Publicado em 8 de outubro de 2026
Mercado ganhou 4,1 milhões de lares compradores em um ano e avançou ao dobro do ritmo das proteínas em geral
As vendas de produtos com proteína adicionada cresceram 12% em valor no Brasil no ano móvel encerrado no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo levantamento da Worldpanel by Numerator, o avanço foi impulsionado principalmente pela entrada de 4,1 milhões de lares compradores. Com essa expansão, o segmento passou a alcançar 12,8 milhões de domicílios, equivalentes a 21% dos lares brasileiros.
O ritmo de crescimento foi duas vezes maior que o registrado pelo mercado de proteínas em geral, que inclui alimentos como carne bovina e frango. A ampliação da base de compradores ocorre em um cenário de maior diversidade de marcas e expansão da oferta de produtos com proteína adicionada para diferentes categorias.
“A procura por esses produtos está associada à percepção de saudabilidade e, principalmente, à praticidade. O consumidor busca incorporar a proteína à rotina de maneira conveniente, mas sem abrir mão do custo-benefício”, afirma Daniela Jakobovski, Diretora de Contas da Worldpanel by Numerator.
O movimento ganhou força em 2023, quando o segmento registrou crescimento de 194% em valor na comparação com o ano móvel de 2022. A partir de 2024, a expansão continuou, mas em ritmo menos intenso.
A distribuição dos lançamentos mostra como a oferta vem se transformando. Entre 2014 e 2023, os iogurtes responderam por 60% dos lançamentos de produtos com proteína adicionada. Já no recorte de 2025 e 2026 analisado pela Worldpanel by Numerator, os leites aromatizados passaram a liderar, com participação de 52%.
O atributo também começa a aparecer em categorias como cremes e pastas doces para pão, bolos prontos e snacks. A avaliação da empresa é que esses movimentos podem ganhar força, enquanto outros produtos lácteos e congelados, como marmitas e refeições prontas, apresentam oportunidades de expansão.
Nos lácteos, uma possibilidade é combinar proteína com indulgência, associada ao prazer de consumir. Nos congelados, a oportunidade está na conveniência de uma refeição pronta. Embora a busca atual pelos produtos com proteína adicionada esteja mais relacionada à saudabilidade e à praticidade, e menos à indulgência, a combinação desses atributos pode abrir espaço para novas propostas.
O crescimento do mercado em valor não significa que os lares estejam dispostos a gastar cada vez mais com esses produtos. Com a entrada de novas marcas, as famílias vêm escolhendo alternativas mais acessíveis e reduzindo seus gastos com o segmento. O comportamento indica maior procura por proteína adicionada, acompanhada de atenção à relação custo-benefício.
A análise também aponta diferenças entre gerações. A geração Z é a que mais consome produtos com proteína adicionada e atribui maior valor à comunicação desse benefício. Já os millennials estão entre as gerações que mais consomem proteína nas refeições e dão menos atenção à adição do ingrediente aos produtos.
Para a Worldpanel by Numerator, ainda é difícil determinar um ponto de saturação. Embora o mercado esteja consolidado em iogurtes e leites aromatizados, a expansão para outras categorias é recente. O risco de banalização do conceito dependerá de como os novos produtos serão apresentados e de como seus benefícios serão percebidos pelos consumidores.
“Os consumidores estão mais racionais e atentos ao que está no rótulo. Para preservar a relevância do atributo, a comunicação precisa deixar clara a quantidade de proteína correspondente à porção consumida em cada ocasião, e não apenas destacar o total presente na embalagem”, afirma Daniela.