Qual o mapa da produção de cerveja no Brasil?

Publicado pelo MAPA, o Anuário da Cerveja 2026 mostra as zonas de elevada concentração de cervejarias


Servida gelada, ela está nas mesas dos bares, restaurantes e nas confraternizações em todo o País. Mas os estabelecimentos que as produzem, as cervejarias, estão bastante concentrados nas regiões Sul e Sudeste. É o que mostram os mapas gerados pela Embrapa Territorial para o Anuário da Cerveja 2026.

Responsável pelo material cartográfico solicitado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o analista Rafael Mingoti chama a atenção para as zonas escuras no entorno das capitais de quase todos os estados do Sudeste e do Sul, no mapa de calor. Elas mostram zonas de elevada concentração de cervejarias nessas áreas.

Em Minas Gerais, é diferente. Em vez do entorno de Belo Horizonte, as indústrias estão no Sul do estado. O mapa também destaca o Noroeste do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina, onde estão municípios que cultivam cereais de inverno, entre eles a cevada, principal matéria-prima da cerveja.

Para Mingoti, além de prover o poder público de informações para guiar políticas e o acompanhamento do setor, os mapas permitem ao setor privado visualizar oportunidades de investimento. No Nordeste, por exemplo, a produção está praticamente restrita à faixa litorânea.

Publicado pelo MAPA, o Anuário da Cerveja 2026 revela que o País registrava mais de 44 mil cervejarias em 2025, distribuídos em 794 municípios – 1 em cada 7. São Paulo é o estado com maior número de estabelecimentos registrados – eram 452 em 2025. Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. Todas as unidades da federação possuem ao menos uma cervejaria – caso do Amapá e Roraima.

A capital paulista é o município com maior número de cervejarias, com 61 estabelecimentos registrados. O anuário aponta ampliação no número de cidades com dez ou mais cervejarias, totalizando 25 municípios em 2025. No indicador de densidade cervejeira, o Brasil apresenta média de uma cervejaria para cada 108.794 habitantes. Santa Catarina lidera o ranking nacional, com uma cervejaria para cada 32.625 habitantes.

Cevada no campo

As cervejarias brasileiras ainda dependem da importação de cevada e de malte. Segundo a legislação brasileira, para ser considerada cerveja, a bebida precisa contar com 55% de malte de cevada na formulação. “O Brasil ainda não é autossuficiente na produção de cevada para abastecer a indústria. Precisamos aumentar a produção em quatro vezes para atender a demanda de 2,3 milhões de toneladas de cevada cervejeira”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo, Aloisio Vilarinho.

A Embrapa trabalha há 50 anos no desenvolvimento de cultivares de cevada cervejeira. Nos últimos anos, o principal desafio na Região Sul, principal polo de produção, tem sido o excesso de chuvas pré-colheita, que compromete a qualidade da cevada cervejeira. Além de cultivares mais tolerantes a doenças e à germinação pré-colheita, a Embrapa também investe em pesquisas no desenvolvimento de cultivares de cevada irrigada, aptas ao cultivo no ambiente quente e seco do Cerrado brasileiro, onde os riscos com mudanças climáticas são menores e as produtividades superiores à cevada de sequeiro cultivada na Região Sul.

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