A Fábrica de bebidas do futuro e a Indústria 4.0 – Eficiência – 4ª Parte

Tanto a Fábrica de bebidas do futuro quanto a Indústria 4.0 tiveram seus caminhos interceptados pelo Coronavírus e, por um breve momento, terão que repensar as estratégias e rotas de fuga para se chegar até lá. Em alguns casos essa chegada pode ser abreviada, em outros não. Mas, parece ser o melhor caminho para uma indústria eficiente e competitiva. É o caminho da disrupção. Uma indústria com propósito e que não faz nada por modismo, mas por centralizar as ações em seus clientes e colaboradores. É uma indústria focada na experimentação, que pode até errar, mas não pode de forma alguma ficar parada. Essa é a indústria do futuro, que lançará mão de todos os recursos tecnológicos disponíveis, mas que saberá como nunca utilizar o ser humano como seu mais precioso aliado.

Mediante a tudo isso, perguntamos aos especialistas e executivos: Qual sua concepção de fábrica de bebidas do futuro daqui para frente? A indústria 4.0, com todas suas ferramentas de tecnologia, precisa ser repensada?

As fábricas de bebidas
do futuro terão instalações
modernas com mão-de-obra qualificada, alto índice
de automação, flexibilidade
e velocidade

Arthur Stringhini, Diretor • Zegla

As fábricas de bebidas do futuro terão instalações modernas com mão-de-obra qualificada, alto índice de automação, flexibilidade e velocidade.

Dependendo do perfil da indústria de bebidas faz-se necessário manter o foco na industria 4.0, contudo, como no Brasil a maioria das empresas são de pequeno e médio portes, pode ser mais eficiente investir em flexibilidade e automação em níveis que permitam alcançar eficiência com o menor custo de investimento.

O alto custo, colocado
como um dos principais entraves
da Indústria 4.0, pode ser
atenuado com a
implantação por etapas

José Rodolfo Nunes de Faria,
Diretor • Delta Gestão Industrial

Certamente, a digitalização fará parte das características de todo novo investimento. Remotamente, supervisores, gerentes e fornecedores devem ter condições de monitorar, controlar, diagnosticar problemas, antecipar tendências etc. Será fundamental ter uma tecnologia e uma TI com arquitetura flexível, escalável, aberta e integradora, ativos totalmente conectados e conexões de alta velocidade. Em relação às pessoas, equipes especializadas nas tecnologias de cada parte do processo, absorvendo novas formas de trabalhar e preocupadas com a melhoria da capacitação em analisar os dados gerados (volume, variedade e velocidade) para tomar decisões rápidas e inteligentes.

Quanto à Indústria 4.0, acredito que é um caminho sem volta. Na realidade, se pensarmos em seus objetivos verificamos muitos benefícios para esse momento que estamos passando, certamente as empresas na vanguarda da I4.0 estão conseguindo passar melhor por essa fase. O avanço da Indústria 4.0 no Brasil depende de maior conhecimento das empresas sobre os ganhos da digitalização, tanto com respeito ao aumento da produtividade como às oportunidades de novos modelos de negócio, flexibilização e customização da produção, e da redução do tempo de lançamento de produtos no mercado. O alto custo, colocado como um dos principais entraves, pode ser atenuado com a implantação por etapas.

Os desafios na indústria 4.0 trazem consigo a promessa de benefícios
de mesma proporção: redução
nos custos de manutenção,
no consumo energético e aumento
da eficiência e capacidade produtiva

Jeferson Stamborowski, Gerente de Desenvolvimento F&B • Sartorius do Brasil

A indústria 4.0 exige um investimento tecnológico e uma conectividade sem precedentes. É por meio da integração de ferramentas virtuais e de hardwares diversos que surgem possibilidades como controle remoto, auto-regulação, tomada de decisão baseada em análise de dados em tempo real e flexibilidade na linha de produção. No entanto, todas essas vantagens têm seu preço.

O chão de fábrica precisa ser inteiramente repensado. A Internet das Coisas só faz sentido industrial em um ambiente com conexão ampla, constante, robusta e veloz. Além da instalação de uma rede local potente, o maquinário precisa ser adaptado para a conexão, o processamento de comandos, a captação e o envio de dados. Em alguns casos, a instalação de sensores pode bastar. Em outros, a única solução é a troca de equipamentos. Nossas indústrias estão preparadas para isso?

Por enquanto, os custos de uma modernização como essa, vão além do orçamento de empresas de pequeno porte, sendo uma opção viável apenas para as de médio e grande portes, arrisco a dizer que aqui no Brasil, apenas as de grande porte. No entanto, os desafios na indústria 4.0 trazem consigo a promessa de benefícios de mesma proporção: redução nos custos de manutenção, no consumo energético e aumento da eficiência e capacidade produtiva.

Acredito muito em centros
de fabricação (Co-packers)
para pequenos e médios
fabricantes de bebidas

Marcelo Cozac, Diretor • McPack Equipamentos

Difícil falar como será a indústria do futuro daqui para frente, mas depende muito de cada tipo e tamanho de indústria, mas acredito muito em centros de fabricação (Co-packers), para pequenos e médios fabricantes de bebidas. A Indústria 4.0 será largamente utilizada, principalmente no atendimento B to B e link com consumidores.

A fábrica de bebidas do futuro terá máquinas 100% conectadas, flexíveis, fáceis de operar,
manter e gerenciar em toda a organização por meio de
interfaces de design amigável

Denis Malterre, VP Sales South America • Sidel

A fábrica de bebidas do futuro terá máquinas 100% conectadas, flexíveis, fáceis de operar, manter e gerenciar em toda a organização por meio de interfaces de design amigável.

É importante o uso do EIT, Ferramenta de Melhoria da Eficiência da Sidel em todas as linhas, ela usa monitoramento abrangente da linha para detectar com precisão as causas de paradas não planejadas e ajudar a aumentar a capacidade de resposta dos operadores.

Quanto à indústria 4.0, ela veio para ficar. Ela ainda evoluirá e se adaptará à realidade da indústria, hoje mais do que nunca sempre exposta a constantes inovações, e continuará oferecendo novas tecnologias a todas as indústrias.

Devemos lembrar que Indústria 4.0 não trata apenas do uso de novas tecnologias, mas também de revisão de processos e de implantação de novas culturas da gestão à operação

Fausto Padrão, Gerente de Engenharia • Coca-Cola Andina Brasil

Minha leitura de fábrica de bebidas do futuro continua a mesma. Uma forte digitalização e interconexão entre equipamentos, com dados sendo enviados para a nuvem, com análises profunda de todos os dados em tempo real. Paralelamente, a reengenharia de processos e do modelo de gestão, adaptando o chão de fábrica para esta nova realidade, completam minha visão. Na verdade, a Pandemia acelerou de forma significativa o uso das novas tecnologias disponíveis, o que sem dúvida será um evento promotor da Indústria 4.0 e de suas aplicações. Contudo, a digitalização e a conectividade, bases da Fábrica de bebidas do Futuro, exigem investimentos que se tornaram escassos em um cenário de pandemia e recessão, apesar da já disponível opção das redes 5G privadas, já homologadas para uso no Brasil, o que pode tornar viável a conexão do chão de fábrica com um menor investimento. Mas ainda assim, as prioridades durante a crise, portanto, deveriam ser a revisão e otimização de processos, e a preparação das equipes para os novos modelos de trabalho.

Na verdade, a Indústria 4.0 precisa ser reinterpretada por todo o meio industrial para ser melhor compreendida. Como toda nova tecnologia, a primeira impressão sobre seus usos e aplicações tende ser fantasioso ou superestimado, e isso pode gerar percepções erradas sobre os custos e possibilidades de sua utilização nas indústrias. Além disso, devemos lembrar que Indústria 4.0 não trata apenas do uso de novas tecnologias, mas também de revisão de processos e de implantação de novas culturas da gestão à operação, e que por isso, ela pode estar mais próxima do que parece de ser aplicada na maioria das empresas, o que é claro, depende muito de cada cenário.

Algumas premissas para uma
fábrica de bebidas do futuro
já estão consolidadas, como a
crescente preocupação com o
Meio Ambiente, como maior
consciência sobre gastos de energia e de água e a utilização de fluidos refrigerantes naturais, que não agridem o meio ambiente

Paulo Teixeira, Gerente Comercial • Mayekawa

Algumas premissas para a fábrica de bebidas do futuro já estão consolidadas, como a crescente preocupação com o meio ambiente, como maior consciência sobre gastos de energia e de água e a utilização de fluidos refrigerantes naturais, que não agridem o meio ambiente. Outro destaque é a preocupação com a segurança do operador e, consequentemente, a confiabilidade dos equipamentos que vão ao encontro dessa segurança. Portanto, vejo que a indústria exigirá soluções mais tecnológicas e com maior valor agregado, caminho aberto para a implantação da Indústria 4.0. Já no que diz respeito aos produtos, a preocupação com o meio ambiente também se apresenta com embalagens retornáveis e cada vez mais recicláveis, buscando ofertar produtos seguindo as tendências atuais de saudabilidade, e dentro de um portfólio bem diversificado para atender os variados públicos.

No meu entender a indústria 4.0
se caracteriza pelo uso das
ferramentas e tecnologias
já existentes de uma maneira
mais útil, onde se aproveita melhor de maneira mais amigável
dessas ferramentas e tecnologias
para atender nos novos
padrões de consumo

Luis Pino, Gerente de Treinamento Técnico e Service • KHS

A fábrica de bebidas do futuro terá linhas de alta velocidade e linhas flexíveis, um sistema MES extremante funcional e equipes muito capacitadas.

No meu entender a indústria 4.0 se caracteriza pelo uso de ferramentas e tecnologias já existentes de uma maneira mais útil, aproveitando-se delas melhor e de maneira mais amigável para atender os novos padrões de consumo, além é claro, de utilizar essa tecnologia no chão de fábrica, no planejamento e na adaptabilidade da empresa e dos produtos dela.

 

 

 

 

 

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