Publicado em 4 de agosto de 2026
Com embarques para 79 países e faturamento de quase US$ 6,8 milhões, setor amplia presença no exterior impulsionado pela diversificação de mercados, promoção internacional e reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros
As exportações brasileiras de vinhos e espumantes mantiveram trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026 e confirmaram o avanço da vitivinicultura nacional no mercado internacional. Entre janeiro e junho, os embarques somaram US$ 6,79 milhões, alta de 23,73% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor exportado alcançou US$ 5,49 milhões.
O desempenho reflete um movimento que vem sendo construído ao longo dos últimos anos por meio da ampliação da presença do vinho brasileiro em mercados estratégicos, da consolidação de ações de promoção comercial e da diversificação dos destinos internacionais. No período, os produtos brasileiros chegaram a 79 países, um crescimento de 20,4% no número de mercados atendidos. Os resultados são acompanhados pelo Wines of Brazil, projeto setorial desenvolvido pelo Consevitis-RS em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para promover a internacionalização das vinícolas brasileiras.
“O resultado é reflexo de um trabalho contínuo de promoção internacional desenvolvido pelo Wines of Brazil em parceria com as vinícolas participantes. A presença em feiras internacionais, rodadas de negócios, ações com compradores e formadores de opinião, aliada ao amadurecimento das estratégias comerciais das empresas, têm ampliado a visibilidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no exterior. Também observamos uma maior diversificação de mercados, reduzindo a dependência de poucos destinos”, analisa o gerente de Promoção para Mercado Externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna.
Segundo ele, os números indicam uma evolução consistente do posicionamento do vinho brasileiro no cenário internacional, resultado de um processo contínuo de fortalecimento da imagem do país como produtor de vinhos de qualidade.

Rodadas internacionais promovidas pelo Exporta Mais Vinhos, na Wine South America, fazem parte da estratégia que impulsiona as exportações de vinhos brasileiros
Embora os espumantes continuem sendo o principal cartão de visitas da vitivinicultura brasileira no exterior, o primeiro semestre de 2026 trouxe um movimento importante: os vinhos registraram crescimento superior ao dos espumantes nas exportações em valor. Enquanto os espumantes avançaram 19,50%, atingindo US$ 1,18 milhão, os vinhos cresceram 24,66%, alcançando US$ 5,61 milhões.
Para Romagna, o desempenho demonstra que o reconhecimento internacional conquistado pelos espumantes brasileiros começa a se estender também aos vinhos tranquilos. “O crescimento demonstra que os vinhos brasileiros vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional em um contexto geral, complementando um movimento já consolidado dos espumantes. Observamos uma ampliação do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros em diferentes categorias.” Segundo ele, os espumantes seguem sendo uma importante porta de entrada para diversos mercados, mas cresce o interesse por vinhos que expressem a diversidade da produção nacional e agreguem valor pela origem e autenticidade.
A evolução das exportações acompanha uma mudança no comportamento do consumidor internacional. Cada vez mais, importadores buscam produtos capazes de contar histórias, traduzir seus territórios de origem e oferecer características únicas, movimento que favorece países produtores com identidade própria. “O consumidor internacional demonstra interesse por vinhos que contenham histórias, expressem seus territórios de origem e ofereçam uma identidade própria. É justamente nesse cenário que o vinho brasileiro tem conseguido se destacar.”
Romagna destaca que o Brasil reúne características pouco comuns no cenário mundial, como a convivência de três modelos distintos de vitivinicultura. “Hoje conseguimos apresentar ao mercado internacional vinhos produzidos em regiões tradicionais, vinhos de inverno e vinhos tropicais. Essa diversidade amplia nossa capacidade de atender diferentes perfis de consumidores e fortalece o posicionamento do Brasil como um produtor inovador.”
Outro diferencial é o reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros, reforçado pela criação da primeira Denominação de Origem específica para espumantes do Hemisfério Sul, consolidando a reputação do país nessa categoria.
Boa parte desse crescimento está diretamente ligada às ações desenvolvidas pelo Wines of Brazil. Ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, o projeto intensificou sua presença em alguns dos principais eventos mundiais do setor, como a Wine Paris, a ProWein Düsseldorf e a Vinexpo America, além de promover rodadas de negócios, missões comerciais e projetos compradores realizados no Brasil. “O Wines of Brazil atua como um facilitador do processo de internacionalização das vinícolas brasileiras. Essas iniciativas aproximam empresas e compradores internacionais, gerando oportunidades comerciais que contribuem diretamente para o crescimento das exportações.”

O Buyer Project promove encontros entre compradores internacionais e vinícolas brasileiras, uma das ações do Wines of Brazil para ampliar a presença dos produtos nacionais no mercado externo
Além do crescimento em valor, outro indicador considerado estratégico pelo Wines of Brazil é a ampliação da presença internacional. Em vez de concentrar as exportações em poucos destinos, a estratégia tem buscado fortalecer mercados consolidados e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades comerciais. “Houve crescimento em mercados já consolidados e também a entrada em novos destinos, resultado da estratégia de prospecção internacional desenvolvida pelo Wines of Brazil e pelas vinícolas participantes.”

A participação em feiras internacionais integra a estratégia do Wines of Brazil para ampliar a visibilidade dos vinhos brasileiros e gerar oportunidades de negócios no mercado externo
Entre os exemplos citados por Romagna está a Rússia, mercado que passou a receber atenção especial do projeto nos últimos anos em função de mudanças no cenário internacional. “Identificamos uma oportunidade de mercado e passamos a investir continuamente na prospecção de compradores daquele país.”
Para os próximos anos, os mercados considerados prioritários pelo projeto incluem Estados Unidos, China, Reino Unido, México e Paraguai, sem deixar de acompanhar oportunidades em países como Japão, Emirados Árabes Unidos e Rússia.
Mesmo diante das incertezas do cenário econômico internacional, a expectativa é de continuidade do processo de internacionalização. “Os resultados do primeiro semestre reforçam perspectivas positivas para o restante de 2026. Naturalmente, o cenário internacional exige cautela diante das oscilações econômicas e geopolíticas, mas acreditamos que o trabalho consistente de promoção internacional continuará ampliando a presença do vinho brasileiro no exterior”, afirma Romagna.
Crédito: Wines of Brazil, divulgação