Mais do que tendências é importante explorar os sinais de 2025
Por Carlos Donizete Parra
Planejar o futuro de longo prazo com tecnologias exponenciais e futurísticas é essencial, no entanto, é importante sempre olhar o curto prazo para resolver as demandas já solicitadas pelo consumidor.
1) A diversificação e personalização são drivers importantes para impulsionar o consumo de bebidas. A personalização está presente em todos os setores, inclusive na saúde com medicina regenerativa e preditiva, entre outras práticas que incluem robôs humanoides para auxílio de doenças degenerativas. A diversificação de portfólio mostrou ser um dos principais instrumentos para o aumento do faturamento de algumas empresas em 2025 e deve ser mais utilizado em 2026.
Na área cervejeira, a Heineken explorou esses sinais ao lançar no final do ano a Lager Spritz, uma cerveja inspirada nos coquetéis italianos que pretende proporcionar novas experiências e propor novas possibilidades dentro do mercado cervejeiro considerado muito tradicionalista e com pouca aderência das novas gerações.
As cervejas sem álcool tomam parte pequena desse espaço à medida que as pessoas diminuem o consumo de álcool em suas rotinas. De acordo com pesquisa do Datafolha de 2025, 53% dos brasileiros que ingerem álcool afirmam ter reduzido a quantidade no último ano. O importante agora é o aumento de volume para dar valor para às indústrias.
Nessa onda, os destilados prontos para beber estão aumentando consideravelmente suas vendas ano após ano. Produtos com baixo teor alcoólico, menos calorias e com embalagens atrativas conquistam o público jovem, mulheres e adeptos a bebidas com menos álcool. Os RTDs (Ready-to-Drink) entregam ainda praticidade e conveniência, aspectos muito valorizados por esses consumidores. Destaque para a estreia de Cereser no mercado de RTDs, com uma versão da tradicional sidra brasileira e o aumento de portfólio da Cia Müller de Bebidas também na categoria, com o 51 Ice Tea Pêssego, uma combinação de chá gelado e pêssego e 51 Ice Melancia.
2) A contaminação dos destilados por metanol deixou claro a necessidade da segurança alimentar e da rastreabilidade de processos e do produto final para as bebidas.
3) O crescimento vertiginoso das águas minerais mostra a consolidação da tendência de uma vida mais saudável, com o consumidor incorporando a hidratação no seu dia a dia.
4) Mas somente a hidratação não é mais suficiente, também buscamos a funcionalidade nas bebidas para responder aos nossos desejos de saudabilidade. Proteínas, vitaminas e fibras avançam no mercado e fazem parte das dietas e das bebidas preferidas pelas pessoas. Funcionalidade será protagonista no mercado de bebidas.
5) Sustentabilidade em ingredientes e embalagens é cada vez mais uma necessidade para a indústria, mas a prática ainda está bem distante da consciência. No Estudo “ESG Trends 2025” o Brasil aparece no topo do ranking mundial quando o assunto é a consciência de separar e reciclar resíduos, no entanto, esse resultado cai drasticamente quando questionados sobre o que realmente fazem no dia a dia. Isso demonstra claramente problemas estruturais e financeiros para levar a cabo ações de sustentabilidade que poderiam colocar o país no topo de assuntos relacionados ao tema.
Boa parte da indústria está fazendo a lição de casa. Embalagens com menos material e com materiais reciclados contribuem para a economia circular e já fazem parte dos processos produtivos. Plásticos com bactérias ativadas por luz podem mudar de forma, se reparar e reduzir a poluição. Embalagens com plástico advindos de fontes vegetais como o milho já estão em escala comercial em diversos países e também podem contribuir para essa redução de lixo. A educação da sociedade parece ser o maior trunfo nesse mundo das embalagens e precisa ser mais explorada pelas indústrias e governos para uma conscientização e prática sustentável das embalagens.
A indústria também já trabalha com ingredientes naturais e sustentáveis que possam minimizar os impactos ambientais e promover a biodiversidade. A utilização de ingredientes locais e sazonais também contribuem nesse aspecto. Entre esses ingredientes é possível citar as proteínas de origem vegetal e insumos derivados de algas, além de métodos de cultivo que possam reduzir a pegada de carbono, como as fazendas verticais e as hortas hidropônicas. Em 2024, durante a BrauBeviale, na Alemanha, a Siemens já apresentou uma fazenda vertical de lúpulo totalmente automatizada e sustentável. Essas fazendas verticais recriam as condições ideais em ambientes controlados, otimizando a produção. A integração de automação, controle ambiental preciso, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e robótica proporciona um ambiente perfeito para o crescimento do lúpulo. Isso pode ser replicado para diversas outras culturas.
7) A IA é tema recorrente em qualquer lista de tendências para 2026 e, realmente não pode ficar de fora. Ela é fundamental para o aumento da eficiência operacional, controle de processos, governança e transparência, lucratividade, produtividade, vendas e experiência do cliente. Enfim, a IA tem que ser tratada como parte do dia a dia das empresas e não mais como um projeto isolado e futurístico.
8) Os eventos climáticos fazem parte desse cardápio diário que deve permanecer na mesa de executivos e profissionais da indústria. As temperaturas elevadas bateram recordes nas principais capitais brasileiras no final de 2025 e deixaram sinais evidentes que precisamos nortear muito de nossas ações de acordo com as previsões climáticas. Isso tanto para o bem como para o mal. Temos que usar essas projeções ao nosso favor. Eventos climáticos que marcaram 2025 como enchentes, incêndios, tempestades devem estar no radar de 2026. Como podemos contribuir para evitar esses desastres em nossa comunidade?
9) E falando em comunidade elas são uma tendência na comunicação. São referência para o engajamento e vínculo das pessoas e podem tornar campanhas muito mais assertivas em detrimento a campanhas de massa. O conteúdo estratégico e especializado junto a comunidades específicas otimiza os gastos em campanhas no digital.
10) Quando exploramos mais os caminhos da personalização encontramos nos sabores um ponto crucial para o lançamento de qualquer produto, mais forte ainda do que sempre foi na área de bebidas e alimentos. Sabores únicos, nostálgicos e clássicos podem ser usados para o insight no desenvolvimento de novas bebidas.
11) Na área de tecnologia olhos abertos para os avanços na computação quântica, aos wearables, óculos inteligentes, robótica e cibersegurança. Os dados serão cada vez mais os responsáveis pelas decisões das empresas mas totalmente apoiados por análises de especialistas e executivos.
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