Publicado em 22 de junho de 2026
Base de dados mais ampla e curva específica para o Sistema Cantareira visam elevar ainda mais a capacidade de acompanhamento preventivo, reforçando a segurança hídrica
O Governo de São Paulo anunciou o aperfeiçoamento da metodologia de monitoramento da segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). A atualização era prevista na deliberação do ano passado e considera as contribuições da consulta pública, as atualizações nas projeções hidrológicas e a experiência acumulada do primeiro ano de aplicação.
A metodologia incorpora três pontos principais: 1) uma base de dados mais ampla, que considera a série histórica do comportamento hidrológico dos últimos 15 anos – este período também contempla eventos climáticos relevantes, como El Niño e La Niña, inclusive diante da previsão de ocorrência desses fenômenos nos próximos meses; 2) o monitoramento simultâneo do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e do Sistema Cantareira, que passa a ter uma curva própria; 3) e a alteração na forma de anúncio da faixa vigente, que passa a ser definida em reunião mensal do Comitê de Integração das Agências, com emissão de nota técnica no último dia do mês em análise.
“Estamos apresentando aqui hoje uma evolução importante a partir de todo um trabalho de gestão hídrica planejado, transparente e estruturado, que está inserido na estratégia climática do Estado estabelecida desde 2023. Agora teremos uma base de dados ainda mais robusta, com um olhar especial sobre o Cantareira por causa do comportamento particular que temos observado nesse sistema, e esses aprimoramentos vêm para ampliar ainda mais a nossa capacidade de prevenção e resposta rápida às mudanças climáticas, conferindo mais resiliência hídrica aos paulistas”, enfatizou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Ela destacou a relevância da metodologia de gestão hídrica no estado de São Paulo, que foi fundamental para garantir a preservação do Sistema Integrado Metropolitano em 2025, ano com baixo volume de chuvas.
“Nossas reuniões são semanais e ao longo de todo esse período temos analisado a situação hídrica continuamente, atuando sempre com base em prevenção e contingência”, disse ela. A GDN, uma das medidas adotadas para a preservação dos reservatórios desde 28 de agosto de 2025, economizou mais de 158 bilhões de litros, volume equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 27,65 milhões de pessoas, mais que a população da Região Metropolitana.
De acordo com a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, o Sistema Cantareira tem um comportamento diferente do restante do Sistema Integrado, com um período chuvoso que começa depois do restante do SIM e vai até o final de maio. Além disso, em 2025/2026, o Cantareira apresentou um volume de chuvas muito abaixo da média (62% da média hidrológica em 2025/2026, contra 90% em 2024/2025), o que justifica a necessidade de um acompanhamento mais individualizado. “A inclusão de uma curva específica de contingência do Cantareira nos dá mais segurança de que estamos enxergando o cenário completo, ampliando nossa capacidade de antecipar tendências importantes no comportamento hidrológico”, disse.
O diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, explicou que as faixas de atuação que orientam a evolução das medidas de contingência seguem as mesmas. Elas vão de 1 a 7 e estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), a gestão de demanda noturna de 8, 10, 12, 14 e 16 horas, e o rodízio entre regiões, respectivamente. Em todas as faixas também há medidas previstas de comunicação e suporte à população.
“O que muda é que, em vez de adotarmos o prazo de 7 dias para avançarmos de faixa, e 14 dias para voltarmos à faixa anterior, passaremos a avaliar mensalmente o cenário no Comitê de Integração das Agências”, explicou Diego. A nova periodicidade segue a adotada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas para o Sistema Cantareira.
Ao todo foram 192 manifestações apresentadas por concessionárias, órgãos públicos, entidades da sociedade civil e cidadãos interessados. Dessas, 89 resultaram em aperfeiçoamentos no texto final da metodologia, reforçando o caráter participativo e transparente do processo regulatório.