15 Insights para manter a rota de crescimento

Manter o vinho em crescimento tem que ser o objetivo de 11 em cada 10 empresas que constitui essa cadeia de valor tão importante para o mercado nacional. Pensando nisso, extraímos
do mercado alguns insights que julgamos importantes para o futuro do vinho no Brasil

 

Carlos Donizete Parra

Não é novidade que o vinho foi uma das bebidas preferidas do brasileiro na pandemia. Foram mais de 501 milhões de litros comercializados no país em 2020 e uma ligeira queda em 2021 para algo em torno de 489 milhões de litros. O consumo per capita ficou em 2,64 litros por pessoa (acima de 18 anos). Mas, o que mais importa agora é traçar um plano que mantenha os consumidores fiéis e que os avanços conquistados sejam ampliados.

Estudo da Wine Intelligence mostra que a base de consumidores de vinho passou de 39 milhões de pessoas em 2020 para 51 milhões em 2021 e as perspectivas são de que esses números continuem aumentando em 2022. Alguns especialistas esperam um crescimento de 6% em 2022 e de 9% em 2023.

A razão para tanto otimismo é que o mercado amadureceu nesses últimos dois anos e os resultados começam a aparecer. O fato é que o Brasil vem tornando-se um mercado mais atrativo tanto para as vinícolas nacionais quanto para os vinhos importados. O Brasil é o maior destino do Chile para vinhos desde 2020. É o segundo destino da Argentina em volume e terceiro em valor. É o quarto mercado para onde Portugal mais exporta seus vinhos e se tirar o vinho do Porto, o Brasil passa a ser o maior mercado para os vinhos portugueses.

Nada mal para um país que tem um consumo per capta ainda baixo, ao redor de 2,7 litros, enquanto o Chile, por exemplo, chega a 23 litros per capta. Ou seja, ainda temos um potencial gigante a explorar.

O digital mostrou que esse é um caminho importante e que não tem volta. O Brasil é o terceiro maior comprador de vinhos no e-commerce, atrás apenas da China e Estados Unidos.

Quais os aprendizados que podemos tirar desses últimos anos para ampliar ainda mais o consumo de vinhos no Brasil?

Algumas tendências na área de bebidas são bastante claras e indicam caminhos para o vinho também, como a sustentabilidade, a inovação e a educação. Desta forma, elencamos abaixo algumas tendências e estratégias compartilhadas por algumas empresas e especialistas. Acompanhe.

1 – Não basta ser vinho, tem que ter marca

É preciso investir na construção de marca.

2 – Sustentabilidade

De acordo com o estudo Global Webindex, 6 em cada 10 millenials estão dispostos a pagar mais por produtos ecológicos e sustentáveis.

3 – Origem

Conhecer a história, a cultura, os cuidados com a preservação do local e da garantia de uma vida de qualidade dos que vivem nesse contexto é cada vez mais valorizado pelo consumidor.

4 – Saudabilidade

Conforme o Tetra Pak Index, 58% dos brasileiros passaram a consumir mais produtos funcionais e 39% desejam aumentar o consumo destes alimentos no futuro. Um mercado crescente, ao qual fabricantes de alimentos e bebidas devem atentar para a composição de seus portfólios.

 

5 – Experiências

As experiências geram vendas, mas também podem ajudar a educar o consumidor de vinhos que ainda é novo no Brasil. O enoturismo é parte relevante desse processo , assim como os festivais e festas. É preciso criar conexões e entender as necessidades e desejos dos consumidores para oferecer o que realmente o mercado necessita.

6 – Baixo ou zero álcool

O consumo de bebidas zero álcool ou com menor teor alcoólico está crescendo no mundo todo. Não se trata de uma substituição mas de uma opção, portanto as empresas precisam incluir esses produtos no portfólio para atender essa demanda.

7 – Sabor sempre, local é destaque

Alimentos e bebidas têm que ter sabor. Os times de P&D precisam “brigar” por essa característica. Importante adequar o sabor ao paladar do consumidor de cada produto de acordo com regiões e costumes. O Brasil é gigante e cada região tem suas preferências.

8 – Coquetéis e bebidas mistas a base de vinho com e sem álcool

Já existe no mercado nacional bebidas alcoólicas e não alcoólicas produzidas a base de vinho. É um segmento com forte tendência de crescimento onde grandes indústrias já fincaram suas marcas.

A praticidade nesse caso é o negócio.

9 – Vinhos rosé, branco, suave/sweet

Variar o tipo de vinho também é uma oportunidade para ampliar as vendas e conquistar novos consumidores. O consumidor brasileiro está aprendendo que não existe só o vinho tinto e cabe às indústrias indicar as opções e ocasiões de consumo.

10 – Multicanalidade

O digital ganhou a preferência do consumidor, mas a loja física continua sendo importante mesmo que seja para retirada do produto ou para compartilhar experiências. A integração dos canais, assim como a experiência proporcionada ao cliente nas lojas física e online abrem excelentes perspectivas para os negócios em 2022, tendo a captação de dados e sua utilização em tempo real como suporte ideal para a conclusão das vendas.

11 – Automação e modernização tecnológica

É o que dá suporte e ajuda a diferenciar uma empresa no mercado atual. Atender o consumidor na velocidade que ele exige não é tarefa para qualquer um. Imagine isso sem a ajuda de tecnologia.

12 – Inovação

É outro fator de diferenciação e que determina as empresas campeãs no mercado. Seja ela desenvolvida na própria empresa, através de startups ou de outros modelos, o que importa é uma estratégia permanente de inovação em todos os setores da companhia.

13 – Embalagens alternativas

Nos últimos anos acompanhamos uma enxurrada de novos vinhos, espumantes e sucos sendo oferecidos ao consumidor na lata. Devido aos problemas de abastecimento na cadeia logística do vidro esse crescimento deve continuar, mas isso deve aumentar, principalmente, pela pressão do consumidor por novas alternativas de embalagens. Também vale destacar o potencial do bag in box e sua importância para o crescimento das vendas de vinhos tanto nas casas como em restaurantes através, por exemplo, da comercialização em taças. O keg pet, pouquíssimo utilizado no Brasil, também pode ser uma alternativa para eventos, festas e festivais. Sem falar no vidro, é claro. Embalagem já consagrada nesse mercado e que deve continuar como a mais importante para o envase de vinhos. Investimentos anunciados pelos principais produtores de vidro no Brasil devem assegurar o fornecimento regular nos próximos anos, assim como a implementação de práticas sustentáveis deverão permitir cada vez mais a circularidade dessa embalagem no mercado.

14 – Educação

Como já falamos anteriormente, a educação é fundamental para o crescimento do vinho no mercado brasileiro. Vinícolas, distribuidores, associações e demais elos dessa cadeia de vinho precisam se unir e desenvolver projetos que contemplem a educação do consumidor, varejo, food service, lojas e outros pontos de consumo.

15 – ESG

Sigla em português para meio ambiente, social e governança, é assunto cada vez mais em voga nas grandes corporações globais, mas é tema fundamental para todas as empresas, independente do porte e segmento de atuação. Precisa ser discutido e implementado urgentemente nas empresas. Companhias com práticas de ESG e que possam listar isso em seus relatórios anuais têm aprovação de investidores, acionistas, mercado e consumidores.

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