Veolia impulsiona nova abordagem de segurança hídrica

O tema deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um pilar fundamental da resiliência econômica e competitividade industrial

A água sempre foi o ingrediente mais importante da indústria de alimentos e bebidas. Mas o que antes era tratado como recurso abundante agora se tornou uma questão de sobrevivência estratégica. Com previsões indicando que a demanda por água doce poderá exceder a oferta em 40% até 2030, engarrafadores, cervejarias, produtores de refrigerantes e toda a cadeia de alimentos e bebidas precisam repensar urgentemente sua relação com este recurso vital.

A Veolia está mobilizando governos, indústrias e instituições financeiras para acelerar a adoção de tecnologias de reutilização de água. O alerta é claro: a segurança hídrica deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um pilar fundamental da resiliência econômica e competitividade industrial.

Água: do insumo ao ativo estratégico

Na indústria de alimentos e bebidas, a água não é apenas um insumo – é o coração da operação. Seja no enxágue de garrafas, na formulação de bebidas, nos processos de limpeza CIP ou no resfriamento de equipamentos, cada etapa produtiva depende de água em quantidade e qualidade adequadas.

A água tornou-se uma questão de preocupação estratégica. A demanda por água doce está prevista para ultrapassar a oferta em 40% até 2030″, afirma Anne Le Guennec, CEO global das atividades de tecnologias da água da Veolia e membro do Comitê Executivo do Grupo . A executiva reforça que a indústria precisa abandonar a visão linear do uso da água e tratá-la como um recurso renovável, combinando água doce e água reciclada para atender necessidades críticas.

O custo real da escassez

A escassez de água representa riscos concretos: interrupção da produção, aumento de custos operacionais, perda de licença social para operar e comprometimento de metas de descarbonização. Novas regulamentações estão acelerando a adoção da reutilização de água, e a licença social para operar agora depende de as empresas demonstrarem impacto ambiental mensurável.

No Brasil, nove em cada dez pessoas reconhecem a necessidade de governos e empresas implementarem soluções ecológicas para enfrentar a crise climática, segundo estudo do Barômetro de Transformação Ecológica, uma pesquisa realizada pela Veolia e Elabe com o objetivo de compreender o nível de eco-ansiedade da população frente às crises climáticas e de aceitação de soluções ecológicas.

Tecnologias disponíveis

Apesar dos avanços tecnológicos, apenas 8% da água do mundo é atualmente reutilizada. Para enfrentar esse cenário, a Veolia reuniu 34 partes interessadas internacionais em uma Assembleia que resultou em um documento técnico com dez propostas práticas para acelerar a implementação de soluções de reutilização de água.

A empresa planeja disponibilizar, até o final de 2026, uma ferramenta de código aberto que calculará o impacto financeiro projetado da escassez de água.

As mudanças climáticas alteraram drasticamente a situação da água. As soluções já existem para reciclagem e preservação dos recursos hídricos. O que precisamos agora são ferramentas financeiras e econômicas robustas”, afirma Esther Crauser-Delbourg, economista da área de recursos hídricos.

Aplicações práticas

São diversas as aplicações no processo de produção de bebidas: reúso de água de enxágue, tratamento avançado de efluentes, sistemas de circuito fechado para torres de resfriamento e recuperação de água de processos de concentração.

No Brasil, as operações da Veolia ajudaram a recuperar mais de 2,4 milhões de metros cúbicos de água em 2025 e possibilitaram uma redução de mais de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalente, no que a Veolia chama de escopo 4. Um exemplo é a unidade da Rhodia em Santo André (SP), que alcançará 94% de reutilização de água – equivalente a conservar 133 piscinas olímpicas por ano.

“Tecnologias avançadas são cruciais para construir a infraestrutura resiliente para cidades e indústrias em expansão, protegendo a saúde pública e os recursos ambientais em escalas sem precedentes”, afirma Mauro Cruz, Vice-Presidente Executivo das atividades de tecnologias de água da Veolia na América Latina.

O momento de agir

Para a indústria de alimentos e bebidas, o reúso de água não é mais uma opção, mas uma necessidade estratégica. Empresas que adotarem proativamente essas tecnologias garantirão sua continuidade operacional e conquistarão vantagens competitivas: redução de custos, conformidade regulatória, fortalecimento da reputação e contribuição efetiva para metas de sustentabilidade.

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