O caminho é asséptico

O envase asséptico oferece às empresas a possibilidade
de diferenciação de produtos e de diversificar os canais de vendas,
aumentando as oportunidades de negócios e reduzindo os custos com logística

Carlos Donizete Parra

 

É certo que a relação dos consumidores com a alimentação mudou muito nos últimos anos. A busca por um estilo de vida mais saudável e a preocupação com a procedência dos alimentos é evidente, garantindo maior espaço a produtos de qualidade nos pontos de vendas.

O crescimento no consumo de produtos saudáveis foi um dos temas abordados pela Mintel em evento realizado no México pela Sidel para mais de 120 executivos de indústrias de bebidas e alimentos de países como México, Colômbia, Equador, Costa Rica e Peru.

Segundo Dasha Shor, analista de mercado da Mintel, entre as bebidas sensíveis o setor de lácteos é o que apresenta maior potencial de crescimento nesses países.

Em se tratando de embalagens, o PET continua em ascensão com os formatos de 500ml, 300ml e 250ml ganhando relevância para o consumidor final.

Melhor caminho a seguir

O envase asséptico tem se mostrado o melhor caminho para que fabricantes de bebidas possam responder prontamente a essas novas demandas impostas pelo mercado de produtos saudáveis. O envase asséptico possibilita que o produto seja vendido em gôndolas e locais sem refrigeração, aumentando as oportunidades de negócios e reduzindo custos com a cadeia de logística.

Em sua segunda edição, o Seminário de Produtos Assépticos, realizado pela Sidel, reuniu toda a cadeia de fornecedores de assépticos, desde ingredientes e embalagens, passando por fornecedores de serviços e insumos, até chegar em equipamentos e novas tecnologias disponíveis para que os fabricantes de bebidas possam escolher as melhores soluções de acordo com as características de seus produtos e mercado de atuação.

Presente no mercado americano de lácteos há mais de 20 anos, com seis unidades de produção, a Aurora Organic Dairy, optou pelo envase asséptico implantando a linha Combi Predis, fabricada pela Sidel, em sua nova unidade de produção. Instalado a mais ou menos 3 anos, o equipamento possibilitou a entrada da Aurora em novos mercados com uma linha diferenciada de produtos.

“Ganhamos muito em agilidade e flexibilidade. Temos capacidade de responder rapidamente às necessidades dos clientes com produtos de maior valor agregado, como nosso achocolatado com vitamina D, além de outros diversos sabores que lançamos no mercado nos últimos anos”, explica Joe Harmon, gerente de recursos técnicos da Aurora Organic Dairy.

Ainda segundo Joe Harmon, a nova linha de assépticos possibilitou a entrada da empresa em novos canais do varejo, assim como o lançamento de novos produtos com embalagens em diversos formatos e com designs variados. A Aurora tem planos de expansão para os Estados Unidos e outros países da América Central.

Entre as razões apontadas para a escolha do PET estão a sustentabilidade, valor agregado no produto final, mais atrativo no ponto de venda, flexibilidade de formatos, imagem de algo novo, entre outros.

“Com a linha Combi Predis Dry Asseptic ganhamos muito em eficiência e flexibilidade com a produção em diversos formatos (8 /12 / 16 / 32 OZ), além de reduzirmos os gastos com lavagens de garrafas e outros insumos. A facilidade de manuseio e operação também é uma grande vantagem deste equipamento”, garante Joe Harmon.

Mercado em evolução

“O PET tem o melhor custo de embalagem para o engarrafador e propicia o aumento de SKU’s que o mercado exige atualmente”, Vincent Le Guen, Sidel

O mercado mudou e continua mudando em uma velocidade cada vez mais acelerada. O consumidor exige produtos clean label, zero lactose, sem açúcar e que sejam cada vez mais naturais e totalmente seguros.

“Entre as quatro exigências globais identificadas pela CP Kelco no mundo estão a saudabilidade, indulgência, conveniência e valor”, explica Berenice Pardo, gerente de vendas da empresa para o México, Caribe e América Central.

Segundo ela, enquanto as bebidas com açúcar têm suas vendas reduzidas globalmente, ganham destaque as bebidas com adição de proteína vegetal e com altas quantidades de proteína. “Também estão em crescimento as bebidas com novos sabores e texturas, como um leite com sabor de Panacota, recentemente lançado na Austrália”, explicou a executiva em sua palestra.

Para dar vazão à criatividade dos fabricantes de bebidas e satisfazer às demandas dos consumidores, fornecedores de equipamentos, embalagens e ingredientes terão que se empenhar ao máximo para disponibilizar soluções que possam viabilizar essas oportunidades de mercado.

“Com 38 anos de experiência em todo o processo, desde o design da embalagem até o produto final, a Sidel está capacitada e em totais condições de ajudar o fabricante de bebidas a satisfazer essas demandas”, garante Vincent Le Guen, vice-presidente de embalagem da Sidel França, e um dos palestrantes do Seminário de Produtos Assépticos.

Outro aspecto importante apontado pelo executivo durante o evento foi a praticidade. Há um aumento da demanda por formatos diferenciados e de volumes variados. “Nesse sentido, o PET é a melhor resposta. Tem o melhor custo de embalagem para o engarrafador e propicia o aumento de SKU’s que o mercado exige, atualmente”, explica Vincent Le Guen. O executivo explica ainda que o PET é uma embalagem que responde muito bem às necessidades de premiunização exigidas pelo mercado, além de permitir um fechamento seguro garantindo maior shelf-life ao produto final e uma experiência única ao consumidor.

No Brasil

O mercado brasileiro de bebidas saudáveis vem crescendo a cada ano. Projeções indicam que até 2022, esse segmento atinja algo em torno de R$ 8 bilhões.

Assim como em outras partes do mundo, um dos segmentos de maior potencial de crescimento é o de lácteos. Estudo recente da Kantar confirma a popularidade do leite e aponta que o tipo UHT ou longa vida tem penetração em 91,5% dos lares.

Outro grande destaque é o leite fermentado, que aumentou 4 pontos de penetração nos últimos 12 meses terminados em março de 2019.
Este número representa mais de dois milhões de novos lares comprando este tipo. O leite pasteurizado cresceu também na preferência dos brasileiros e registrou 10,3% de aumento em volume no mesmo período. Os produtos zero lactose também ganharam espaço e 20% dos lares já compraram alguma vez em 2018.

Entre as marcas preferidas pelos brasileiros, a Jussara aparece como um dos principais players do mercado. A empresa é o quarto maior produtor brasileiro e líder em UHT no estado de São Paulo. Com faturamento de US$ 350 milhões em 2018, a Jussara possui mais de 1000 colaboradores, duas unidades de produção e 25 unidades de coleta de leite.

Em sua palestra, durante o Seminário de Produtos Assépticos, Odorico Barbosa, diretor presidente da Jussara, contou sobre a trajetória da empresa e sobre o mercado de leite no Brasil.

Fundada há mais de 60 anos pelo médico Amélio Rosa Barbosa, a Jussara sempre teve o compromisso de levar ao consumidor produtos saudáveis e com excelência de qualidade. Foi pensando nisso e também com o objetivo de diversificar seu portfólio que a empresa optou pelo sistema asséptico com a tecnologia Sidel Combi Predis. “Vários fatores foram fundamentais para a escolha do processo asséptico no PET, entre eles a alta barreira de entrada de novos concorrentes. É um investimento alto e isso limita a entrada de muitas empresas nesse mercado”, explicou Odorico Barbosa.

O executivo citou também outros fatores como:

• Flexibilidade de volume e formatos;
• Pluralidade de fornecedores;
• Soluções personalizadas;
• Produtos de alto valor agregado.

 

 

“O consumidor também tem benefícios importantes como facilidade de abertura da garrafa (tampa de 38mm), estocagem melhor na geladeira,percepção de alta qualidade e conveniência”, explica Barbosa.

Implantado a cerca de dois anos na Jussara, o sistema Combi Predis Aseptic é fácil de operar, tem eficiência de 90% com perdas baixíssimas. A flexibilidade de volumes foi outra característica do sistema destacada pelo executivo. A Jussara trabalha com 250ml, 1 litro e 1,5 litro. Utiliza garrafa PET monocamada, mais resistente, uniforme e 100% reciclável. “A sustentabilidade foi uma exigência no projeto inicial”, afirma Barbosa. “Desenvolvemos um sistema já pensando na economia circular. As garrafas são coletadas, purificadas e transformadas em resina para novas embalagens”, garante o diretor-presidente da Jussara.

Diferenciação e qualidade

Para conseguir diferenciar suas marcas e oferecer aos consumidores novas experiências de consumo, o produtor de bebidas tem diversas opções de embalagens. No mercado de assépticos, o PET se apresenta como uma opção inteligente. E, como a Sidel pode ajudar em todo esse processo?

“Predis é uma tecnologia asséptica simples, segura e flexível. É um sistema sustentável que utiliza a tecnologia de esterilização a seco”, Guillaume Rolland, Sidel

Foi com essa pergunta que o vice-presidente de bebidas sensíveis da Sidel, Guillaume Rolland, iniciou sua apresentação.

A Sidel oferece a solução completa para o envase asséptico de bebidas carbonatadas e não carbonatadas através da Tecnologia Predis. “Combi Predis é uma resposta segura para enchimento asséptico com foco principal em quatro pilares: segurança alimentar, sustentabilidade, TCO (custo total de propriedade) e flexibilidade”, explica Guillaume Rolland.

Com capacidades que variam de 9 mil a 60 mil garrafas por hora, Predis é o primeiro sistema aprovado pelo FDA (Food and Drug Admnistration) no mundo para o envase de produtos assépticos em PET com esterilização a seco.
É uma solução asséptica que inclui sopro das garrafas, envase e fechamento, tudo com tecnologia de esterilização a seco tanto das preformas quanto das tampas.

“O peróxido de hidrogênio evapora dentro da preforma, esterilizando e protegendo essa preforma e, posteriormente a garrafa. Depois disso, acontece o enchimento asséptico e o tampamento feito com tampas descontaminadas. Todo o processo dentro da garrafa é controlado para garantir total segurança do produto”, garante Rolland.

Por trás de toda simplicidade do sistema Combi Predis, há uma significativa redução de custos operacionais com insumos como água e químicos, além de trabalhar com uma preforma menor, o que significa menos custo com resina. “Outro ponto crucial dessa tecnologia são as válvulas de enchimento. É um sistema especial que evita qualquer tipo de contaminação. É um sistema personalizado porque em um mesmo produto existem diferentes microrganismos e, portanto, soluções diferentes para atender a todos os clientes,” explica Guillaume Rolland.

A Sidel tem experiência de mais de 40 anos com produtos assépticos, com mais de 200 linhas de envase asséptico operando com garrafas PET em todo o mundo.

Deixe seu comentário