Agrária Malte inaugura cervejaria experimental

Cervejaria Experimental_Parceria

* por Carlos Donizete Parra

No domingo,15 de março, a Agrária Malte inaugurou oficialmente sua cervejaria experimental, voltada ao teste e aperfeiçoamento de produtos da empresa e seus clientes. O evento contou com a presença da diretoria da Weyermann® (parceira da Agrária), de membros da diretoria, conselho, cooperados, colaboradores, clientes e distribuidores.

A cervejaria experimental da Agrária Malte foi concebida em parceria com a empresa Weyermann®, cujo diretor administrativo Thomas Kraus-Weyermann destacou o pioneirismo da maltaria. “Surgirão diversas novas receitas a partir da cervejaria experimental, que impulsionará ainda mais o nicho das cervejas especiais no Brasil. Estamos muito contentes e agradecemos a Agrária pelo convite de participar deste momento importante. Mesmo distantes 10 mil quilômetros, esta parceria é, desta forma, fomentada e fortalecida”.

Segundo Jorge Karl,diretor presidente da Agrária, a unidade experimental era uma demanda da própria maltaria. “O primeiro objetivo é trazer maltes especiais e maltes melhorados ao mercado. Temos também o objetivo de atendimento e treinamento de clientes, enquanto testamos o nosso próprio malte”, esclareceu Karl. A própria pesquisa da FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) é otimizada pela cervejaria, uma vez que os potenciais de novas variedades de cevada podem ser determinados de maneira mais rápida, frisou o presidente.

A cervejaria experimental favorecerá o mercado como um todo. “Os clientes sempre procuraram alternativas e querem saber o que se pode fazer com determinado tipo de malte. A cervejaria experimental abre um leque maior de receitas, especialmente voltado para o mercado brasileiro”, avaliou Dorval Campos Neto, proprietário da Master Brau Soluções para Cervejarias, distribuidor da Agrária em Santa Catarina.

Cervejaria Experimental_VisitasSiedler Bier

A primeira produção da nova instalação foi de uma cerveja própria, comemorativa e alusiva à história de Entre Rios: a Siedler Bier. O mestre cervejeiro da Agrária, Alexander Schwarz, explicou que a receita, de sua autoria, foi baseada em diversos dados e acontecimentos históricos relacionados aos Suábios do Danúbio, que colonizaram Entre Rios a partir de 1951 e fundaram a Cooperativa Agrária. “Reunimos diversos aspectos da história. O estilo Altbier expressa a tradicionalidade, enquanto a tonalidade avermelhada remete à religiosidade e à festividade do povo suábio. Já a água utilizada possui exatamente as mesmas características químicas do Rio Danúbio. A cerveja possui 51 unidades de amargor (IBUs), em referência ao ano de colonização de Entre Rios (1951), assim como há sete tipos de malte, em alusão ao número de transportes de navios que trouxeram as 500 famílias ao Brasil”, detalhou Schwarz.

A Siedler Bier possui ainda dois tipos de lúpulos originários da região do estado de Baden Württemberg, no Sul da Alemanha, local de origem dos Suábios. A ligação agrícola é representada pela utilização de malte de cevada e de trigo. Por fim, os 15 platos de extrato primitivo equivalem aos 15 hectares destinados a cada casal de suábios nos primórdios de Entre Rios.

Reforço na ‘alma da cerveja’

Inaugurada em 1981, a maltaria da Agrária iniciou com capacidade de 140 mil toneladas por ano. Em 2009 aconteceu a primeira ampliação e a capacidade passou para 220 mil toneladas de malte por ano. Para o final deste ano, está prevista a entrada em operação da terceira fase da maltaria aumentando a capacidade de produção em mais 125 mil toneladas, perfazendo um total de aproximadamente 345 mil toneladas por ano. Com isso a Agrária Malte vai se tornar a maior maltaria comercial da América Latina.

Cervejaria Experimental_GeralCervejeiros e especialistas são unânimes em dizer que o malte é a alma da cerveja. E, nesse caso, a alma está sendo muito bem cuidada pela Agrária. Com investimentos em pesquisa de ponta, modernos métodos e processos de produção e capacitação permanente de seus profissionais, a empresa cuida para que seus produtos cheguem aos clientes com os melhores padrões do mercado mundial.

Chamada de malteação, o processo de transformação da cevada em malte pode demorar até seis dias. O processo consiste em fazer germinar a semente provocando algumas transformações que ocorrem naturalmente de acordo com as características que se pretende atingir. Para isso três etapas principais fazem parte desse processo: maceração, germinação e secagem.

A cevada fica armazenada em silos de recepção e é levada à fase de maceração através de transportador automático. Nos funis de maceração, a cevada repousa de 12 a 18 horas, intercalando períodos úmidos e secos, para garantir uma hidratação uniforme, com temperatura controlada.

A fase seguinte é a germinação onde a cevada permanece até 4 dias em tanques com aeração controlada e aspersão de água se necessário. Nessa fase o rebento ativado na maceração vai sofrer profundas alterações que darão origem a características importantes na qualidade final do malte. Em seguida, na secagem, com um ciclo de 24 horas, a umidade do malte reduz de 45/46% para menos de 5%. Reações importantes acontecem nesta fase oferecendo características de sabor e cor ao produto final. O processo de malteação completo na Agrária é de seis dias.

IMG-20150320-WA0002Cerca de 65% da cevada utilizada pela Agrária é nacional e a intenção é continuar reduzindo a compra da cevada importada.”A cevada brasileira está muito boa, não perde em nada para o produto argentino. Este ano teremos a primeira cultivar europeia adaptada ao Brasil”, explica Vilmar Schussler, coordenador da Agrária Malte.Toda cevada produzida pela Cooperativa Agrária é colhida em novembro e armazenada para ser processada durante o ano.

Qualidade

Entre os diferenciais da Agrária está o controle rigoroso da qualidade do produto. E tudo isso é feito dentro de padrões de qualidade estabelecidos pelas principais normas vigentes no mundo. A Agrária está certificada pelas normas ISO 9000, ISO 14000, ISO 22000. A empresa possui um laboratório central capaz de realizar os principais testes necessários para sua área de atuação, desde o plantio da semente até o produto final inclusive para análises cervejeiras, que são realizadas para alguns clientes da empresa. “O laboratório presta serviço para todas as empresas da Agrária (Agrária Malte, Agrária Farinhas, Agrária Nutrição Animal, Agrária Óleo e Farelo, Agrária Grits e Flakes e a FAPA) e para clientes externos também. Tem acreditação ISO 17025 desde 2012”, explica a supervisora do Laboratório Central, Josiane Rosa Moura.
A estrutura contempla laboratório de sementes, maltaria piloto, laboratório de trigo, laboratório de cevada e malte e laboratório de águas e efluentes.

Pesquisa no campo

Com a função de pesquisar e difundir conhecimento entre os cooperados, a FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) conta com uma área de 220 hectares, oito áreas de pesquisa, 37 mil experimentos e oito pesquisadores, além de técnicos e profissionais experientes no trabalho no campo.

IMG-20150320-WA0001A região onde está localizada a Cooperativa Agrária possui características singulares, por isso necessita de uma estação como a FAPA para dar apoio aos agricultores e promover a produtividade entre todos os cooperados.“Nossa produtividade aqui é maior que a média nacional. O milho está nos padrões de produtividade dos Estados Unidos. Quando iniciamos o plantio de cevada, em 1970, colhíamos por volta de 1000 kg por hectare, hoje estamos colhendo 4900 kg por hectare, enquanto a média no Brasil não chega a 3000 kg por hectare. A soja tem média de 4 toneladas por hectare. A região de Entre Rios é muito alta e fria e, no caso da cevada chove muito na época da colheita. Temos que colher bem rápido, levar a cevada ainda molhada e depois secá-la. É um desafio e tanto”, explica Noemir Antoniazzi, pesquisador de cevada.

Desde 2007 a Agrária vem desenvolvendo trabalhos de melhoramento com cultivares europeus em solo brasileiro. A variedade em desenvolvimento é muito boa para produção do malte e este ano sua qualidade está chegando aos padrões da planta europeia.

A FAPA tem mais 14 locais de experimentos fora da estação e trabalha muito em função da demanda dos cooperados o que contribui para que as pesquisas não fiquem paradas ou esquecidas em universidades e centros de pesquisa como frequentemente acontece no Brasil quando não há essa aproximação entre o pesquisador e o homem do campo.

Esse trabalho extenso de pesquisa e tecnologia proporciona à Agrária altos níveis de produtividade e qualidade no campo gerando um produto final com padrão mundial de excelência.

A ‘alma cervejeira’, portanto, está muito bem encaminhada. Que os profissionais brasileiros saibam transformá-la em saborosas cervejas para deleite de consumidores e amantes da bebida no mundo todo.

Deixe seu comentário