantes para esses consumidores é um bom ponto de partida para colocar os negócios nos trilhos. As mudanças atuais devem ser pensadas esquecendo-se velhos hábitos do passado e com disposição para quebrar barreiras que, com certeza, aparecerão pela frente, como: falta de habilidades e de pessoas qualificadas, gestão centralizada, lentidão para mudanças, medo, mind set, hierarquias ultrapassadas etc.
Os problemas nas organizações existem e as pessoas são a única forma para resolvê-los e promover o crescimento e melhorias necessárias.
As empresas terão que acelerar programas de transformação, reavaliar seus propósitos e estratégias, agir de acordo com seus princípios e identidade, rever seu portfólio de produtos e adequá-lo urgentemente às novas demandas de consumo, pensar e desenhar a empresa com olhos para além do futuro. Um trabalho árduo e desafiador, mas que, sem sombras de dúvidas, levará empresas e profissionais a um universo de aprendizado e crescimento contínuo.