Inovação é fundamental para o aumento do consumo de lácteos no país

Para o setor voltar a ter um ciclo virtuoso há a necessidade de reaquecimento
da economia alavancado por medidas, como as reformas já anunciada
pelo Governo Federal, pois proporcionarão o incremento do consumo de produtos
lácteos, principalmente de derivados que possuem alta elasticidade de renda

Thais Martins

 

No Brasil, o leite tem importância significativa. O país é o 4º maior produtor do mundo, segundo informa o levantamento feito pela Viva Lácteos, Associação Brasileira de Laticínios. A atividade está presente em todo território nacional. Dados de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia apontam que dos 5.569 municípios brasileiros, somente em 65 não há nenhuma produção de leite, o que corresponde a praticamente 1%.

A produção de leite sob inspeção cresceu em média 5,6% ao ano entre 2003 e 2013. No entanto, nos anos seguintes, o Brasil não manteve a mesma tendência. Após este período, a produção ficou estagnada em decorrência da crise econômica. Segundo a Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, em 2018 o volume ofertado foi 1,4% menor que em 2014, e 0,5% maior que em 2017.

Em relação ao mercado interno, entre 2007 e 2013 o país deu um salto no consumo de lácteos, passando de 140 litros/hab./ano para 175 litros/hab/ano. Após esse período, houve redução do consumo per capita, fechando 2018 com 164 litros/hab/ano.

Na visão da Viva Lácteos, para o setor voltar a ter um ciclo virtuoso há a necessidade de reaquecimento da economia alavancado por medidas, como as reformas já anunciadas pelo Governo Federal, pois proporcionarão o incremento do consumo de produtos lácteos, principalmente de derivados que possuem alta elasticidade de renda.

Soma-se a essa melhoria da capacidade de compra a necessidade de mudança de hábitos de consumo. Nesse momento, as estratégias estão voltadas para esse segundo ponto. O país tem uma demanda significativa de leite fluido, 70/litros/hab./ano, mas baixo consumo de derivados.

“Nesse sentido, o investimento em inovação tecnológica de produtos e processos é estratégico. Produtos zero lactose, isotônicos e com propriedades nutracêuticas são tendências para o setor. A modernização dos marcos regulatórios também é necessária para dar agilidade a aprovação e comercialização desses produtos”, afirma a assessoria de imprensa da Associação.

De acordo com o gerente da divisão de leite, Erivelto Costa, e o gerente comercial, Mauro Strey Kramer, ambos da Frimesa, as indústrias esperavam para 2019 uma oferta limitada de leite por conta de uma expectativa de maior redução da produção no campo. Esta leitura vem da análise do volume de produção nos últimos meses de 2018, que comparado com o mesmo período em 2017, ficou praticamente igual, a falta de crescimento indica que o produtor não se sentiu estimulado a investir no aumento da produção de leite.

Produtos com maior valor para o consumidor devem ganhar espaço no mercado em detrimento do leite fluido

“Com esta condição, as indústrias entraram este ano comprando forte, o que provocou uma aparente falta de leite e os preços no campo subiram muito neste primeiro trimestre de 2019, mais de 25% em relação ao primeiro trimestre de 2018, o que gera estímulo para o aumento da produção no campo. Com os dados de disponibilidade de leite do primeiro trimestre já fechados, podemos observar na prática que houve um aumento de 2% na oferta, com influência forte das importações que aumentaram mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado”, apontam os executivos da Frimesa.

A valorização da matéria-prima já nos primeiros dias de 2019 motivou a indústria a repassar aumento nos preços de venda de seus produtos a fim de manter as suas margens e a sustentação do preço ao produtor. “Como de fato, a oferta de produtos ao mercado não diminuiu, ao contrário, subiu, o aumento de preços não teve aderência e rapidamente se ajustou a oferta provocando um descompasso que deve ser corrigido imediatamente. Os preços praticados para o leite longa vida, queijos e leite in natura spot refletem bem esta situação, subiram e caíram na mesma velocidade. Então não deve haver reposicionamento de preços ao varejo/consumidor até que a oferta diminua, enquanto isso é bem provável que os preços ao produtor caiam agora e um pouco mais para frente voltem a subir novamente”, dizem os gerentes.

De 10 anos para cá

Na visão de Erivelto e Mauro, muita coisa mudou nos últimos dez anos. Com as novas tecnologias, o consumidor quer mais agilidade e praticidade na hora de comprar, “como uma embalagem prática, de fácil manuseio e que possa atender não apenas a necessidade de satisfazer a fome pelo alimento, mas também de armazenamento do produto e manuseio. O cliente está mais exigente e possui vários meios para cobrar isso da indústria.”

Já a assessoria de imprensa da Verde Campo analisa o crescimento da renda das famílias brasileiras com o aumento das vendas de iogurtes. “Vimos o item entrar na cesta de compras do brasileiro nos anos anteriores. Agora de 2000 a 2010, assistimos a uma retração no consumo. De acordo com relatório da Euromonitor, em 2018, foi registrada uma queda de 1,9% em valor e de 6,2% no volume. Por outro lado, notamos uma mudança no comportamento do consumidor. O formato tradicional do iogurte vem sofrendo queda e sendo substituído por outros lácteos. A categoria tem tido um crescimento – mesmo pequeno – puxado pelo segmento premium, que apresentam texturas mais cremosas como o Iogurte Grego; opções sem lactose; com culturas probióticas, e com adição de proteínas”.

Esse novo hábito de consumo pode ser provado, por exemplo, pelo crescimento da Verde Campo, que em 2018, aumentou em 20% seu faturamento em relação ao ano anterior, devido à sua atuação em produtos de mais valor para o consumidor, utilizando ingredientes naturais e leite de altíssima qualidade.

“O Grupo 3Corações tem projetos futuros que envolvem a categoria de bebidas ready to drink”, Roberta Prado, Head de Marketing do Grupo 3Corações

Tendências

O mercado tem exigido produtos que tragam saúde e qualidade de vida para o consumidor. A tendência são os produtos que proporcionam boa forma e saúde como os lights e também os zero lactose. Para isso, a Frimesa tem inovado em produtos achocolatados light com até 30% menos açúcar e total aplicação do Plano Nacional de Redução de Sódio, com a reformulação de 40 produtos processados de seis linhas de produção para cumprir a meta de redução.

Lançamentos

O Grupo 3Corações atua nas categorias de bebidas lácteas com cappuccino em pó, cappuccino líquido RTD, café com leite, achocolatado em pó e cápsulas.”Na categoria de lácteos, trabalhamos com o produto cappuccino líquido #Pronto desde 2013. O produto tem como público-alvo jovens que estão na transição entre a adolescência e a vida adulta, começando a inserir o café em sua rotina. O principal diferencial do #Pronto é o sabor, pois é uma versão líquida do cappuccino em pó da linha (nas versões Classic, Chocolate e Light). Outro diferencial está na praticidade, já que ele é um cappuccino já pronto para beber”, afirma a Head de Marketing do Grupo 3Corações, Roberta Prado.

Linha #Pronto quer atingir um público que está entrando na categoria de cafés

Roberta preferiu não revelar os planos da empresa no momento, porém, adiantou que a empresa “tem projetos futuros que envolvem a marca #PRONTO e a categoria de bebidas RTD (ready to drink).”

Já os gerentes da Frimesa revelam que alguns lançamentos devem acontecer em breve, todos baseados em pesquisas junto ao consumidor nos últimos dois anos. “São mais de 115 produtos no portfólio de derivados do leite. A última novidade nas linhas de bebida láctea foi o Achocolatado UHT Light Friminho 200 ml, que atende os ‘pequenos’ e os ‘grandinhos’, em sabor, e de calorias em 27% além de conter, 30% menos açúcar. É um alimento à base de leite integral e soro e contempla na composição Vitaminas A, D, B1, B2 e PP.”

A marca também aposta nos rótulos que possuem os recursos da Realidade Aumentada, combinando a captura de imagens com a projeção do desenho em 3D. “Com isso, as crianças podem interagir com o mundo virtual através de joguinhos e tirar selfies com o Friminho”, explicam os executivos.

Iogurtes premium com texturas mais cremosas e adição de proteínas puxam as vendas de lácteos

Em 2016, a Verde Campo lançou a linha de iogurtes e shakes proteicos, enriquecidos com WheyProtein, proteína de melhor absorção pelo organismo. Além disso, a marca também anuncia, agora, duas novas linhas de Iogurtes Gregos em quatro sabores: frutas amarelas (manga e maracujá), frutas vermelhas com chia (morango, amora e framboesa) e super frutas (mirtilo, cranberry e amora). Os lançamentos terão duas diferentes versões com os mesmos sabores. A primeira é a Tradicional, feita com leite integral e com probióticos, que melhoram a imunidade e a digestão. A segunda é LACFREE, sem lactose, e também zero gordura e açúcar.

Trajetória

A Frimesa atua com matéria-prima leite desde seu surgimento, em 1977, com a Central de Cooperativas, que tem como modelo de negócios gerar e compartilhar os resultados com as cadeias produtivas de leite e suínos. Os resultados são obtidos através da soma de cinco cooperativas filiadas – Copagril, Lar, Copacol, C. Vale e Primato – e de seus produtores, abrangendo desde a produção primária até a industrialização e entrega dos produtos no mercado.

“Temos 2.524 produtores de leite integrados que produzem 197 litros de leite por produtor, com uma média de 13 litros por dia de leite por animal, totalizando um plantel de 46.597 animais. Em 2018, foram 222.804.134 litros industrializados nas quatro plantas industriais, além de duas plataformas de recebimento de leite. As estruturas operam com flexibilidade totalizando uma capacidade de um milhão de litros de leite por dia. Em 2018, a capacidade real utilizada nas indústrias foi de 610.422 litros de leite ao dia”, explicam o gerente da divisão de leite, Erivelto Costa, e o gerente comercial, Mauro Strey Kramer.

No segmento de leite, as duas principais unidades industriais da Frimesa são divididas: uma para refrigerados, principalmente iogurtes; e outra para linha de queijos e produtos longa vida, como leites e bebidas lácteas. “Nossos produtos chegam a 34.258 clientes no Brasil e a nossa estrutura tem a capacidade de abastecer 100% do território nacional, sendo o varejo o principal canal. São 15 filiais de venda e 11 centros de distribuição servindo de base para comercialização dos produtos. A capacidade de armazenagem das plantas industriais e CDs chega a mais de 33 mil toneladas de alimento, entre congelados, resfriados e linha seca”, revelam os gerentes.

A capacidade de armazenagem das plantas industriais e CDs da Frimesa chega a mais de 33 mil toneladas de alimentos

Em 2004, foi lançada a marca Verde Campo, a primeira a produzir queijos e iogurtes Diet e Light no mercado, segundo afirma a assessoria de imprensa da marca. O crescimento da companhia aconteceu em 2012, quando lançaram a linha LACFREE, com os primeiros lácteos sem lactose do Brasil, tornando-se referência no mercado nacional. A partir daí, a empresa apresentou crescimento de 50% ao ano.

Em novembro de 2018, a Verde Campo assumiu o compromisso de levar às gôndolas apenas produtos 100% naturais, livres de conservantes, corantes e aromas artificiais. Com essa proposta, a marca retirou os ingredientes químicos de todo o seu portfólio, composto por 60 Skus.

“Além disso, nossos produtos são feitos com leite fresco e certificado em boas práticas produtivas, bem-estar animal e conformidades sociais e ambientais. O DNA de nossa marca é levar à mesa do consumidor produtos saudáveis, nutritivos e funcionais. Nosso público são pessoas que se preocupam com o que consomem, que buscam bebidas lácteas ou iogurtes com menos açúcar (ou zero açúcar), menos gordura (ou zero gordura) e alimentos naturais”, diz a assessoria da Verde Campo.

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