Flexibilidade e diversificação com eficiência – 2ª Parte

Segundo alguns especialistas, uma linha de envase deve permitir a diversificação de produtos e formatos sem perder a eficiência, possibilitando ganhos financeiros e mercadológicos aos fabricantes de bebidas.

Nesse ambiente conturbado que estamos atravessando, a diversificação de sku’s pode ser uma alternativa às indústrias para atender prontamente as demandas dos consumidores. Para isso, a flexibilidade da produção se apresenta como fator decisivo. Perguntamos aos entrevistados:

A flexibilidade da linha de envase pode contribuir para a eficiência tomando-se como base um novo padrão de consumo? Como isso contribui para a diversificação de produtos?

Quanto mais flexível for uma linha, mais produtos serão produzidos, devido ao aumento
da disponibilidade

Denis Malterre, VP Sales South America • Sidel

Sim, uma linha flexível permitirá que os produtores fabriquem ou produzam diferentes sku´s e passem de um produto para outro, de um sabor para outro, de um tamanho para outro em um período muito curto. Quanto mais flexível for uma linha, mais produtos serão produzidos, devido ao aumento da disponibilidade. Sua capacidade de entrar ou de atender ao mercado com novos produtos ou produtos sazonais será incrivelmente curta.

Neste sentido, a Sidel busca o desenvolvimento de soluções não somente com o intuito de alcançar rápida troca de produto, mas também, concebendo sistemas que sejam capazes de fácil e rapidamente aceitar novos produtos demandados pelas rápidas mudanças, e nem sempre previsíveis, que surgem do mercado.

Isso possibilita a diversificação de produtos e embalagens. Por exemplo, se a situação atual exigir mais produção de água engarrafada, pois é mais segura do que a água da torneira, um engarrafador que produz algo diferente, com uma linha flexível, produzirá esse produto em um período muito curto de tempo. É claro que, para passar de um produto para outro, existem mudanças de formatos que todos os produtores conhecem, mas se você possui um bom equipamento, previamente projetado para isso como o nosso, sua mudança ao longo do tempo é reduzida ao mínimo e não afeta a eficiência da linha. Agora, se você não tiver uma linha flexível e a demanda do produto não for a esperada, você realmente perderá dinheiro e os impactos financeiros serão visíveis.

A diversificação das embalagens é essencial para atender as mudanças no padrão de consumo atual

Arthur Stringhini, Diretor • Zegla

A flexibilidade não deve impactar na eficiência de uma linha de envase, contudo, possibilita que a indústria de bebidas seja rápida no lançamento de novos produtos e ou de novas embalagens e, assim, seja eficiente em atender aos novos padrões de consumo.

A diversificação das embalagens é essencial para atender as mudanças no padrão de consumo atual, contudo esta diversidade impacta na necessidade de realização de setups nas linhas de envase, o que deve ser muito bem planejado para não impactar na eficiência direta das linhas.

A diversidade em sku´s nas linhas de produção, podem ser positivas e até mesmo, melhorar o lucro
de uma empresa quando isso
é empregado de forma eficiente

Jeferson Stamborowski, Gerente de Desenvolvimento F&B • Sartorius do Brasil

Em diversos setores da manufatura, a indústria brasileira consolidou posições competitivas bem estruturadas, baseadas na qualidade dos produtos e processos, na eficiência e flexibilidade das operações. A competitividade, atualmente, alcançada nas diversas áreas industriais tem origem na aplicação do conhecimento para a melhoria dos processos produtivos, na gestão da produção e na inovação. Podemos também afirmar que neste mercado global e competitivo as organizações estão reformulando suas estratégias para sustentar suas vendas e lucros, sendo que para muitas empresas bem sucedidas suas novas estratégias têm oferecido produtos reconhecidamente superiores.

A embalagem, sem dúvida alguma, é a “menina dos olhos” para a promoção de produtos no mercado. As compras são, muitas vezes, motivadas pelo desejo. Esse é um dos motivos pelos quais as embalagens são tão importantes. Elas reúnem funções que vão além da apresentação visual. Acredito que, desde que os gargalos de produção sejam bem conhecidos, administrados e controlados, a diversidade em sku´s pode ser positiva e, até mesmo, melhorar o lucro de uma empresa quando isso é feito de forma eficiente. A gestão das matérias primas, o acompanhamento de produção, dos equipamentos de envase e a correta análise dos custos são, em minha opinião, a chave para o sucesso nesta diversificação.

Uma linha com alto grau de flexibilidade possui um alto padrão de eficiência, pois ultrapassa eficientemente os “vales” da desaceleração – troca – aceleração, portanto, adequada para
uma alteração do padrão
de consumo pós pandemia

José Rodolfo Nunes de Faria, Diretor • Delta Gestão Industrial

A flexibilidade de uma linha pode ser maior ou menor a depender do tamanho do esforço (mão de obra, método, máquina e material) para realizar o setup e as atividades paralelas inerentes a ele. O “quick-change-over” (tempo para a linha atingir a performance de antes do início da desaceleração para a parada) é a medida de eficiência da flexibilidade da linha. Uma linha com alto grau de flexibilidade possui um alto padrão de eficiência, pois ultrapassa eficientemente os “vales” da desaceleração – troca – aceleração, portanto, adequada para uma alteração do padrão de consumo pós-pandemia.

Quanto à diversificação de embalagens, as trocas de formatos impactam negativamente na eficiência, pois aumentam a ociosidade da mão de obra e das utilidades pela indisponibilidade das linhas de produção. A empresa deve fazer uma análise daquilo que o mercado está demandando de sku’s e procurar retirar temporariamente de linha aqueles produtos de curva C e talvez alguns da curva B, porém sem se descuidar da estratégia de portfólio.

O ponto chave é ter um sistema que trabalhe com menor tempo de troca de formatos e menor perda
no arranque da linha

Marcelo Cozac, Diretor • McPack Equipamentos

Flexibilidade não contribui diretamente com a eficiência. Quanto mais flexibilidade, menos eficiência, no meu ponto de vista. O ponto chave é ter um sistema que trabalhe com menor tempo de troca de formatos e menor perda no arranque da linha. Agora, no que se refere à diversificação, isso é muito importante nesse momento, pois oferece mais oportunidades de venda. Como exemplo, no segmento de cervejas artesanais, uma alternativa nesse momento são as latas, pois podem vender no delivery e em supermercados.

A diversificação impacta, normalmente, negativamente na eficiência, porém, nesse momento,
a diversificação parece
ser fundamental

Homero Guercia, CEO • Guercia & Guercia Consultoria

Sem dúvida, a flexibilidade pode contribuir para a melhor eficiência da linha, daí a importância de reduzir os tempos de troca de ferramental. No entanto, a diversificação impacta, normalmente, negativamente na eficiência, porém, nesse momento, a diversificação parece ser fundamental.

Nesse período, o ideal é um misto
de linhas rápidas e dedicadas
com outras mais lentas e flexíveis

Paulo Villas, Diretor de Operações Técnicas Coca-Cola Brasil

 Num ambiente de baixa demanda a eficiência é extremamente importante para se obter baixos custos. As fábricas terão que se adaptar a essa nova realidade com produtividade e eficiência na operação.

O sistema Coca-Cola já tinha um programa muito forte para redução do consumo de água, energia e outros insumos e tudo isso ajudará muito nesse sentido. A flexibilidade das linhas de envase pode também contribuir nesse período, embora o ideal seja um misto de linhas rápidas e dedicadas com outras mais lentas e flexíveis.

A diversificação de embalagens hoje é uma necessidade, pois cada vez mais as indústrias precisam atender a segmentos específicos de mercado e serem capazes de realizarem produções customizadas
e muito variadas

Luis Pino, Gerente de Treinamento Técnico e Service • KHS

Linhas com maior flexibilidade, no sentido de serem capazes de produzir uma quantidade maior de formatos diferentes de garrafas/latas, têm normalmente um menor OEE já que as trocas de formatos irão reduzir a Disponibilidade da Linha, e se essa troca for mal executada pode reduzir também a eficiência da linha, além de reduzir a taxa de qualidade, portanto, sua produção com os diferentes formatos deve ser planejada da maneira mais otimizada possível para diminuir esses impactos. Hoje, já existem ferramentas excelentes que auxiliam muito esse planejamento como o sistema MES e sua integração com os softwares ERP. Treinamentos focados no “change over”, as trocas de formato, também podem minimizar esses impactos.

A diversificação de embalagens é uma necessidade pois, cada vez mais, temos que atender a segmentos específicos de mercado, o que exige da indústria de bebidas capacidade de realizar produções customizadas e muito variadas. As empresas que não atenderem essa demanda ficarão com certeza para trás na preferência dos consumidores. O custo para isso é alto, pois depende de linhas flexíveis e todos os cuidados que elas requerem para minimizar o impacto na disponibilidade (planejamento otimizado das produções), eficiência da linha (grande quantidade de change overs) e na taxa de qualidade por conta de ajustes realizados de maneira incorreta.

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