Muito a ser explorado

Destilados mostram que têm muito espaço para crescer e conquistam consumidores mais jovens com bebidas e coquetéis diferenciados

| CARLOS DONIZETE PARRA |

Os destilados procuram se posicionar como o próximo astro nessa onda de gourmetização em que a cerveja ocupa o topo das atenções na área de bebidas alcoólicas. Os coquetéis ganham a atenção dos consumidores e já exigem dos estabelecimentos profissionais especializados como bartenders e baristas que possam dar um tratamento especial aos pedidos dos clientes. Os somellieres também são cada vez mais necessários para indicar as melhores bebidas de acordo com as necessidades de cada pessoa. A personalização é uma tendência global em todos os tipos de negócios.

A cachaça e o gim aparecem como candidatos a queridinhos nesse novo estilo de vida das pessoas que utilizam a gastronomia como uma forma de prazer. Outro grupo de pessoas cada vez mais atraídos pelas redes sociais usam a gourmetização como uma maneira de se destacar na sociedade. Portanto, não importa só comer bem, é fundamental postar o que se come e o que se bebe imediatamente no instagram e facebook. Isso é praxe.

A cachaça já conquistou um status muito diferente do que tinha no passado. Hoje já é vista como um destilado que pode ser consumido em bares e restaurantes requintados, em botecos da moda e por todas as faixas etárias.

O gim ganha importância mundial como uma bebida fundamental para o preparo de drinks e dos principais coquetéis servidos nas baladas mais desejadas. Os dois também surfam na onda dos produtos artesanais, assim como as cervejas. As pessoas dão preferência aos produtos fabricados artesanalmente e se dispõe, inclusive, a pagar um pouco mais por isso, sem problemas. As próprias fabricantes de cervejas artesanais já estão de olho nesse mercado de destilados como uma estratégia de ampliação de portfólio. A Backer de Minas Gerais lançou no início do ano uma linha de whiskies com até 5 anos de maturação.

São Paulo já conta, inclusive, com bar secreto de destilados artesanais, uma inspiração de um mestre cervejeiro que após constatar que as casas não conseguiam repetir o mesmo padrão dos vários drinks que bebia em locais diferentes, enxergou a oportunidade de montar o The Lab. O bar é secreto, principalmente, pela oferta pequena das bebidas, elas são personalizadas, seguem receitas pré-prontas e são montadas na hora na frente do freguês. Por isso, a necessidade de restringir a quantidade de freqüentadores da casa. Sem contar que é uma grande jogada de marketing, tudo o que é secreto desperta uma grande curiosidade. O The Lab trabalha com destilados e cervejas artesanais o que contribui para uma experiência sensorial muito interessante.

Obstáculos Apesar das tendências apontarem um cenário bem positivo nem tudo é um mar de rosas. No Brasil, a categoria atualmente enfrenta algumas barreiras. Ao mesmo tempo que a economia ainda passa por fase de recuperação, os consumidores estão mais cautelosos em relação ao que comem e bebem. Uma nova pesquisa da Mintel revela que os brasileiros estão adotando hábitos alimentares mais saudáveis e evitando ingredientes como glúten e álcool.

Os coquetéis estão em alta em todas as partes do mundo e fazem a alegria de consumidores em festas e baladas

De fato, a pesquisa da Mintel revela que quatro em cada dez, 44%, brasileiros concordam com a afirmação: “limitar o consumo de álcool faz parte da minha rotina de cuidados com a saúde”. Além disso, dois em cada cinco, 38%, dizem: “estou gastando menos com bebidas alcoólicas”. E um terço, 31%, diz que gostaria de ter mais opções de bebidas alcoólicas prontas para beber misturadas com bebidas sem álcool, como suco de frutas ou refrigerante.

“Investir em bebidas alcoólicas mais saudáveis, com menos calorias e níveis mais baixos de açúcar, glúten e álcool, pode ser uma boa maneira de atrair consumidores interessados em viver um estilo de vida saudável. Na França, por exemplo, uma conhecida marca de cidra lançou uma bebida produzida com 100% de maçãs francesas, sem glúten e nem açúcar. A bebida recebeu a adição de vinho espumante com menos álcool e calorias do que o convencional”, afirma Ana Paula Gilsogamo, especialista em Alimentos e Bebidas da Mintel.

Quando se trata de consumo fora de casa, a pesquisa da Mintel revela que 37% dos brasileiros que beberam cerveja artesanal fora de casa o fizeram enquanto assistiam a um evento esportivo nos últimos seis meses, porcentagem estatisticamente maior aos 31% que afirmaram ter consumido cerveja nacional na mesma ocasião.

A pesquisa da Mintel também mostra que metade, 50%, dos brasileiros normalmente consome bebidas alcoólicas quando relaxa sozinho em casa. Esta é a segunda ocasião de consumo mais mencionada, atrás de “durante eventos sociais em casa”. Mais da metade, 58%, dos consumidores dizem que tomam bebida alcoólica quando fazem, por exemplo, um churrasco ou uma festa, em seus lares. Entre os que querem relaxar sozinhos em casa, a bebida mais citada é a cerveja importada, com 68% associando seu consumo à ocasião.

“Marcas internacionais de bebidas alcoólicas em geral, e em especial as cervejas, poderiam investir em opções com ingredientes e mensagens que promovam e comuniquem o relaxamento. Enquanto isso, aproveitando ao máximo sua atual popularidade, as cervejas artesanais tiveram a oportunidade em estender sua presença em bares para a Copa do Mundo, e a longo prazo também explorar outros eventos esportivos. A criação de espaços próprios onde os consumidores possam assistir a jogos e curtir uma seleção de cervejas artesanais também surge como alternativa de investimento”, sugere Ana Paula.

O consumo de gim teve aumento de 5% em 2017, maior o aumento obtido pela categoria de destilados

Para escolher bebidas, mencionado por 43%, a pesquisa da Mintel mostra que o sabor é o principal fator de consideração para os consumidores. Ao mesmo tempo, um quarto, 24%, dizem que recomendações de amigos ou bartenders desempenham um papel importante na seleção de bebidas alcoólicas. Aliás, esse comportamento é particularmente mais predominante entre os consumidores com idade entre 18 e 24 anos, chegando a 35%.

Preço e marca também são fatores bastante relevantes na compra de bebidas alcoólicas. “Baixo preço” e “marca conhecida” foram citados, respectivamente, por 35% e 32% dos consumidores, estatisticamente empatados como a segunda razão de consumo mais importante.

“Há espaço para marcas conhecidas investirem em itens acessíveis, principalmente na expansão de fórmulas e linhas de produtos mais baratos. Assim, as empresas evitam que consumidores fiéis migrem para marcas mais baratas. Por outro lado, quando se trata de recomendações que influenciam a escolha, existe a oportunidade de fazer campanhas com bartenders, já que a pesquisa mostra que os consumidores valorizam suas sugestões. Apresentar bartenders conhecidos em campanhas de marketing, com indicação de bebidas e sugestões para as melhores maneiras de consumí-las em diferentes ocasiões, pode ser uma boa oportunidade de investimento”, conclui Ana Paula.

Gim é o destilado que mais cresce no mundo Segundo uma nova pesquisa da Euromonitor International, o gim foi o destilado que apresentou o maior crescimento no volume total consumido no mundo em 2017, com aumento de 5% em relação ao ano anterior. O Brasil também segue a tendência global; enquanto o setor de destilados apresentou crescimento flat no volume total de vendas, o gim apresentou um crescimento surpreendente de 66%, movimentando 1,8 milhão de litros no país. O aumento garantiu que o Brasil subisse no ranking global, passando da 27ª para 22ª posição.

O gim busca se adequar aos novos desejos dos consumidores que procuram por bebidas bem elaboradas e com sabores inusitados

“O consumo de gim já vinha crescendo nos últimos anos, mas era muito voltado aos grandes centros de consumo. Com o aumento da demanda, as empresas conseguiram expandir a atuação para novas áreas do país. Além disso, ano passado foi marcado pela entrada de marcas importadas o que também colaborou para o forte aumento de 2017”, comenta Angelica Salado, analista sênior de bebidas da Euromonitor International.

A projeção da consultoria é que o volume de vendas total de gim continue a crescer, porém a um ritmo mais lento, com aumento de 17% ao ano até 2022, ano no qual o Brasil deverá assumir a 17ª posição global. O gim é hoje o 7º destilado mais consumido no Brasil, representando menos de 1% do volume total consumido no país. No entanto, até 2022, deve representar cerca de 5% do total de destilados consumidos no Brasil – equiparando-se aos uísques. A cachaça continua a ser a queridinha do brasileiro, com mais de 70% de participação no segmento.

“A falta de diversificação é um entrave para o desenvolvimento do gim no Brasil. Assim como acontece com a cachaça, o gim está fortemente atrelado a somente um drink, no caso, o gim e tônica. À medida que novidades cheguem ao mercado brasileiro, é esperado que o coquetel perca força e, consequentemente, haja uma desaceleração do consumo de gim. Houve uma movimentação similar com o Aperol, conhecido principalmente pelo drink Aperol Spritz, que teve um pico entre 2012 e 2014 e depois começou a cair. Portanto, o desafio para indústria está exatamente em diversificar o cardápio oferecido ao consumidor”, finaliza Salado.

Coquetéis em alta O consumo de coquetéis vem crescendo no mundo todo e, com ele, algumas descobertas interessantes sobre quais bebidas estão atualmente na moda foram apontadas.
De acordo com pesquisas realizadas pela Diageo com barmans do mundo inteiro, o “Old Fashioned” foi considerado como a bebida mais popular nos bares atualmente.

Desfrutado pelo próprio James Bond, em “007 contra a Chantagem Atômica”, é feito da mistura de açúcar com bitters, uma generosa dose de whisky bourbon e um toque de casca de limão. É tradicionalmente servido em um copo baixo, chamado “copo Old Fashioned”, daí o nome da bebida.

O Old Fashioned é seguido de perto pelo italiano “Negroni”, feito com uma parte de gim, uma parte vermute rosso (vermelho, semidoce), uma parte de aperitivo italiano e guarnecido com casca de laranja.

O charme retrô do Old Fashioned e do Negroni faz parte da revolução de coquetéis que está conquistando o mundo. No último relatório da IWSR, o volume de cerveja caiu 1,8% no mundo, e as vendas de vinho caíram 0,08% (análise do mercado de bebidas da IWSR em 2016). Mas as vendas de destilados como gim e uísque estão em alta. E é a geração Y que está liderando o consumo do coquetel, com quase 9 entre 10 (88%) consumidores mais jovens desfrutando de bebidas mistas em saídas noturnas (Cellar Trends). E isso porque, de acordo com a bartender de nível mundial, Kaitlyn Stewart, os consumidores não veem mais os coquetéis como segunda opção.

“O Old Fashioned e o Negroni são coquetéis clássicos que resistiram ao teste do tempo. Existem inúmeras variações, mas quando executadas perfeitamente em qualquer bar do mundo, elas sempre têm o sabor exato para o seu gosto”, diz Kaitlyn Stewart.

Whiskey Sour, Margarita e Moscow Mule são os próximos, quando se trata do gosto atual dos consumidores. O Espresso Martini, o Daiquiri, o Dry Martini, o Tom Collins e o Manhattan também entraram na lista dos 10 favoritos.

“Qualquer um dos melhores coquetéis pode ser facilmente feito em casa. É comum haver três receitas de ingredientes que qualquer barman doméstico pode tentar com facilidade. Simplesmente ter no seu bar pessoal produtos de qualidade proporcionarão um terço do caminho para o sucesso!”, acrescenta Kaitlyn.

“Pesquisamos os melhores barmans dos quatro cantos do mundo, e é incrível ver o renascimento desses coquetéis importantes e atemporais em todos os lugares”, diz Lauren Mote, preparadora global de coquetéis. “A revolução dos coquetéis chegou, e é hora de aceitá-la!”

Na opinião do especialista em gim e destacado bartender, Tristan Stephenson, “o mundo do gim está mudando constantemente, com novas tendências surgindo o tempo todo. O gim é uma bebida destilada tão vibrante e versátil, que há sempre maneiras novas e estimulantes de desfrutá-lo. Há todo um mundo de experimentação acontecendo e cabe a cada indivíduo decidir como irá desfrutá-lo melhor”.

O bartender destacou três tendências que considera mais interessantes em gim no momento:

1. Coquetéis de gim com baixo teor alcoólico
“As pessoas estão a fim de beber melhor, em vez de mais, e em meus bares tenho observado um aumento da demanda por coquetéis com teor alcoólico mais baixo”, disse Tristan.
“Assim, seja para um drinque relaxante antes do almoço ou um drinque clássico que você queira criar para depois do jantar, o gim com baixo teor alcoólico, como no drink Queen Bee, com sabores de limão condimentado e notas de mel, faz o coquetel perfeito para se desfrutar com os amigos”.

2. Gim aromatizado
“Vem acontecendo um crescimento acelerado dos gins aromatizados nos últimos anos, à medida que as pessoas experimentam e buscam por novas combinações de sabores”, explica Tristan.
“Um gim maravilhoso com novo sabor, com o qual gosto de fazer experimentos, é o Tanqueray Flor de Sevilla. É um gim no qual os sabores predominantes de junípero são complementados com sabores cítricos das laranjas de Sevilha. Para quem busca um coquetel de gim perfeitamente balanceado, na medida para o verão, então experimente a minha receita Gin and Juice”.

3. Coquetéis de gim com uma pegada gastronômica
“Eu viajo muito no meu trabalho e uma das coisas que vejo mais e mais no mundo são chefs e bartenders trabalhando juntos, para compartilhar ingredientes e técnicas. O resultado tem sido um aumento de coquetéis em sintonia com a gastronomia surgindo nos cardápios de drinques em todo o mundo”, disse Tristan.
“Uma maneira simples de atribuir a seu coquetel de gim uma pegada apetitosa é usar ervas como guarnição. Uma das minhas favoritas é o estragão, que funciona realmente bem em um G & T – o Tanqueray Cooler”.

Grandes no mercado De acordo com a Euromonitor International o mercado brasileiro de destilados cresceu 1% em vendas em 2016, o que representou 39,4 bilhões de reais. E o gim apresentou um crescimento no país acima da média e para atender esse mercado, a Indústria de Bebidas Pirassununga lançou o Gin Nick’s, produzido com álcool de vodka redestilado, zimbro, notas cítricas e ervas aromáticas brasileiras. Com preço competitivo e dedicado às classes B e C, o Gin Nick’s é feito com receita exclusiva.

“Diferente dos outros nacionais, a destilação é própria. Além disso, nossa receita é única, o público não vai consumir nada semelhante, nem mesmo nos gins importados”, comenta Francesco De Tommaso, Diretor Operacional da Pirassununga.

Com 43% de teor alcoólico e disponível na versão de um litro, o Gin Nick’s é embalado em garrafa de vidro da Verallia. Com rótulo decorado, a garrafa pintada na cor azul é quadrada e seus cantos são facetados. “Investimos não apenas numa bebida diferenciada como também numa garrafa que retratasse o seu conteúdo, ou seja, exclusiva”, garante De Tommaso.

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