Cerveja artesanal: tecnologia e capacitação são essenciais

A força do mercado cervejeiro nacional movimenta toda a cadeia de insumos,
ingredientes, equipamentos e serviços. A indústria precisa de investimentos
em tecnologia e capacitação para manter a competitividade

Carlos Donizete Parra

 

A escolha do novo presidente e a melhora de indicadores econômicos aliados ao aumento da confiança dos brasileiros no fim do ano não conseguiram reverter o desempenho negativo das compras de itens básicos no ano passado. De acordo com o Consumer Insights, elaborado pela Kantar Worldpanel, o consumo não cresceu em 2018, apresentando queda de 2,1% em toneladas e aumento tímido de 1,5% em valor na comparação com 2017.

Investimentos em tecnologia beneficiam aspectos relacionados à padronização e qualidade das cervejas

No entanto, de acordo com o estudo, o cenário instável não impediu o aumento de categorias consideradas premium dentro dos lares, como a cerveja. O consumo da bebida vem mantendo um ritmo moderado dentro e fora dos lares brasileiros. E, se no volume o aumento não é tão considerável para as cervejas mainstream, para as especiais o volume tem crescido, trazendo aumento para as receitas das empresas, afinal os valores são maiores. Com quase 900 cervejarias artesanais registradas no país, o segmento procura estratégias de posicionamento e profissionalização. As empresas com produção acima de 100 mil litros buscam tecnologias de produção que permitam redução de custos, padronização e produtividade maior, lembrando que recente relatório sobre o assunto, realizado pelo professor José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP, mostrou que um trabalhador brasileiro gasta quase quatro vezes mais de tempo que um trabalhador americano para executar a mesma tarefa. Em alguns países da Europa essa diferença é ainda maior. Esse quadro demonstra a necessidade de investimentos em capital humano e também em máquinas e equipamentos com tecnologia de ponta. Só assim é possível vencer a falta de produtividade.

Na ponta do negócio, o consumidor de cerveja busca novos sabores e produtos diferenciados, mas não abre mão de preço justo. A diversidade e quantidade produtos na prateleira geram aumento da competição, é preciso entender as necessidades desse público e oferecer o que ele realmente deseja.

O sabor é considerado como um dos principais fatores que o consumidor leva em consideração no momento de decidir a compra de qualquer tipo de bebida e, em relação às cervejas isso está muito mais em evidência com a chegada das artesanais e especiais ao mercado.

É preciso, portanto, criar soluções que sejam agradáveis aos consumidores, mas que não interfiram em questões como: qualidade, shelf life, estabilidade e outros.

A segurança alimentar, assim como sustentabilidade e clean label são fatores cada vez mais relevantes na decisão de compra.

Concursos

A participação em eventos como o Concurso Brasileiro da Cerveja, de Blumenau, é uma ação interessante para medir, em partes, a competitividade das cervejarias. No Concurso foram mais de 3 mil rótulos de 505 cervejarias brasileiras avaliadas por juízes do Brasil e de mais 22 países. O feedback desses juízes em relação a todas as amostras analisadas já vale a participação no evento. Se for premiada, então, melhor ainda!

A premiação do Concurso aconteceu no dia 12 de março, no Bela Vista Country Club com muita cerveja e muita comemoração. Ao todo, foram distribuídas 72 medalhas de ouro, 93 prata e 90 bronze no total de 255 medalhas, o que corresponde a 8,18% do número de cervejas inscritas premiadas, em 154 categorias.

O destaque ficou por conta da premiação das The Best of Show nas categorias Comercial, que reuniu produtos já disponíveis no mercado, e Experimental, que avaliou rótulos ainda não lançados para o público.
Dentro das categorias foram definidos outros três grupos: pequeno, médio e grande portes, medidos por volume de produção mensal. Pequeno porte: até 10 mil litros; Médio porte: de 10 mil e um a 100 mil litros e grande Porte: a partir de 100 mil litros.

Algumas Premiadas

Black Princess

A cerveja Black Princess Doctor Weiss foi premiada com medalha de ouro, categoria Kristal Weiss. Com testes às cegas, são avaliados a aparência, sabor, aroma, sensação de boca, corpo, carbonatação e equilíbrio da cerveja.

Black Princess faz parte da linha de cervejas especiais do Grupo Petrópolis

“É uma conquista muito significativa para nós. A Black Princess Doctor Weiss foi lançada no concurso do ano passado e garantimos o bronze. O ouro agora, em um dos mais importantes concursos nacionais de cervejas e o maior da América Latina, só comprova que estamos no caminho certo, produzindo o que há de melhor para o mercado de cervejas artesanais”, explica Diego Gomes, mestre cervejeiro da Black Princess.

A Black Princess DoctorWeiss possui teor alcoólico de 5,2% e amargor de 16 IBU, possui colarinho denso, cremoso e cor branca. No aroma e sabor, delicada mistura de frutas e especiarias – banana e cravo -, acompanhados de tênue doçura maltada. Corpo e amargor complementam harmonicamente o conjunto. Alta carbonatação e um final ligeiramente seco.

Pratinha

A Red Flanders Ale da Cervejaria Pratinha – Culotte de la Duchesse seguiu a tradição de superpremiações e conquistou o segundo lugar na categoria.

Medalha em Blumenau aumentou o portfólio de premiações da Pratinha

A Culotte de la Duchesse fica um ano maturando em barris de carvalho e é lançada em edições limitadas. Entre as premiações importantes ao redor do mundo, já levou o título de melhor cerveja das Américas na Copa Cerveza de Américas, realizada no Chile em 2018, prêmio de Melhores do Brasil no World Beer Awards 2018 e medalha de Bronze no International Beer Challenge 2017, ambos realizados em Londres. Só no ano passado, a Cervejaria Pratinha conquistou 16 medalhas ao redor do mundo.

Cerveja Blumenau

Cerveja Blumenau disponibilizou toda linha de produtos e 15 opções experimentais

Somando a 21ª medalha, a Cerveja Blumenau levou ouro na categoria Hybrid/Mixed Wild Beer, com o rótulo Blumenau Sour Project Red Sour. Para Valmir Zanetti, diretor da Cerveja Blumenau, é motivo de orgulho conquistar um prêmio como este. “Entendemos que o mercado está cada vez mais competitivo e é importante sempre buscarmos novas receitas”, afirma. Segundo ele, não só o setor como também o consumidor tende a ganhar com isso. “Vemos, todos os anos, que o brasileiro vem experimentando cervejas diferentes e essa tem sido nossa aposta. Queremos mostrar o quanto este segmento é rico em sabores e explorá-lo cada vez mais”, complementa.

Além da Blumenau Sour Project Red Sour, a empresa disponibilizou outras 15 opções experimentais ao público presente no Festival, servidas, juntamente com os rótulos de linha.

Alles Blau

A premiada Alles Blau Witbier faz parte da linha da cervejaria e é uma homenagem à escola belga

Um ano depois de entrar no mercado cervejeiro e estrear no Festival Brasileiro da Cerveja, a Alles Blau garantiu sua primeira medalha. A marca blumenauense levou bronze na categoria Belgian Witbier, com a Alles Blau Witbier.

Para Rubens Bósio, cervejeiro da marca, essa medalha é a certificação de que estão no caminho certo. “Receber um prêmio em uma competição deste porte tem um peso enorme para a gente. Sabemos que é só o começo da jornada e queremos seguir nessa entoada e produzir cada vez mais cervejas de alto nível para o público”, comenta.

A Alles Blau Witbier faz parte da linha da cervejaria e é uma homenagem à tradicional escola belga, com a característica coloração clara e sabor sutil. Condimentada com sementes de coentro e casca de limão siciliano, ela tem 5,1% de teor alcoólico e 18 IBU.

Bierland

Premiada no Concurso, a Bierland Strong Golden Ale é uma cerveja de alta fermentação, complexa e delicada.

O estilo Belgian Golden Strong Ale surgiu após a Segunda Guerra Mundial e é comumente associado ao demônio em virtude de parecer uma cerveja menos alcoólica do que ela realmente é.

O estilo Belgian Strong Ale surgiu após a Segunda Guerra Mundial e é comumente associado ao demônio em virtude de parecer menos alcoólica do que normalmente é

A coloração amarelo ouro, clara e efervescente, é arrematada por uma espuma abundante e persistente. Seus aromas remetem aos ésteres frutados e agradáveis notas de tangerina, frutas cítricas, especiarias e um suave perfume alcoólico. O sabor se destaca pelo equilíbrio entre o dulçor do malte e o amargor moderado, com final seco e levemente condimentado. Frisante, de corpo médio, é par perfeito para acompanhar queijos azuis, paella, tender com frutas e panetone. A Bierland Strong Ale é uma cerveja que não passa por filtração, possui teor alcoólico de 9 %, amargor de 30 IBU e coloração de 10 EBC.

O festival também foi o palco do lançamento da Bierland Chamaeleon, uma cerveja do estilo Catharina Sour com adição de caju, elaborada com o cervejeiro Daniel Ferreira de Córdova, de Florianópolis (SC), a partir da cerveja Chamaeleon, vencedora do 7o Concurso Cervejeiro Caseiro Bierland. A inspiração para o nome escolhido pelo cervejeiro, observador de estrelas, foi a constelação de Chamaeleon, por remeter ao camaleão e sua capacidade de troca de cor, representando as diferentes colorações que o estilo possibilita a partir da fruta utilizada na sua composição. Brasileira, tropical, levemente ácida e muito refrescante, a Bierland Chamaeleon harmoniza com pratos menos intensos e fortes, como saladas, carnes brancas e frutos do mar. A cerveja possui graduação alcoólica de 4,5% ABV, coloração naturalmente turva e amarela de 11 EBC e amargor muito baixo, de 5 IBU.

Festival

Entre os dias 13 e 16 de março, Blumenau incorporou o título de Capital Nacional da Cerveja, ao receber a 11ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja. A edição de 2019 contou com 116 cervejarias, mais de 800 rótulos comercializados nos setores 1 e 2 do Parque Vila Germânica, além de uma variada programação artística e cultural, palestras e opções gastronômicas. O Festival Brasileiro da Cerveja é considerado o maior evento cervejeiro da América Latina. “O Brasil é hoje o 3o maior mercado consumidor de cerveja em todo o mundo. Nossa estrutura já está pronta e à altura para receber os visitantes que nos colocam neste patamar”, afirma o secretário de Turismo e Lazer e presidente do Parque Vila Germânica, Ricardo Stodieck.

Na área de conteúdo, o evento contou com extensa gama de palestras organizadas pela Escola Superior de Cerveja e Malte. A palestra de abertura, na quarta-feira, foi com o americano Bob Pease, presidente da Brewers Association (BA), uma das principais associações cervejeiras do mundo, responsável por eventos tradicionais do setor como o Craft Brewers Conference e a Brew Expo America, além de editar o BA, importante guia de estilos e tipos de cervejas consultado por cervejeiros do mundo todo.

A variedade de cervejas produzidas pelos americanos atrai turistas do mundo todo, aumentando a renda e gerando mais empregos para o país

Entre outras coisas, Bob Pease falou que o movimento das cervejas artesanais proporcionou aos Estados Unidos aumento considerável no turismo, sendo o país o principal destino do mundo para pessoas que viajam para conhecer as cervejas americanas, seus produtores e a cultura gastronômica do país. Com a valorização do consumo local, as cervejarias tornaram-se fundamentais para as economias das cidades em que estão instaladas. Ou seja, essas empresas geram empregos e riqueza para suas comunidades.

Das 7.134 cervejarias instaladas, atualmente, nos Estados Unidos 98% são classificadas pela Associação como independentes, artesanais e de pequeno porte. ‘Acredito que em dois anos teremos entre 8 mil e 9 mil empresas de cervejas nos Estados Unidos’, projeta Bob Pease. Os estilos que mais crescem, segundo ele, continuam sendo a IPA, seguida da American Lager e Session IPA. E nas embalagens, o aumento de participação das latas é gigantesco. ‘O vidro é a embalagem mais popular, mas a lata vem ganhando espaço por ter um custo mais atrativo para o produtor, além de ser reciclável e muito atrativa como ferramenta de exposição no ponto de venda”, explica Bob Pease. O executivo americano se disse impressionado pelo aumento de cervejas artesanais brasileiras nos últimos anos e acredita num futuro promissor para as cervejarias.

Outro destaque foi a apresentação de Axel Jany, da Alemanha, que falou sobre o Uso de maltes caramelados e torrados em cervejas “mais leves”. Axel é cervejeiro da Weyermann, representada no Brasil pela Agrária Malte. Entre as tendências apontadas pelo cervejeiro estão o uso de maltes com forte relação com seu terroir como Maris Otter e Barke, além da utilização cada vez maior dos maltes defumados, mesmo que em quantidades menores e que tragam ao consumidor notas mais sutis fazendo com que ele aprecie e se acostume aos poucos com esse estilo de cerveja, característico de Bamberg, sede da maltaria da Weyermann na Alemanha.

Feira Brasileira da Cerveja

Paralelo ao festival aconteceu a quarta edição da Feira Brasileira da Cerveja, de 13 a 15 de março numa área de seis mil m². Cerca de 60 empresas de todo o Brasil e do exterior apresentaram máquinas, insumos e serviços voltados à cadeia produtiva da cerveja.

Zegla

Arthur Stringhini e Rubens Deeke, da Bierland, em visita ao estande da Zegla

Sonho de consumo das cervejarias artesanais, a enchedora híbrida fabricada pela Zegla, envasa tanto o vidro quanto a lata em um mesmo equipamento flexibilizando a produção e reduzindo custos para o cliente. Com atuação na área de cervejas desde 2005, a Zegla fornece soluções completas para cervejarias – desde moedores de malte, silos, salas de brassagem, tanques de fermentação e maturação, filtração e outros equipamentos.

Segundo Arthur Stringhini, diretor comercial da empresa, os equipamentos produzidos pela Zegla cumprem os mais avançados níveis de qualidade, eficiência e confiabilidade do mercado de bebidas. “A enchedora híbrida é um equipamento robusto e com tecnologia de precisão, garantindo o processo de envase com o mínimo de incorporação de O2 , além de um apurado sistema de fechamento (recravamento) de latas, o qual garante a qualidade do produto fabricado”.

A linha Think Craft da Zegla disponibiliza ao mercado todos os equipamentos necessários para produção de cervejas artesanais, como salas de brassagem a partir de 250 litros por apronte, com design ideal para microcervejarias e brewpubs. As salas de brassagem da Zegla seguem padrões internacionais, com o conceito de fervedor externo com whirpool de fundo plano, favorecendo a formação de trub, o que elimina a perda de cerveja , proporcionando economia e eficiência ao processo. “Além disso, a automatização garante a repetibilidade de receitas, dimensionada para pressões mais baixas, reduzindo a caramelização, com filtração por gravidade, o que elimina a necessidade de bomba de vácuo. Isso tudo viabilizado num projeto com uma construção mecânica com alto grau de acabamento, favorecendo a limpeza”, explica o executivo.

Garrafas da linha Selective Line, da Verallia, estão disponíveis aos cervejeiros nas cores canelle e dark ambar

Verallia

A Verallia, fabricante de embalagens de vidro para alimentos e bebidas, apresentou em seu estande que é possível usar e abusar de designs distintos para personalizar suas garrafas.

As garrafas da Selective Line saem do lugar comum quando o assunto é design e para o segmento cervejeiro estão disponíveis nas cores canelle e dark amber. Elegantes e criativas, as embalagens são o primeiro passo para conquistar o consumidor.

“Queremos mostrar que é possível sair do padrão e investir numa embalagem com design diferenciado para conquistar mais apreciadores da cerveja. Isso tudo sem abrir mão das vantagens que o vidro proporciona para o segmento cervejeiro”, explica Catarina Peres, supervisora de marketing da Verallia.

Agrária

Equipe da Agrária apresentou uma extensa linha de produtos fabricados e comercializados pela empresa

A Agrária mais uma vez movimentou a feira com um estande repleto de novidades e atendimento impecável. Uma equipe de colaboradores e distribuidores tiraram dúvidas e mostraram os lançamentos preparados especialmente para a feira, como os flakes de milho, barris de aço para cerveja produzidos pela chinesa Penglai, além dos fermentos da Lallemand, lúpulos da HVG e adjuntos e coadjuvantes de processo da Prozyn, tudo sempre acompanhado por uma assistência técnica especializada para todos os tipos de produtos.

Uma variada linha de maltes base e maltes especiais produzidos pela Agrária foi apresentada aos visitantes do evento.

A Agrária, juntamente com a Weyermann, participou da rodada de palestras que aconteceu paralelamente à Feira. O consultor internacional, Axel Jany, falou sobre O uso de maltes caramelados e torrados em cerveja. A Agrária comercializa os maltes especiais produzidos pela Weyermann.

Registro online para novos rótulos

No ano passado, pela primeira vez, o número de registros de novas cervejas no Brasil ultrapassou os índices de sucos e vinhos. Foram 6,9 mil rótulos que receberam a autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para agilizar esse processo e facilitar os trâmites para que os itens cheguem ao mercado, o órgão lançou, durante o Festival Brasileiro da Cerveja, no dia 15 de março, uma ferramenta online para registro.

O anúncio foi feito numa mesa redonda, que contou com a participação do presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli. Ele valorizou a iniciativa. “Estamos mostrando a força do mercado independente, que está crescendo em representatividade e apontando como estratégico no segmento de bebidas no Brasil. Essa atitude do Mapa mostra que o olhar do setor público para esse cenário está se tornando mais sensível”, comenta.

Para o coordenador geral de vinhos e bebidas do Mapa, Carlos Müller, o anúncio surtiu uma reação positiva dos empresários do setor. “Os feedbacks foram todos positivos, especialmente no que diz respeito a estarmos pensando em soluções que tragam mais dinamismo para um segmento que já é ágil pela natureza do negócio. Assim como esta, o Mapa está sempre em busca de alternativas que racionalizem e otimizem a atuação deste ministério no mercado de bebidas”, diz. A ferramenta está disponível apenas para cervejarias, no site do Sipeagro.

De acordo com o Mapa, até dezembro de 2018 o Brasil contava com 889 cervejarias. A expectativa é que a milésima fábrica seja registrada ainda este ano.

Exportação ganha força

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2018, cresceu em 23% o número de cervejarias registradas em todo Brasil, totalizando cerca de 889 estabelecimentos. A expansão no país é liderada pelo Rio Grande do Sul, seguido de São Paulo e Minas Gerais.

O consumidor brasileiro está cada vez mais exigente e com um perfil de consumo diferenciado, sendo atraído por bebidas especiais e diferenciadas, acrescidas de sabor e qualidade. “O público está incluindo a bebida nos hábitos e reuniões entre amigos e família, o que justifica o aumento de estabelecimentos”, afirma Ivo Mafra, diretor da DC Logistics Brasil, que viu junto com essa tendência de consumo nacional o aumento da participação do produto no comércio exterior.

A exportação de cervejas brasileiras, por exemplo, ganhou força nos últimos meses. Até abril de 2018, a exportação do produto faturou cerca de US$31,8 milhões. Os principais destinos são Paraguai, Argentina e Bolívia. “A cerveja brasileira está ganhando respeito e espaço em outros países. O empresário que estiver disposto a exportar deve aproveitar a oportunidade”, comenta Mafra.

Os principais destinos das exportações de cervejas brasileiras são Paraguai, Argentina e Bolívia. Outros continentes também começam a se interessar pelo produto nacional

Um exemplo é a Cervejaria Dado Bier, de Porto Alegre (RS). Em outubro de 2018, realizou sua primeira exportação, para Denver, no Colorado. A empresa enviou quatro contêineres de 40 pés, totalizando 48.400 litros e 138.240 garrafas de long neck. “Inicialmente, a Dado Bier nunca havia realizado um processo de exportação, então, dedicamos atenção especial nesta operação, visto que, para realizar a exportação marítima de cervejas, há alguns fatores que devem ser levados em consideração, como a embalagem. As garrafas devem ser preferencialmente embaladas em caixas de papelão, paletizadas e fixadas com filme stretch” ressalta Diego Formiga, Customer Success de Exportação Marítima da DC Logistics Brasil.

Como título de curiosidade, nos casos de transporte aéreo, é necessário comprovar o teor alcoólico da bebida, que até 70% pode embarcar como carga geral, desde que seja adequadamente embalada. Se for maior, é considerado IMO/DGR independente da embalagem que for utilizada”, explica Formiga.

Para este ano estão previstos o embarque de 16 contêineres, que contabilizam 193.600 litros e 552.960 long necks. Já para 2020, prevê-se um total de 36 contêineres, todos de 40 pés, que somam 435.600 litros e 1.244.160 garrafas de long neck. Além disso, a empresa desenvolveu em parceria com os importadores dos Estados Unidos, uma cerveja especial para o mercado de importados, chamada de Brazilian Lager, criada a partir da visão dos americanos sobre o Brasil.

 


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