Em segundo lugar aparece Mato Grosso
São Paulo puxou a alta dos empregos formais no Brasil no mês de julho. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, foram abertas no estado 21.805 novas vagas no último mês. O saldo total no Brasil (que corresponde à diferença entre o número de admissões e demissões) foi de 35.900. Em segundo lugar ficou o estado do Mato Grosso, com a criação de 8.085 postos, seguido por Goiás, com 4.745 novas vagas.
O que fez o desempenho paulista ficar tão positivo em julho foram os bons resultados na maioria das áreas da economia. Dos oito setores, cinco tiveram saldo positivo: Comércio (+8.957 postos); Serviços (+6.729); Agropecuária (+3.599); Indústria de Transformação (+2.791) e Construção Civil (+459). São Paulo é também a unidade da federação que mais criou vagas este ano no Brasil. Com esses números, o Sudeste só não apresentou o melhor desempenho regional do país nesse mês por causa do Rio de Janeiro, onde foram fechadas 9.320 vagas, deixando a região com saldo final positivo em 11.764 postos.
Os outros dois estados que mais criaram empregos formais em julho ficam no Centro-Oeste, que fechou o mês com o melhor resultado regional: 12.211 novas vagas. No Mato Grosso, o que motivou o crescimento foram principalmente a Agropecuária (+3.211 postos), a Indústria de Transformação (+2.298 postos) e os Serviços (+1.188 postos). Já em Goiás foram os Serviços (+1.621 postos), a Indústria de Transformação (+1.234 postos) e a Construção Civil (+782 postos).
E não foi apenas em julho que Goiás apresentou resultados positivos. O estado tem se mostrado o mais estável na geração de empregos no país. Foi o terceiro colocado em criação de novas vagas no último mês; terceiro nos primeiros sete meses do ano; e primeiro no ranking dos últimos 12 meses (de agosto de 2016 a julho de 2017), quando apenas três unidades da federação tiveram desempenho positivo. As outras duas foram Santa Catarina e Roraima.
No Nordeste, que fechou o mês de julho com 6.641 vagas a mais do que junho, a alta dos empregos formais foi puxada pelos estados do Ceará (+1.871), Maranhão (+1.567) e Rio Grande do Norte (+963). No Norte, onde o desempenho ficou positivo em 5.346 vagas, lideraram a criação de vagas o Amazonas (+1.888), o Pará (+1.862) e Rondônia (+1.256). O Sul foi a única região que teve saldo negativo, com o fechamento de 62 postos, por causa do Rio Grande do Sul (-1.149). Nos outros dois estados, os resultados foram positivos. Paraná criou 959 postos e Santa Catarina, 128.
Desempenho nacional
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Nacionalmente, 20 das 27 unidades da federação fecharam julho com novas vagas de emprego criadas. Dos 25 subsetores econômicos, 17 empregaram mais do que demitiram, o que aponta uma consolidação da recuperação econômica, notícia que foi comemorada pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. “Isso mostra que o país está no rumo certo e que o governo federal está tomando as medidas necessárias para colocar novamente o Brasil no rumo do crescimento econômico e da recuperação do emprego”, disse.
O principal responsável pelo desempenho de julho foi o setor da Indústria de Transformação, onde foram criadas 12.594 vagas. O número foi puxado pela indústria de produtos alimentícios, que gerou 7.995 postos, e pela indústria do material de transporte, que criou 2.282 postos. Esse último subsetor inclui a indústria automobilística, o que sinaliza a confiança dessas empresas na retomada do poder de compra e da demanda de crédito por parte da população, considerando que se trata de bens duráveis e de valor mais elevado.
Na mesma linha do desempenho automobilístico encontra-se a Construção Civil, que, após 33 meses de saldos negativos, criou 724 vagas formais em julho. A última vez de saldo positivo no setor foi em setembro de 2014, quando tinham sido abertos 8.437 postos. O coordenador de estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães, avalia esse resultado como uma sinalização de que o processo de retomada da economia está se generalizando entre os diversos setores de atividade no país.
“O crescimento do nível de emprego na indústria automobilística e na construção civil indica, em princípio, que há uma expectativa de que as famílias estão recuperando sua capacidade de endividamento e, assim, ampliando a demanda de consumo como um todo. São dois setores cuja produção está fortemente associada a contratação de financiamento e não apenas a fatores sazonais, como a da Agropecuária, por exemplo, que até o momento vinha liderando a geração de empregos ao longo do primeiro semestre do ano. Este fato aponta para uma consolidação maior da recuperação econômica”, explicou.
Também indica tendência de consolidação desse crescimento o desempenho dos Serviços, que geraram 7.714 novas vagas em junho, especialmente no subsetor de comércio e administração de imóveis, valores mobiliários e serviços técnicos profissionais, em que boa parte das atividades está relacionada à construção civil.
O Comércio teve desempenho positivo tanto no atacado quanto no varejo. O resultado foi um saldo de 10.156 novas vagas. E a Agropecuária também segue gerando empregos formais, com a criação de 7.055 postos a mais em julho, principalmente por causa da cana-de-açúcar e do café.
Apenas oito subsetores apresentaram performance negativa no último mês. Nessa situação, destacaram-se a Indústria da Borracha e do Fumo, com fechamento de 2.318 vagas, os Serviços Industriais de Utilidade Pública, com -1.125 vagas e a atividade de ensino, com 9.774 postos de trabalho a menos, devido à sazonalidade do meio do ano.
