Negócios do futuro

Inovação tecnológica, grandes ideias e muita criatividade
inspiram empreendedores a criarem novos negócios mundo afora

| CARLOS DONIZETE PARRA |

Executivos e gestores encontram a cada ano a difícil tarefa de planejar o futuro sem comprometer o negócio já existente. Todos sabemos que esse futuro está muito próximo e deixar de moldá-lo pode custar a sobrevivência da empresa.

As companhias devem administrar separadamente o negócio principal de qualquer processo de inovação. Existem vários métodos para isso e um muito interessante é a estratégia das três caixas, desenvolvida por Vijay Govindarajan, já disponível no Brasil em livro. A estratégia mostra como cuidar da empresa de hoje e de amanhã, e ainda como se despreender dos valores e crenças do passado, que por diversas vezes impedem a empresa de superar os desafios do crescimento e de mudanças mais radicais. As empresas novas não passam por essa dificuldade, mas também não se descobre um Uber ou um Airbnb toda hora. Por isso, é importante separar a gestão do novo e do tradicional(já existente), até como uma forma de fomentar a inovação nas empresas.

Unicórnios Novos modelos de negócios surgiram nos últimos anos e fazem parte dessa transformação que estamos vivendo. Empresas apoiadas nas modernas ferramentas digitais deixaram as organizações tradicionais para trás em pouquíssimos anos. São os casos da Uber e do Airbnb que revolucionaram seus mercados e hoje valem bilhões de dólares. As duas empresas aproveitaram as dificuldades que os consumidores encontravam nos mercados tradicionais para ofertar um produto/serviço completamente diferente do que existia.

O Airbnb oferece preços convidativos e uma experiência completamente diferente de um hotel, se é isso o que o hóspede deseja. Ele pode se sentir em casa, conhecer uma nova cultura e se sentir parte integrante da cidade que está visitando. O dono da acomodação, por outro lado, consegue fazer um dinheirinho extra trabalhando com o que já possui.

No caso do Uber, a facilidade para chamar um carro e o sistema de avaliação de motoristas fazem toda a diferença. Quem já usou um táxi e acabou entrando no carro de um motorista mal educado, ou que dirigia perigosamente, sabe do que estou falando. Usando o sistema de localização do smartphone, ele tornou-se uma opção tanto para quem pede quanto para quem oferece o serviço. Tanto um serviço quanto o outro tem suas vantagens e desvantagens, mas são as principais bandeiras da transformação que a chamada economia colaborativa vivencia em todo o mundo.

Muitos novos modelos de negócios estão surgindo através das startups instaladas em todas as partes do planeta, seja no badalado Vale do Silício, em universidades brasileiras ou chinesas, sedentas por crescimento e por apresentar produtos e serviços extremamente diferentes e revolucionários.

Negócios tecnológicos Tratando-se de tecnologia, o ritmo das mudanças está muitíssimo acelerado, e tudo indica que deverá aumentar nos próximos anos.

Embora seja fácil perceber como a tecnologia mudou a forma como trabalhamos, negociamos e entregamos serviços, encontrar o melhor caminho é complexo e vai além do uso de novas ferramentas. Temos a necessidade de transformar cultura, processos e práticas.

Há muito o que falar sobre a tecnologias e os impactos que vão causar no futuro dos negócios e das pessoas. Todos os dias nascem novos negócios e novidades envolvendo sistemas operacionais, ciências da computação, realidade virtual, inteligência artificial e uma infinidade de termos. Tudo será baseado nessas e em tantas outras tecnologias que nem ainda foram inventadas, mas que contribuirão para a transformação completa do mundo que agora vivemos.

Entre as principais tendências tecnológicas para os próximos anos, sem dúvida, a Inteligência Artificial será a trincheira para inovações baseadas em tecnologia. Durante os próximos anos todas as aplicações no âmbito virtual vão incorporar algum tipo de inteligência artificial, seja em dispositivos móveis ou não. As machines learning devem invadir nosso cotidiano e participar ativamente de qualquer tipo de negócio, independente do porte. Não será coisa só para gente grande não. Aliás, hoje todos nós já utilizamos a tal Inteligência Artificial mas nem nos damos conta. É só ligar nosso smartphone e pronto. Ela está presente, seja através de uma recomendação mais personalizada ou de algum tipo de pesquisa efetuada. Estamos sempre utilizando a Inteligência Artificial.

Mas o que é IA? Basicamente, IA é capacidade das máquinas de pensarem como seres humanos – de terem o poder de aprender, raciocinar, perceber, deliberar e decidir de forma racional e inteligente. E não é um conceito novo. Em 1956, John McCarthy, um professor universitário, criou o termo para descrever um mundo em que as máquinas poderiam “resolver os tipos de problemas que hoje são reservados para humanos.”

A informação é ouro, mas não basta tê-la é preciso saber usá-la

Atualmente, a inteligência artificial é finalmente possível com a seguinte fórmula: big data + computação em nuvem + bons modelos de dados = máquinas mais inteligentes.

Agtech No Brasil, o novíssimo setor de tecnologia para o agronegócio, conhecido como AgTech, entrou de vez no radar do mercado em 2017. Se até um ano atrás esse termo estava restrito às rodas da cadeia de inovação agrícola, hoje ele já soa familiar em qualquer conversa de negócios, da mídia aos executivos de empresas de tecnologia, passando por investidores, governos, empreendedores e academia.

Segundo analistas de investimentos, 2018 será um bom ano para investir nas startups agrícolas brasileiras. Essa certeza está baseada em fatores como a vocação do Brasil para a agropecuária e a explosão da demanda mundial por alimentos. São diversos fatores elencados por especialistas que demonstram que 2018 será o ano das startups brasileiras de tecnologia para o agronegócio: excelência em pesquisas agrárias, sólido ecossistema de agronegócio, estágio desenvolvido e democrático de tecnologia(internet), agricultura tropical que bloqueia a concorrência estrangeira, boas probabilidades de retorno aos investimentos e outros.

No varejo As tecnologias emergentes já estão impactando a indústria e a forma como efetuamos nossas compras. O varejo terá a difícil tarefa de unir os dois mundos- físico e digital- e tirar daí os melhores resultados para seus negócios. As lojas físicas deverão incorporar a IoT e acelerar a conectividade trazendo novas experiências aos shoppers. Entram aí os robôs, realidade aumentada e virtual, identificação de produtos utilizando RFID etc. O famoso Big Data também ganha mais poder. A informação é ouro na conquista do consumidor, mas não basta tê-las é preciso saber usá-la.Os profissionais serão muito importantes nessa análise de informações e de como tomar as melhores decisões com esses dados.

Faça você mesmo ganha mais e mais adeptos Um novo modelo de negócio que vem impulsionando transformações na sociedade é o Faça você mesmo, do inglês DIY-Do It Yourself. Já comum há várias décadas vem ganhando cada vez mais adeptos, e em alguns casos não são apenas pequenos negócios caseiros ou inventores ocasionais, também invade áreas como a robótica e a genética. Nos Estados Unidos, esses ousados empreendedores começam a concorrer com multinacionais em produtos e serviços que antes ninguém imaginava que isso seria possível.

No Brasil, a cerveja artesanal é um grande exemplo do Faça você mesmo. Um movimento que teve início há cerca de 10 anos e já conta com mais de 600 fábricas espalhadas por todas as regiões do país. A tendência é que esse número chegue a 1000 fábricas nos próximos anos. Mas, o maior movimento vem dos homebrewers. São esses aficionados por cerveja que compram insumos, equipamentos e serviços para fazer em casa suas próprias receitas. São eles também que lotam os festivais de cerveja que brotam todos os anos Brasil afora. Sem falar nas pequenas escolas que ensinam a fabricar a cerveja e que também já vendem os ingredientes e acessórios necessários para o momento mais esperado por todos: degustar minha própria cerveja, do meu jeito, com a minha cara.

Os exemplos do DIY (Do it Yourself) se multiplicam pelo país, principalmente, na área gourmet. Hoje em dia é vintage fazer sua própria geléia ou preparar aquele jantar especial para os amigos com um kit comprado por um dos vários clubes de assinaturas através da internet. Os produtos chegam em casa todos porcionados e com as devidas receitas e o mais importante: o Como Fazer.

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O modelo de negócios Como fazer, diga-se de passagem, não deve ser encarado somente como um hobby, como era comum se pensar, deve ser visto como uma nova carreira e um passo importante para se empreender. Muitos negócios, como o caso das cervejas artesanais começam como hobby, mas no final viram negócios promissores e também uma realização individual muito boa que traz felicidade e, portanto, melhor qualidade de vida para as pessoas.

Para todos esses negócios, seja de tecnologia ou não, todos invariavelmente necessitam de muito esforço e investimento em inovação para continuar a dar resultado e possibilitar a entrada de novos empreendedores.

Outro fator crucial é o conhecimento. Nada se faz sem ele. É preciso incentivar ações e instituições que desenvolvem a educação no país. É preciso fomentar e dar voz aos nossos empreendedores, inventores, hobbystas e pesquisadores para que possam gerar mais e mais novos e brilhantes negócios em todo o país.

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