Publicado em 24 de julho de 2026
Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos registrou crescimento no primeiro semestre de 2026
No primeiro semestre de 2026, o Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos registrou crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2025, interrompendo a retração observada no ano anterior (-3,9%) e recolocando o indicador em campo positivo.
Embora o ritmo de crescimento permaneça abaixo dos níveis observados nos períodos de maior expansão da série histórica, o desempenho do primeiro semestre representa uma mudança de direção em relação ao comportamento observado em 2025, o resultado reforça que a renovação de portfólio permanece como uma estratégia relevante para a indústria de transformação, evidenciando a continuidade da movimentação empresarial na incorporação de novos produtos e na atualização de suas ofertas.
A interpretação do resultado de 2026 requer uma análise da trajetória recente do indicador. Entre 2020 e 2025, a indústria brasileira operou em um ambiente marcado por relevantes transformações econômicas, produtivas e logísticas. Nesse período, empresas e cadeias produtivas conviveram com os efeitos da pandemia de Covid-19, a reorganização das cadeias globais de suprimentos, o processo de retomada da atividade econômica, pressões inflacionárias e conflitos geopolíticos que influenciaram o ambiente de negócios em escala global.
Embora o Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos não estabeleça relações de causa e efeito com esses acontecimentos, eles compõem o contexto econômico no qual as empresas tomaram decisões relacionadas à renovação, ampliação e diversificação de seus portfólios. Dessa forma, a análise da trajetória do indicador deve considerar as mudanças de cenário que influenciaram o planejamento, os investimentos e as estratégias de desenvolvimento de produtos da indústria brasileira.
A evolução da série histórica mostra que a diversificação de portfólio não ocorreu de forma linear.
Após o crescimento de 23,8% no primeiro semestre de 2021, o indicador permaneceu em trajetória positiva em 2022 (+11,7%) e voltou a acelerar em 2023 (+21,9%), consolidando um ciclo de forte expansão da atividade de registros de produtos.
No primeiro semestre de 2024, mesmo diante de uma base de comparação elevada, o índice sustentou a estabilidade (+0,5%), indicando manutenção dos níveis de diversificação observados no ano anterior. Já em 2025, o indicador recuou 3,9%, refletindo um movimento de acomodação após três anos consecutivos de crescimento expressivo.
Sob essa perspectiva, o avanço de 3,4% registrado no primeiro semestre de 2026 representa a interrupção desse movimento de retração e o retorno do indicador ao campo positivo.
Uma das características do Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos é a presença de um padrão sazonal na dinâmica de registros ao longo do ano. A série histórica mostra que o processo de renovação e diversificação de portfólio tende a ganhar intensidade gradualmente à medida que o ano avança.
Historicamente, o ciclo é marcado pela retomada da atividade de registros no primeiro trimestre, consolidação no segundo, maior intensidade no terceiro e desaceleração no quarto trimestre. Esse comportamento sugere que a renovação de portfólio não ocorre de forma uniforme ao longo do ano, acompanhando os ciclos de planejamento, desenvolvimento e execução das estratégias de produtos da indústria.
O avanço observado no primeiro semestre de 2026 deve ser interpretado como parte de um período que, historicamente, antecede os níveis mais elevados de atividade de diversificação registrados ao longo do ano.
O Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos é composto por duas dimensões complementares: Fabricantes e Mercadorias. O componente Fabricantes acompanha a participação das empresas na execução dos registros, refletindo a abrangência da renovação de portfólio na indústria. Já o componente Mercadorias mensura a variedade de itens registrados, evidenciando a intensidade da diversificação dos produtos.
A leitura conjunta desses componentes revela que o crescimento observado em 2026 ocorreu de forma diferente daquela verificada nos ciclos anteriores. De maneira geral, os avanços registrados entre 2021 e 2024 estiveram mais associados ao crescimento do componente Mercadorias, indicando que a diversificação era impulsionada principalmente pelo aumento da quantidade de produtos registrados pelas empresas.
No primeiro semestre de 2026, essa configuração mudou. Embora o componente Mercadorias tenha permanecido em campo positivo (+0,6%), o principal vetor de crescimento passou a ser o componente Fabricantes, que avançou 5,7%.
O resultado indica que um número maior de empresas passou a participar do processo de renovação e diversificação de portfólio. Em outras palavras, o crescimento deixou de estar concentrado predominantemente na ampliação da quantidade de produtos registrados e passou a refletir uma participação mais ampla dos fabricantes nesse movimento.
Essa configuração não representa uma perda de intensidade da diversificação, mas uma característica distinta da sua composição. Enquanto o componente Fabricantes evidencia a disseminação da renovação de portfólio entre as empresas, o componente Mercadorias revela a intensidade da ampliação da variedade de produtos.
Assim, os resultados do primeiro semestre de 2026 apontam uma diversificação mais disseminada entre os fabricantes e mais seletiva na ampliação dos produtos. Em vez de promover uma expansão intensa da quantidade de itens registrados, um número maior de empresas passou a incorporar novos produtos aos seus portfólios, movimento compatível com estratégias mais direcionadas de atualização da oferta e gestão do mix de produtos.