A vez das proteínas

Indústria de bebidas se renova e adapta produtos para atender
as necessidades do consumidor ávido por alimentação saudável

| THAIS MARTINS |

Embalagens com rótulos cada vez mais transparentes e consumidores em busca de novidades com um único objetivo: praticidade e promoção da saúde. Segundo dados do Euromonitor, o mercado brasileiro de produtos de alto teor de proteína cresceu 100% em valor e já fatura R$ 2 bilhões. De acordo com a nutricionista e membro da academia Brasileira de Gastronomia, Sabina Donadelli, o produto industrializado fornece a proteína de forma fácil, porém só será benéfico se um profissional de saúde identificar que o organismo da pessoa precisa realmente desse nutriente. “São bebidas já consumidas há bastante tempo, mas com a troca de informações na internet estão em evidência. É fundamental uma estratégia de plano alimentar adequada a cada caso. Tenho pacientes engordando por excesso de proteínas, por exemplo”, alerta a especialista.

Segundo estudos da Nestlé, a ingestão de proteínas pode contribuir para o aumento da saciedade, além de prevenir ou retardar a perda muscular e influenciar diretamente a saúde dos ossos, resultando em mais força e disposição no dia a dia. “É um mercado ainda muito novo e pequeno no Brasil se compararmos com outros países, como os Estados Unidos. Ainda há espaço para inovação e expansão. Os produtos com alto valor agregado deixam de ser considerados nicho para pessoas que estão extremamente atentas à saúde e tornam-se itens de interesse geral, pois todos querem se sentir bem de forma prática e otimizada. O fato de grandes empresas oferecerem produtos com alta proteína de forma mais massiva, tende a torná-los mais acessíveis”, informa o departamento de comunicação da empresa.

A Nestlé concorda que é importante um consumo equilibrado de proteínas, respeitando as necessidades individuais. “Não é possível determinar o quanto o corpo absorve destas substâncias adicionadas, pois isso varia de acordo com cada organismo, mas sua ingestão está ligada à manutenção dos tecidos, incluindo massa muscular, transporte de nutrientes, composição de hormônios, oxigenação dos tecidos e fornecimento de energia. É preciso sempre procurar um especialista”, reforça a companhia.

Na visão da analista de P&D de Produtos Lácteos da empresa de ingredientes alimentícios SweetMix, Marília Borges, as bebidas adicionadas de proteína foram desenvolvidas originalmente com o intuito de auxiliar no fortalecimento de pacientes com determinadas patologias, como câncer e anorexia, e nos casos de pré e pós-operatório. “Por estar no formato líquido, a absorção é mais rápida pelo organismo, o que garante também maior ação enzimática. Estudos clínicos já comprovaram que balanços adequados de diferentes fontes de proteínas (animais e/ou vegetais) podem fornecer os benefícios que vão além da suplementação diária, contribuindo desde a recuperação quanto o aumento de massa muscular, impactando diretamente na composição corporal do indivíduo.Outro ponto é que o público vegano e pessoas que optam por não consumir ou reduzir a ingestão de produtos de origem animal, buscam opções diferenciadas, e as bebidas à base de vegetais com alto teor de proteínas seriam boas saídas.”

Marília Kubota, coordenadora de P&D da SweetMix, complementa: “Uma porção de 10gr a 50gr de proteína de origem animal consumida é quebrada em aminoácidos, e 90% a 95% são utilizados pelo nosso corpo. Consumindo-se uma quantidade maior de proteínas, o organismo libera um hormônio digestivo denominado CKK, que desacelera as contrações intestinais, fazendo com que o organismo tenha mais tempo para metabolizar a proteína ingerida. Digerimos entre 1,3gr a 10gr de proteína por hora – estudo feito recentemente por pesquisadores para a Journal of the American Dietetic Association.”

Na indústria A SweetMix desenvolve soluções customizadas para diversos tipos de bebidas, de acordo com a necessidade de cada cliente e com o perfil do produto desejado. A empresa possui sistemas específicos para suspensão e estabilização de bebidas, por meio da linha SweetGum, que também atende o mercado proteico.

Atualmente, a Vogler Ingredients atua fortemente com a linha de proteínas da ArlaFoods. “Temos proteínas do soro de leite específicas para bebidas à base de leite e as translúcidas, como chás, sucos que suportam tratamentos de calor como o processo de UHT. Além disso, contamos com proteínas como soja que possui grande crescimento e procura, principalmente pelo público vegano”, descreve Camila Errera, gerente de segmento da empresa com expertise para oferecer aos clientes soluções de sinergia entre as proteínas de matrizes diferentes, assim como uma solução mais completa aos consumidores finais. “Destaco também a linha de colágenos, uma proteína reconhecida pela sua ação de beleza e articulações. Além do público esportista, esta é uma tendência que vejo para adultos e crianças, visto que as proteínas são moléculas orgânicas compostas de aminoácidos responsáveis pelo crescimento e reparação de tecidos, além de ajudar na produção de hormônios, enzimas e anticorpos, na reposição do gasto energético das células e no transporte de substâncias para o corpo.”

Outro tradicional fornecedor de ingredientes para a indústria de bebidas e alimentos, a Tovani Benzaquen Ingredientes, parte do grupo Barentz, também possui uma linha completa de proteínas que podem ser adicionadas às diversas opções de bebidas disponíveis no mercado brasileiro.

Especificamente para os consumidores que buscam produtos de origem vegetal, a Tovani disponibiliza a Lentein, da empresa Parabel, uma proteína em pó extraída da lentilha que pode ser utilizada na formulação de produtos lácteos, sports drinks, sucos e outras bebidas. Com alto teor de protéina (45% a 50%), também é rica em minerais, vitaminas e outros macro e micro ingredientes. Os aminoácidos contidos no Lentein são fontes de ômega 3, polifenois e antioxidantes, não deixando nada a desejar aos nutrientes obtidos através do soro de leite de origem animal.

Considerado o novo superfood, Lentein é livre de gordura, zero lactose, zero glúten, não contém alergênicos e GMO. Além disso, é um ingrediente sustentável, pois 98% da água utilizada na sua produção é reaproveitada.

Já a Kerry apostou em uma proteína vegana livre de alergênicos desenvolvida para águas, sucos e bebidas energéticas de baixo pH. De acordo com a empresa, a oferta de bebidas proteicas no mercado consiste basicamente em bebidas cremosas, que não são refrescantes e não saciam a sede. A Pro Diem Refresh é um hidrolisado de proteínas solúvel, derivado de ervilhas, que não necessita do uso de estabilizadores que podem afetar a rotulagem de maneira negativa.

O mercado brasileiro de bebidas com alto teor
de proteínas já fatura cerca de R$ 2 bilhões

Na gôndola Lançado em 2016, a linha PRO da Itambé conta com produtos high protein, feitos com a proteína do leite. Além dos leites UHT desnatado e semidesnatado, a linha conta com iogurte grego light, iogurte light e bebidas lácteas nos sabores baunilha e chocolate. “São itens aliados à saúde, ideais para complementar uma dieta balanceada, já que a proteína é um nutriente chave na recuperação e manutenção da massa muscular. Seu consumo também garante saciedade por mais tempo, diminuindo a fome entre as refeições”, destaca a gerente de marketing, Beatriz Cardoso.

Compõem a linha PRO: Bebida Láctea UHT PRO+ Baunilha e Bebida Láctea UHT PRO+ Chocolate, com 22g de proteína em 200ml cada; Itambé Leite UHT PRO Desnatado e Itambé Leite UHT PRO Semidesnatado fornecem 13g de proteína de elevado valor biológico por copo (200ml); e os Iogurte Grego PRO Light, Itambé Grego PRO Light baunilha, Itambé Grego PRO Light morango com banana, iogurte Pro Light, Itambé PRO Light Morango e Itambé PRO Light Natural oferecem 11g de proteína nas embalagens de 120g de cada produto.

A Nestlé começou a desenvolver bebidas com alto teor de proteína no final de 2017, quando lançou Nescau Protein+ e Molico +Proteína. Nescau foca em jovens que buscam equilíbrio em meio a correria, enquanto o Molico conversa com mulheres maduras que estão atentas a importância de um estilo de vida equilibrado. O achocolatado une o alto teor de proteína de 13g com zero adição de açúcares. Já o leite líquido é zero lactose e oferece 10g de proteína por 200ml, representando 50% mais proteína comparado ao Molico UHT Zero Lactose.

A Verde Campo adicionou whey protein (proteína do soro do leite) em iogurte, lançando em 2016 a linha Natural Whey. “Disponibilizamos proteínas de alto valor biológico em um formato prático e de fácil acesso às pessoas que mantem uma rotina de exercícios físicos. A adição de proteínas em bebidas pode auxiliar na composição de dietas com restrição de volume ou com restrição de alimentos sólidos, sendo possível aumentar a densidade nutricional de bebidas, substituição de lanches e pequenas refeições”, diz o gerente de marketing e trade marketing, Paulo Ibri. Do ponto de vista tecnológico, o especialista ressalta que uma bebida geralmente necessita de sólidos em solução para a sua estabilização. “A fonte de sólidos de uma bebida sem adição de proteínas normalmente são os carboidratos, enquanto que em uma bebida com adição de proteínas, a própria proteína diminui a demanda de sólidos em solução”, finaliza.

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