América Latina é o mercado que mais acelera em comércio unificado

Região lidera evolução em capacidades operacionais e se destaca por inovação prática e adaptação em ambientes complexos

A América Latina está emergindo como o mercado que mais acelera em comércio unificado no mundo, combinando evolução rápida de capacidades com modelos inovadores de operação. É o que revela o Benchmark de Comércio Unificado Global 2026, estudo conduzido pela Manhattan Associates em parceria com a Incisiv, que analisou mais de 400 varejistas em EMEA (Europa, Oriente Médio e África), América Latina e América do Norte.

O estudo aponta que a América Latina foi a região com maior evolução global em maturidade de fulfillment (o processo desde a consulta no ponto de venda até a entrega de um produto ao cliente), com avanço de 26 pontos percentuais em relação a 2024 — o maior salto entre todas as regiões analisadas. Esse progresso contribuiu para elevar o nível global dessa capacidade e reflete uma transformação operacional significativa na região.

Embora ainda enfrente desafios estruturais, como infraestrutura fragmentada e menor maturidade histórica em e-commerce, a região vem reduzindo rapidamente a distância em relação a mercados mais consolidados e, em alguns casos, criando abordagens próprias que podem antecipar tendências globais.

“A América Latina está mostrando que restrições não necessariamente limitam a inovação, elas podem acelerar soluções mais criativas e eficientes”, afirma Stefan Furtado, gerente regional da Manhattan Associates. “O que vemos na região é um varejo extremamente adaptativo, que encontra formas de conectar canais e atender o consumidor de maneira fluida mesmo em cenários mais complexos.”

Crescimento acelerado e inovação prática

Esse avanço da América Latina está diretamente ligado à adoção de modelos mais ágeis e orientados ao consumidor, como o uso intensivo de dispositivos móveis ao longo da jornada, a expansão de meios de pagamento alternativos e o atendimento e vendas via plataformas de mensagem, como WhatsApp.

Esse conjunto de práticas evidencia uma abordagem mais pragmática da omnicanalidade, menos dependente de estruturas legadas (sistemas e processos antigos que ainda sustentam o negócio, mas dificultam inovação e integração) e mais focada em resolver rapidamente as necessidades do consumidor.

“Diferente de mercados mais maduros, onde a transformação muitas vezes depende de sistemas complexos já existentes, na América Latina vemos uma capacidade maior de experimentar e implementar soluções de forma mais direta”, diz Furtado. “Isso acelera a evolução e cria experiências que, muitas vezes, são mais próximas do que o consumidor realmente espera.”

O avanço da região acontece em um contexto desafiador para o varejo global. De acordo com o estudo, os custos logísticos aumentaram mais de 20% nos últimos três anos, enquanto os consumidores passaram a exigir entregas mais rápidas, maior flexibilidade e experiências cada vez mais personalizadas. Ao mesmo tempo, a jornada de compra se tornou mais fragmentada: mais de 66% dos consumidores utilizam dois ou mais canais antes de concluir uma compra.

Comparação global: forças distintas
entre regiões

O estudo reforça que não existe um único modelo de maturidade em comércio unificado, já que cada região apresenta pontos fortes distintos. A América do Norte (NOAM) lidera em personalização, uso de dados e execução das etapas de shopping e checkout, enquanto a EMEA se destaca pela consistência operacional, pelo fulfillment cross-border e pelo forte alinhamento regulatório. Já a América Latina aparece como a região que mais rapidamente evolui, com destaque para inovação adaptativa e novos modelos de engajamento.

Apesar dessas diferenças, há uma convergência importante: varejistas que conseguem conectar a jornada de ponta a ponta apresentam resultados significativamente superiores. O estudo mostra que empresas mais maduras em comércio unificado alcançam até o dobro da taxa de crescimento em comparação com seus pares menos desenvolvidos.

O futuro do varejo pode vir da América Latina

Mais do que apenas reduzir a distância em relação a mercados mais avançados, a América Latina começa a se posicionar como um possível laboratório para o futuro do varejo, especialmente em áreas como comércio conversacional, pagamentos alternativos e experiências mobile-first.

Para Furtado, essa mudança de percepção é inevitável: “A América Latina deixa de ser vista apenas como uma região em desenvolvimento e passa a ser observada como um espaço de experimentação e inovação real. Muitas das soluções que surgem aqui têm potencial de escala global.”

O levantamento também mostra que apenas 7% dos varejistas globais atingiram um nível considerado líder em unified commerce, enquanto 33% ainda permanecem em estágios básicos. Ao mesmo tempo, 38% das capacidades que diferenciavam líderes em 2024 já se tornaram padrão até 2026.

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