Perfeitamente equilibrada


Extraindo todas as propriedades do meio ambiente sem a necessidade
de manipulação, água mineral tem crescido no mercado diante das
necessidades da população, que pede por bebidas naturais e saudáveis

| KATHLEN RAMOS |

Seja qual for a idade, sabe-se que o consumo de água é vital para o organismo. Além da função intrínseca de hidratação, esse líquido regula a temperatura corporal, garante o bom funcionamento do sistema circulatório, realiza o transporte de nutrientes, entre outras atribuições vitais. Somados a todos esses requisitos, a água também satisfaz as necessidades da população que busca hábitos saudáveis e a prevenção de doenças.”Hoje, há uma conscientização sobre a importância do consumo de, pelo menos, dois litros de água por dia. Com uma ingestão tão grande, vem a preocupação pelo uso de um produto de qualidade”, aponta o diretor-presidente da Bebidas Fruki, detentora da marca Água da Pedra, Nelson Eggers.

Para garantir qualidade e lucratividade, fabricantes apostam em automação. “Conseguimos envasar pouco mais de
seis garrafas de 500ml em um segundo,
o que nos dá um total de 22 mil garrafas por hora”, Nelson Eggers, Bebidas Fruki

É justamente a necessidade por qualidade um dos pilares que tem feito a versão mineral da água se destacar nesse cenário. Afinal, entre os componentes naturalmente presentes nesse líquido estão o flúor, que atua na prevenção de cáries; o magnésio, que previne hipertensão; o cromo, responsável por regular as taxas de açúcar no sangue; o zinco, que age no sistema imunológico; o cálcio, que opera na prevenção da osteoporose; entre outros componentes e benefícios.

Juntas, todas essas prerrogativas fazem com que essa bebida cumpra um papel que vai muito além do de “matar a sede” e se fortaleça na lista de necessidades do consumidor, trazendo sólidos reflexos nesse mercado. “Hoje, o Brasil é o quarto maior produtor de água engarrafada no mundo. O setor cresce 7,6% ao ano e já bate os refrigerantes, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Águas Minerais (Sindinam). Além disso, o mercado nacional de água engarrafada cresceu 10% ao ano nos últimos três anos, segundo a Associação Brasileira da indústria de Águas Minerais (Abinam). Essas informações reforçam a tendência observada de maior consumo de água mineral no País”, justifica o gerente de marketing Americas South da Owens Illinois (O-I), empresa que atua na fabricação de embalagens de vidros, Reinaldo Kühl.

Até mesmo a indústria de embalagens já sente essa tendência. “A O-I tem percebido uma demanda crescente na categoria de bebidas não alcoólicas, que engloba sucos, chás, água e água de coco”, aponta o executivo. Uma pesquisa feita a pedido da O-I em 2016, por exemplo, identificou que essa categoria de bebidas é a que mais cresceu nos últimos três anos antecedentes ao estudo. Em contrapartida, refrigerantes, isotônicos e energéticos tiveram o consumo reduzido.

“Vemos aumento das versões individuais
entre consumidores que
frequentam academias
e também cresce o consumo
em restaurantes para acompanhar
as refeições”, Antônio Vidal, Minalba Brasil

Mas apesar do mercado de água mineral seguir em alta no Brasil, ainda há uma grande oportunidade de incremento nesses resultados. “Por aqui, vemos que o consumo de água é de, em média, 70 litros por ano, por pessoa. Num País desenvolvido, esse número atinge até 160 litros no mesmo período”, constata Antônio Vidal, superintendente da Minalba Brasil, empresa que faz parte do Grupo Edson Queiróz, também controlador de marcas como Indaiá, Petrópolis e São Lourenço. “Esses resultados podem ser melhores ao passo que o brasileiro tiver mais poder de consumo, bem como informações sobre os benefícios desse produto”, conclui.

Desafios e investimentos “Água mineral não se fabrica. Ela está no ambiente. A indústria é responsável por extrair e engarrafar com todos os cuidados para manter suas propriedades”, resume Nelson Eggers, da Bebidas Fruki. Até mesmo as versões com gás já vêm da natureza.

Portanto, o primeiro passo para explorar água mineral é o encontro de uma jazida onde ela está presente. Tal processo é feito com o trabalho de engenheiros e geólogos, que identificam estruturas propícias para a perfuração de um poço tubular profundo ou a captação por fontes. Também é necessário, entre diversos outros processos, solicitar, junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), uma autorização de pesquisa para água e, em seguida, a concessão de lavra.

Para conquistar esse aval, a indústria passa por um processo que contempla diversas etapas, como teste de bombeamento, análise da água, estudos ‘in loco’, para atender as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre outras exigências. Mesmo após aprovada, a água passa por análises ininterruptas dos órgãos reguladores. “A cada três meses é feita uma análise para saber se a água se mantém com os mesmos sais e pureza, e para garantir que está adequada, atendendo a legislação. Essa checagem é feita por uma equipe de fiscalização do Ministério de Minas e Energia”, reforça Eggers.

A fim de garantir tantos processos de qualidade da extração ao envase, e de assegurar as metas de lucratividade neste mercado, a automação tem sido determinante para os resultados da indústria. “Em apenas 16 anos de mercado de água mineral, já alcançamos participação de 40% nesse segmento. Uma das razões para tanto é a aposta em tecnologias de ponta. Conseguimos envazar pouco mais de seis garrafas de 500 mL em um segundo, o que nos dá um total de 22 mil garrafas por hora. E todo esse processo é feito automaticamente. Temos somente quatro funcionários altamente capacitados desde a fabricação da garrafa até o empilhamento”, comenta o executivo da Bebidas Fruki.

Novas apresentações e embalagens Ao longo dos anos, a água mineral tem ganhado versões vitaminadas, aromatizadas ou acrescidas de alguma propriedade diferenciada. A Coca-Cola Brasil, por exemplo, lançou, recentemente, os sabores de Crystal Sparkling, bebida feita com água com gás e aromas naturais de frutas. Além de Tangerina & Capim Limão, já parte do portfólio fixo da marca, chegam para integrar o time Limão e Frutas Vermelhas. Sem adição de açúcar, adoçantes, conservantes e corantes, a bebida é dirigida para quem busca produtos mais puros e naturais, mas sem abrir mão de um sabor leve e refrescante. Disponível em embalagens PET de 500 mL e latas sleek, de 310 mL, está presente nas gôndolas desde a primeira semana de outubro.

Aliás, em relação ao tamanho das embalagens, segundo Nelson Eggers, da Bebidas Fruki, por lá, as mais consumidas são as versões de 500 mL. “Nesse nicho, 55% das vendas são de água sem gás e 45% de água com gás”, constata.

Embalagens menores, de 350 mL, também apontam ascensão. “Vemos incremento das versões individuais entre consumidores que frequentam academia. Essas mesmas embalagens também crescem em restaurantes, já que muitos consomem a água acrescida com limão no copo, por exemplo, para acompanhar as refeições”, complementa Antônio Vidal, da Minalba Brasil.

A diferenciação não chega apenas no tamanho das embalagens, mas também nas estratégias de comunicação. “Na Minalba, temos uma comunicação voltada para a gastronomia. Assim, patrocinamos programas de culinária e procuramos nos destacar entre públicos que valorizam esse produto. Já a Indaiá, que é uma água mais democrática, participa da assessoria em corridas ou academias”, explica Vidal.E até mesmo a cor azul e simplicidade nas apresentações têm sido deixadas de lado para dar lugar a versões que chamam a atenção do consumidor.

A Bonafont, da Danone, diante dessa busca por inovação e em comemoração aos 10 anos da marca, apresentou embalagens comemorativas em parceria com o renomado artista Kobra.

Algumas empresas também têm apostado em sofisticação. Nesses casos, o vidro ganha destaque quando a ideia é entregar produtos premium, que vem ganhado destaque nesse mercado. “O vidro é a embalagem que une tradição, inovação, proteção e conservação de alimentos e bebidas da melhor forma. Quando envasada em vidro, a água tem suas características originais totalmente inalteradas”, garante Reinaldo Kühl, da O-I. A sofisticação também é ditada pelas características da água. “Quanto menos sódio existe na composição, mais premium ela se torna”, explica o superintendente da Minalba Brasil.

“Temos planos de investimentos em novos equipamentos, linhas de produção e processos que ofereçam cada vez mais qualidade aos produtos que chegam ao consumidor final”, José Luiz Franzotti, diretor-presidente da Bebidas Poty

Saiba diferenciar Segundo a Danone, responsável pelo envase da Bonafont, a água mineral natural é aquela de origem subterrânea, proveniente de um aquífero, e protegida de qualquer contaminação humana ou ambiental. Já água comum (de torneira) é captada em lençóis freáticos e/ou de águas superficiais, que são aquelas que não penetram no solo, acumulando-se na superfície, como rios, riachos, lagoas, córregos e represas, o que a torna possível de contaminação humana ou ambiental.

A água mineral natural não passa por nenhum tratamento químico para se tornar potável. Além disso, não há nenhum contato humano desde a extração até o envase. Já a água comum passa por, no mínimo, três processos químicos. Um dos produtos adicionados a essa água é o cloro, um bactericida, porém muitas vezes ele acaba resultando em sabor e odor indesejáveis.

Com relação aos controles de qualidade, existe uma legislação específica para água mineral natural e outra para a água comum, que dita todos os controles que devem ser realizados a fim de garantir a segurança dos produtos ofertados à população.

Há, ainda, a água mineralizada, que é aquela adicionada de sais, preparada e envasada, ou seja, os sais minerais são adicionados propositalmente. Essa água passa por um tratamento antes do envase, assim como acontece com a água de torneira. Além disso, um dos sais minerais que podem ser adicionados nesse tipo de água é o sódio, um nutriente que apresenta uma preocupação por parte dos profissionais da saúde e da população em geral. A quantidade de sódio pode chegar a 600mg/L, o que representa 30% da quantidade total de sódio que um adulto deve consumir por dia.

“A indústria de água mineral tem a obrigação e total capacidade de entregar um produto seguro aos consumidores”,
Sandra Franzotti Gubolino,
gerente de qualidade
e P&F da Bebidas Poty

Pilares do crescimento A saudabilidade é apenas um dos fatores que sustentam o crescimento da água mineral no mercado brasileiro e mundial. O clima, boa distribuição e, até mesmo, a crise econômica fazem com que o consumidor otimize seus recursos financeiros e opte por outras categorias dentro do segmento de bebidas. Segundo dados da Nielsen, 80% do volume perdido pelos refrigerantes se deu pela substituição por outros produtos, como suco em pó e água mineral.

Ainda de acordo com estudo da Nielsen, 57% da população brasileira está tentando emagrecer, fazendo com que a água ganhe destaque nesse contexto. Nesta fatia que busca o emagrecimento, 78% estão mudando os hábitos alimentares consumindo alimentos naturais e frescos (66%); e 56% estão diminuindo o consumo de açúcares.

Qualidade indiscutível a indústria tem uma legislação rigorosa para produzir água com segurança. “A população, quando consome uma água mineral, sabe que a empresa tem obrigação de entregar um produto com total segurança alimentar”, reforça a gerente de qualidade e P&D da Bebidas Poty, detentora da marca Levity, Sandra Franzotti Gubolino. “Nossa obrigação é valorizar este produto tão nobre e, para isso, estamos com um planejamento de investir em novos equipamentos, linhas de produção e processos que venham a oferecer ainda mais qualidade para a população”, reforça o diretor-presidente da Bebidas Poty, José Luiz Franzotti.

Paladar apurado assim como já acontece com os vinhos, o consumidor tem sido mais exigente em relação ao sabor da água, sabendo diferenciar a água mineral da água comum. “Nos últimos 15 anos, o consumidor apurou mais o paladar. Até mesmo entre as águas minerais, muitos já conseguem diferenciar o sabor entre as marcas”, explica o superintendente da Minalba Brasil, Antônio Vidal.

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