Publicado em 22 de setembro de 2026
Empresas passaram anos investindo em tecnologia para transformação. Agora, destinam cifras significativas à IA, mas não conseguem vencer o maior obstáculo à inovação: a resistência à mudança
Kearney, consultoria global de gestão estratégica, acaba de divulgar a edição 2026 do Kearney Transformation Study. Intitulado The adoption gap: why most transformations fail after the strategy is approved (A lacuna da adoção: por que a maioria das transformações fracassa depois que a estratégia é aprovada), o levantamento aponta que, apesar dos investimentos sem precedentes em IA e mudança organizacional, a parcela de transformações que entrega de forma consistente o valor originalmente previsto é de apenas 29%.
A pesquisa ouviu 102 executivos seniores responsáveis por transformação, de empresas de diferentes tamanhos e setores. Os resultados apontam que a resistência à mudança, e não a falta de estratégia ou de tecnologia, é o principal obstáculo ao sucesso das transformações. Além disso, a análise indica que empresas que adotam uma abordagem centrada nas pessoas são exceção a uma tendência.
O levantamento ainda aponta que:

Os resultados apontam que a resistência à mudança, e não a falta de estratégia ou de tecnologia, é o principal obstáculo ao sucesso das transformações
O estudo identifica a necessidade de estruturar as transformações em torno de quatro elementos humanos que se reforçam mutuamente: motivação, contribuição humana, capacidade de mudança e competências.
“As empresas se tornaram muito melhores em projetar e lançar transformações, mas não avançaram na mesma proporção na tarefa de fazer com que as transformações sejam de fato adotadas”, afirmou Jennifer McGee, sócia da Kearney e principal autora do relatório. “Esse é o paradoxo: temos mais tecnologia, métodos de transformação mais sofisticados e mais investimentos do que nunca. Ainda assim, tem sido difícil alcançar valor nesses projetos. A próxima vantagem em transformação não virá apenas de uma estratégia melhor. Ela virá do sucesso na adoção.”
O estudo investiga a percepção das lideranças sobre a eficácia dos esforços de transformação e as abordagens adotadas pelas empresas para melhorar a preparação e a adoção, incluindo:

Levantamento da Kearney aponta que, apesar dos investimentos sem precedentes em IA e mudança organizacional, a parcela de transformações que entrega de forma consistente o valor originalmente previsto é de apenas 29%
“A adoção não é algo que acontece depois que uma transformação é desenhada. Ela precisa orientar a transformação desde o início”, afirmou McGee. “Isso significa projetar a mudança a partir do que motiva as pessoas, dar à organização um papel significativo na definição da mudança, criar capacidade para absorvê-la e desenvolver competências antes que elas sejam necessárias. Quando esses elementos chegam tarde demais, as organizações passam o restante da transformação tentando superar uma resistência que elas mesmas ajudaram a criar.”
Para o coautor do relatório Bryan Arcati, sócio da área de Estratégia, Crescimento e Transformação Organizacional da Kearney, a IA torna essa questão ainda mais urgente.
“A IA torna a transformação centrada nas pessoas mais urgente, e não menos. Em um momento em que a maioria dos líderes não observa impacto financeiro mensurável na maior parte de suas iniciativas de IA, fica claro que a capacidade digital, por si só, não é suficiente. As organizações que conseguirem fechar essa lacuna serão aquelas que desenvolverem capacidades antes da implementação, preparando os líderes para redesenhar o trabalho, ajudando os funcionários a desenvolver confiança e discernimento no uso da IA e reforçando diariamente novas formas de trabalhar.”