Publicado em 27 de julho de 2026
São Paulo é o maior produtor brasileiro de batata-doce
O Governo de SP, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef, formalizaram uma parceria tecnológica para desenvolver cultivares industriais de batata-doce destinadas à produção de etanol e biometano.
O acordo prevê projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A parceria une a experiência do IAC em melhoramento genético à demanda da agroindústria por materiais mais produtivos e adaptados ao processamento industrial.
“Nossa missão é encurtar a distância entre a pesquisa e a porteira da fazenda. O IAC tem o conhecimento técnico, e o setor produtivo sabe a demanda do dia a dia. Essa parceria faz exatamente isso: tira a burocracia do caminho para viabilizar a batata-doce como bioenergia e gerar competitividade real para o agro”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
O IAC desenvolve cultivares de batata-doce com foco em produtividade, resistência a doenças e adaptação às diferentes regiões do Estado. Com a parceria, as pesquisas passam a incorporar características específicas para o uso industrial, como maior teor de matéria seca e amido, além de maior rendimento na produção de etanol.
Os estudos também incluem o aproveitamento da biomassa e dos resíduos do cultivo para geração de biogás e biometano, ampliando o potencial da cultura na matriz de energia renovável.
“A região reúne condições climáticas muito favoráveis ao cultivo da batata-doce. Agora teremos a oportunidade de avaliar materiais desenvolvidos pelo IAC diretamente no ambiente de produção, aproximando ainda mais a pesquisa das necessidades da agroindústria”, destaca o pesquisador do IAC, Valdemir Antonio Peressin.
Segundo ele, entre os materiais que serão avaliados estão a cultivar industrial IAC Santa Elisa e os clones IAC 737 e IAC 708, em fase final de desenvolvimento e com elevado potencial para uso na produção de biocombustíveis.
A iniciativa também cria novas oportunidades para a cadeia da batata-doce na região de Presidente Prudente, principal polo produtor do Estado.
“Nossa proposta é aproveitar integralmente a batata-doce, inclusive raízes que hoje têm baixo valor comercial por estarem fora do padrão de mercado. Isso agrega renda ao produtor e cria uma nova alternativa para abastecer a indústria de biocombustíveis”, afirma o presidente da Agropecuária Vista Alegre, Marcos Antônio Pompei.
O IAC é uma das principais instituições brasileiras no desenvolvimento de cultivares de batata-doce para alimentação, indústria, biofortificação e uso ornamental.
Entre os materiais mais recentes está a IAC Dom Pedro II, cultivar biofortificada que apresenta concentração de carotenoides 64,7 vezes superior à das variedades de polpa branca mais cultivadas e produtividade 48,6% maior.
A parceria complementa outra iniciativa anunciada durante a Feicorte 2026, quando ITESP e Agropecuária Vista Alegre firmaram protocolo de intenções para a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais.
A proposta prevê estudos para o cultivo de 150 hectares de batata-doce destinados à produção de etanol e biometano e 80 hectares de eucalipto para biomassa, com potencial para beneficiar 45 famílias assentadas.
São Paulo é o maior produtor brasileiro de batata-doce. Em 2025, o Estado produziu 149,5 mil toneladas, com Valor da Produção Agropecuária de R$ 183,95 milhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta).
A Região Administrativa de Presidente Prudente respondeu por 81,5 mil toneladas, o equivalente a 54,5% do valor da produção estadual, reunindo cerca de 180 produtores em municípios como Alfredo Marcondes, Álvares Machado, Caiabu, Martinópolis, Narandiba, Pirapozinho, Presidente Bernardes e Santo Expedito.