Num momento como esse em que a incerteza é a maior certeza precisamos de dados confiáveis para tomar decisões mais assertivas. Eficiência – 1ª Parte

É importante entender o mercado atual e as necessidades dos clientes para oferecer produtos e serviços adaptados a esse novo contexto. Fundamental compreender que a situação mudou, o ambiente é outro e não é mais possível continuar a trabalhar como antes. Agora, mais do que nunca, é necessário conhecer as regras para ser eficiente. Quem não conhece as regras não consegue ganhar o jogo.

Entre os fatores importantes para superar essa crise, a eficiência ganha um peso ainda maior para vencer os obstáculos e chegar mais forte lá na frente.

Preservar o caixa e reduzir custos é realmente muito importante, mas, ao mesmo tempo, é preciso repensar e flexibilizar o portfólio de acordo com o comportamento do consumidor pós-Covid.

Qual a importância da eficiência na operação diante de um ambiente de baixa demanda como deveremos ter nos próximos meses no Brasil? Por que, no cenário atual, é extremamente importante manter uma eficiência alta para garantir que o custo do produto não aumente e, portanto, a lucratividade não seja afetada?

Ouvimos alguns especialistas e fabricantes de equipamentos e linhas de envase capazes de auxiliar nas melhores práticas de utilização desses ativos com o objetivo de atingir níveis excelentes de eficiência garantindo melhores performances operacionais nessa nova fase da indústria. Acompanhe os comentários e os conceitos importantes que podem ajudar as indústrias brasileiras nesse período.

Denis Malterre, VP Sales South America • Sidel

Você precisa garantir que o custo
de produção seja mantido, ou até melhorado (diminuído), durante
as situações de baixa demanda

A eficiência se traduz em TCO, em português, Custo Total de Propriedade, que é basicamente o custo para produzir qualquer tipo de produto. Você precisa garantir que o custo de produção seja mantido, ou até melhorado (diminuído), durante as situações de baixa demanda.

Produtores em todo o mundo investigam todas as áreas possíveis de potencial economia; eles analisarão o consumo das utilidades, assim como matérias-primas, energia, água etc., e diminuirão o desperdício, evitarão paradas etc.

Podemos citar 3 elementos ou parâmetros principais relacionados ao OEE, um não pode existir sem o outro. Isso nos ajuda a medir a produtividade de uma linha de produção:

• Disponibilidade: as linhas de produção devem estar disponíveis 24-7, SEM INTERRUPÇÃO. Quanto mais disponível um equipamento (tempo de atividade), significa que o equipamento funcionará mais e, portanto, produzirá mais.

• Desempenho: se o equipamento estiver disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e o desempenho for alto (operando com um excelente rendimento ou velocidade), a linha produz mais e o produtor será capaz de atender à demanda em menor tempo.

• Qualidade: agora, se nossa linha estiver disponível e funcionar em alta velocidade, devemos garantir a qualidade desses produtos que serão entregues aos consumidores. Se você pode executar 24-7, tem boa velocidade, mas seus produtos não são bons ao final, você terá que desfazer-se destes, produzir mais, gastar mais recursos/dinheiro e não chegará ao consumidor em tempo. E aí fica o risco dos consumidores procurarem outra opção disponível no mercado.

Com a baixa demanda é possível deslocar para frente as manutenções baseadas em tempo, ou até mesmo aproveitar para migrar para os tipos de manutenção baseados
na condição

José Rodolfo Nunes de Faria, Diretor • Delta Gestão Industrial

A situação de baixa demanda significa um volume de produção menor, porém as despesas fixas nunca diminuem na mesma proporção para anular a perda do volume.

A eficiência operacional assume papel extremamente relevante para equilibrar a equação do custo de transformação, assim todos os esforços para encontrar oportunidades nas linhas do custo do numerador da fórmula são válidos.

Um exemplo muito interessante, com a baixa demanda é possível deslocar para frente as manutenções baseadas em tempo, ou até mesmo aproveitar o momento para uma guinada na política de manutenção migrando para os tipos de manutenção baseado na condição.

Nesse momento de baixa demanda acredito que as empresas devam colocar o máximo de esforço na eficiência dos ativos, o que significa dizer que quando as linhas estiverem disponíveis para operação, deve-se produzir mais unidades de produtos por unidade de tempo.

A manutenção com o máximo de atenção para prever e bloquear as quebras/falhas, a operação promovendo as melhorias para reduzir micro paradas crônicas e a qualidade monitorando o desempenho dos indicadores de processo para indicar as correções e minimizar a geração de defeitos. É o tripé da eficiência: confiabilidade, operacionalidade e qualidade.

Um correto planejamento de produção evita paradas não programadas para CIP e lotes
mais bem dimensionados

Marcelo Cozac, Diretor • McPack Equipamentos

Eficiência na operação é muito importante, principalmente pela redução de custo do processo.

Quanto maior a eficiência, menor o custo com mão de obra, energia elétrica, água e demais utilidades. Tanto eficiência de máquina, como eficiência na realização de manutenções preventivas e de programação de produção.

Um correto planejamento de produção evita paradas não programadas para CIP e lotes mais bem dimensionados. Planejamento de produção agora é mais que fundamental.

Em ambiente de baixa na demanda a eficiência é fator de
sobrevivência do negócio

Arthur Stringhini, Diretor • Zegla

Em ambiente de baixa na demanda a eficiência é fator de sobrevivência do negócio, pois ela permite que as empresas se mantenham competitivas no mercado em que operam.

Para a indústria de bebidas alcançar eficiência produtiva, energética e hídrica, deverá implantar, avaliar e melhorar todos os processos internos utilizando linhas de envase e equipamentos de alta performance.

Jeferson Stamborowski,
Gerente de Desenvolvimento F&B • Sartorius do Brasil

A eficiência contribui para a geração de resultados positivos ao processo, permitindo ganhos de produtividade e redução de custos com a
melhoria dos indicadores

A competitividade nos diversos segmentos industriais tem estimulado as organizações a desenvolverem formas de tornar suas operações e processos produtivos cada vez mais eficientes e com maior produtividade.

A eficiência em uma operação pode melhorar uma série de resultados como a diminuição de paradas não programadas, aumentar o intervalo médio entre falhas e na eficiência mecânica das máquinas, por exemplo.

Desta maneira, a eficiência contribui para a geração de resultados positivos ao processo, permitindo ganhos de produtividade e redução de custos com a melhoria dos indicadores.

Um dos pais da “TPM (Total Productive Maintenance)”, Seiichi Nakajima, foi quem introduziu o conceito de OEE (Overall Equipment Effectiveness), com o objetivo de medir a eficiência dos equipamentos, o que mais tarde, tornou-se componente fundamental da TPM.

Na indústria de bebidas, qualquer máquina com um sinal elétrico básico pode ser fabricada para extrair dados OEE.

Informações como tempo de execução, tempo de ciclo e contagem de peças, todas são muito valiosas para otimizar o processo de fabricação. Disponibilizar essas informações em tempo real para respostas rápidas ou relatórios históricos de iniciativas enxutas é excepcionalmente útil.

Atualmente, a meu ver, deve-se procurar reduzir os tempos de setup e aproveitar a ociosidade
para corrigir falhas e deteriorações
dos equipamentos

Homero Guercia, CEO • Guercia & Guercia Consultoria

Eficiência é sempre importante, pois impacta no custo do produto.

Atualmente, a meu ver, deve-se procurar reduzir os tempos de setup e aproveitar a ociosidade para corrigir falhas e deteriorações dos equipamentos, bem como eliminar ou reduzir os pontos dos equipamentos de limpeza deficientes e de difícil acesso.

Da redução dos tempos de paradas ao aumento de produção, não existe maneira mais rápida de aumentar a performance da empresa do que otimizar os processos

Paulo Teixeira,
Gerente Comercial • Mayekawa

Independente da demanda, no que diz respeito a eficiência na operação industrial, a situação econômica atual – advinda da Covid-19 -, e a forte competição, tornam os executivos sensíveis em todos os aspectos de custos e continuidade da produção. Isso faz com que o aumento de eficiência se torne vital para sobrevivência. Da redução dos tempos de paradas ao aumento de produção, não existe maneira mais rápida de aumentar a performance da empresa do que otimizar os processos. Dada a complexidade dos ambientes, apontar onde e como fazer essas melhorias ou otimizações nos processos pode ser um desafio grande. Atrasos na produção podem aparecer, processos podem ser interrompidos por qualquer razão e paradas podem ocorrer em frações de segundos. Capturar esses eventos, antes que os efeitos se tornem graves, requer um conjunto de soluções e ferramentas, como no caso da refrigeração, que é fundamental para o processo de bebidas, e que deve ser eficiente, altamente confiável e com um excelente custo-benefício.

Estudos internacionais apontam que o OEE é de 60% na média. Contudo, o percentual sobe para 85% nas empresas de melhor desempenho. Isso significa que existe margem segura para um aumento na produtividade de grande parte dessas fábricas. Sem contar que se a média é de 60%, algumas estão abaixo. Além disso, a medição dos parâmetros citados (disponibilidade, performance e qualidade) permite aos responsáveis a identificação objetiva e mensurada dos gargalos da produção. Sabendo exatamente os detalhes que mais influenciam sobre a eficiência, eles podem se concentrar em resolver prioridades.

Siga-nos nas Redes Sociais:  LINKEDIN  ·  INSTAGRAM  ·  YOUTUBE  ·  FACEBOOK

 

 

 

 

 

 

 

Deixe seu comentário