Faz parte da rotina dos consumidores

Bebidas devem incorporar gostos, paixões e necessidades dos consumidores

As bebidas não alcoólicas respondem por cerca de 40% da cesta de bebidas no Brasil. Fazem parte desta cesta: refrigerantes, águas, sucos, isotônicos, energéticos, chás, cafés e outros.

Os refrigerantes ainda representam a maior parte dessa produção (em volume), mas como acontece em todo o mundo, estão sendo ultrapassados pela água mineral. No Brasil, o segmento de águas engarrafadas quase dobrou a produção em cinco anos (2010 – 2015), com taxas de crescimento acima dos dois dígitos anuais no período. Mesmo com a crise dos últimos três anos, essa indústria manteve níveis satisfatórios de crescimento de consumo.

Futuro

Nesse momento desafiador que o país atravess é de extrema importância que as empresas definam claramente suas estratégias mapeando as melhores oportunidades e qual é o seu foco principal.

O entendimento das diferenças entre as gerações é parte fundamental na definição dessas estratégias e de como conquistar vantagens competitivas para o negócio.

A geração de milênios, pessoas nascidas entre 1980 e 2000, deve ser uma grande influenciadora nas estratégias dessas empresas. Essa geração está sempre aberta a novas experiências, mas são exigentes quanto à escolha de produtos de qualidade e seguros. Também dão muita importância à acessibilidade e conveniência, importância das embalagens e dos processos de logística e distribuição. O produto tem que estar no local e no momento certo de consumo. Ou seja, a ocasião de consumo tem que ser muito bem atendida pela indústria.

A saudabilidade é outro drive importante para o desenvolvimento de produtos para qualquer setor industrial e, no caso de bebidas, esse é um fator muito relevante.

Na questão da saúde o espectro atingido pelos produtos é muito maior. A sociedade de uma forma geral está muito preocupada e consciente quanto aos produtos que oferecem melhores benefícios nutricionais e funcionais.

Dessa forma, bebidas tradicionais podem perder participação ou mercado para produtos da linha free/from (menos açúcar, zero açúcar, zero lactose, zero caloria, sem glúten etc).

Um dos destaques do setor de bebidas em 2016 foi a liberação da mistura de açúcar e edulcorantes na composição de refrigerantes, refrescos e outras bebidas não alcoólicas. Publicada no Diário Oficial da União no final de dezembro de 2015, a medida permitiu o lançamento de novos produtos tendo como público alvo consumidores preocupados com as questões de saúde e qualidade de vida.

Macrotendências do setor

O estudo “Brasil Beverages Trends”, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) com o apoio da Associação Brasileira de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), apresenta algumas macrotendências que deverão impactar a produção e o consumo de bebidas no Brasil nos próximos anos, são elas:

1 Personalização e experiência

Representa a ruptura dos consumidores com os padrões e as tradições do mercado de bebidas não alcoólicas, numa busca por produtos que satisfaçam gostos e necessidades individuais, sem distinção de tipos e categorias de bebidas.

Ou seja, todas as bebidas devem ter flexibilidade para efetuar as mudanças propostas pelos consumidores, caso contrário tendem a ficar de fora do novo cenário que começa a ser construído por esse perfil de consumidores.

Esses consumidores são muito receptivos a experimentação de novos sabores, cores e texturas, assim como quanto a utilização de novas embalagens que tragam benefícios perceptíveis e reais ao seu dia a dia.

O segmento de cervejas artesanais apresenta um verdadeiro boom no mercado brasileiro ancorado nessa macrotendência. Tanto microcervejarias quanto homebreweres fazem suas cervejas com ingredientes regionais e, por vezes, bastante exóticos criando novas opções de tipos e estilos de cervejas com o objetivo de satisfazer gostos pessoais e/ou de grupos específicos de consumidores.

2 Nutrição e funcionalidade

Segundo o estudo, as bebidas que oferecem benefícios associados à nutrição e funcionalidade tendem a ser mais bem avaliadas pelo consumidor. Isso possibilita oportunidades para o lançamento de produtos para todas as categorias com destaque para as bebidas lácteas, os sucos e os néctares. Essas bebidas são fontes naturais de vitaminas, fibras, minerais, proteínas etc.

Esses produtos fazem parte, cada vez mais, da cesta básica de um público formado por idosos, mulheres, crianças, esportistas e outros.

3 Evitação e purificação

Entra nessa macrotendência as questões relacionadas à saúde e qualidade de vida, conforme falamos anteriormente. Os consumidores estão em busca de produtos que contenham menos açúcar, gordura, sódio, glúten e outros. A questão é a redução e substituição desses ingredientes por outras fontes “naturais”.

A tendência pelo consumo de bebidas naturais é cada vez mais forte no mundo e mostra-se crescente também no Brasil à medida que a renda do consumidor aumenta e, com isso, este possa incorporar esses produtos no dia a dia.

4 Conveniência e estilo de vida

O estilo de vida saudável e sustentável propõe bebidas novas e inusitadas que possam satisfazer as necessidades dos consumidores em ocasiões de consumo diversas. Bebidas para serem tomadas num rápido café da manhã ou como um complemento da refeição durante o almoço ou antes de chegar à escola, chamadas de snacks geram interesse para indústrias de bebidas em geral, especialmente para lácteos e sucos. Atualmente, várias refeições são substituídas parcialmente ou totalmente, por essas bebidas em função da praticidade de consumo e grande variedade de opções com menor valor calórico e maior valor nutricional, segundo o estudo Brasil Beverage Trends 2020.

5 Sustentabilidade e engajamento

Essa macrotendência abordada pelo estudo, mostra a valorização desses atributos pelos consumidores, principalmente, em relação aos valores que reforçam positivamente uma decisão de compra.

Esse público passa, gradativamente, a ver com bons olhos empresas e produtos que tratem questões sustentáveis como meio ambiente, emprego e outros.

Cafés movimentam o mercado

O consumo das cápsulas de café será beneficiado pela redução de preços e aumento do portfólio de produtos

Estudo realizado pelo Euromonitor International em 2016 para a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC ) apontou que no curto prazo os cafés tradicionais (com preços mais baixos) na categoria de café em pó ganhariam espaço no mercado por conta da crise e dos altos índices de desemprego. Mas, no longo prazo, os produtos de melhor qualidade seguirão conquistando mais espaço. É o caso das cápsulas de monodose que continuam crescendo em ritmo acelerado no país. Segundo o estudo, redução de preços e crescimento do consumo darão um forte impulso à categoria. Lançamentos inovadores em sabores e preços serão o driver dessa categoria nos próximos anos.

A Nescafé Dolce Gusto, marca da Nestlé que fabrica e comercializa sistemas de café, apresentou dados mostrando que o negócio de cápsulas de café no Brasil triplicou de tamanho nos últimos anos.

O Brasil é o maior produtor mundial de café e tem uma penetração de 97% nos lares brasileios, desses lares cerca de 3 milhôes já possuem máquina de café, mas ainda faltam, segundo a empresa, cerca de 10 milhões de lares. Uma oportunidade e tanto para o negócio de cápsulas da Nescafé que inaugurou há pouco tempo a primeira fábrica de cápsulas da empresa fora da Europa, em Montes Claros (MG). As empresas, portanto, estão se preparando tecnologicamente para aumentar a escala de produção reduzindo preços e aumentando a oferta de produtos nacionais.

O Café Canecão é outra empresa que está de olho no aumento de consumo de café em cápsulas no Brasil. O Café Canecão se prepara para ampliar suas fronteiras para fora do estado de São Paulo. Presente hoje em 153 municípios por meio de vendedores próprios e representantes, a empresa aposta na expansão para estados vizinhos como estratégia para retomar o crescimento.

Isso porque, o comparativo entre 2015 e 2016 apontou uma queda no volume de vendas nos produtos de fabricação própria. Foram 3,4 milhões de quilos de café em 2015 contra 2,9 milhões em 2016. Uma variação percentual negativa de 14,4%. Em contrapartida, a receita geral aumentou 5,5% passando de R$38 milhões (2015) para mais de R$40 milhões (2016). Esse aumento de receita foi o responsável por apontar o caminho que a empresa deveria seguir.

“Parte desse resultado se deu pelo aumento significativo do preço da matéria-prima (café verde), que foi repassado ao produto final, e também pelo crescimento do faturamento das operações de revenda de produtos (Cappuccino, Solúvel, Filtros de Papel, Achocolatado etc.) e da locação e assistência técnica de máquinas. Por isso apostaremos nessas duas frentes e na expansão para fora do estado”, explica Natal Martins, diretor comercial e de marketing do Café Canecão.

Em 2015, a empresa entrou para o mercado de monodoses com o Café Canecão Espresso Gourmet em cápsulas e, no ano passado, ampliou seu portfólio com o Achocolatado Canecão. “Pretendemos comercializar 1,5 milhão de embalagens do achocolatado este ano e também estamos estudando outros lançamentos. No segmento de locações e assistência técnica, esperamos crescer 50%, como em 2014 e 2015″, antecipa Martins.

De acordo com a Abic, 36% do consumo de café no Brasil acontece fora de casa, em cafeterias especializadas e outros pontos de venda, demonstrando que as estratégias adotadas pelo Café Caneção têm tudo para dar certo. Pesquisa realizada pela Mintel concluiu que o número de cafeterias gourmet no Brasil deve aumentar em 70% até 2018, abrindo possibilidades variadas para empresas que atuam no negócio de café no país.

Uma das pioneiras no Brasil na exportação de cafés especiais, a Ipanema Coffees completa 25 anos de presença no mercado externo, levando cafés de qualidade para 25 países e somando, ao final de 2016, mais de 1,9 milhão de sacas de 60 kg exportadas das três fazendas situadas nas cidades de Alfenas e Conceição do Rio Verde, no sul de Minas Gerais, que têm no total 14 milhões de pés plantados.

A excelência operacional desde o processo de manipulação do solo e de produção de água até a entrega, faz o sucesso do café da Ipanema em redes de lojas como a da Bauducco, no Brasil, e Lawson e Nespresso, entre outras, no mercado internacional. A rede Lawson, no Japão, está entre as três maiores redes de lojas de conveniência do país. A proposta de oferecer ao consumidor o café fresco, tirado na hora, começou em 2011 com um teste em 100 lojas. A aceitação foi rápida e o excelente resultado do blend exclusivo criado para a Lawson permite à Ipanema comemorar, hoje, a marca expressiva de presença em 12 mil lojas em todo o Japão. No Natal de 2016, a rede lançou pela quarta vez consecutiva uma edição especial para presente com o selo Ipanema Yellow Bourbon.

Nos Estados Unidos, este ano, a edição especial Ipanema Reserve Brazilian foi lançada pela rede americana Circle K em suas mais de 7 mil lojas em todo o país.

Refrigerante orgânico

Pela primeira vez na história dos grandes festivais de música, o refrigerante exclusivo do Lollapalooza foi uma marca que não faz parte do mainstream do mercado. O Wewi, refrigerante orgânico, natural e livre de conservantes, assumiu o desafio de atender ao público do Lollapalooza 2017. O evento aconteceu em março, no Autódromo de Interlagos, com um público de cerca de 140 mil pessoas.

“A aceitação do Wewi tem sido bastante positiva e cada vez mais os consumidores estão substituindo os refrigerantes convencionais por produtos mais saudáveis, como o refrigerante orgânico. A opção dos organizadores do Lollapalooza pela nossa marca para ser o refrigerante exclusivo do festival vem confirmar uma tendência que já temos observado no mercado. Os consumidores querem algo novo e saudável, mas sem abrir mão do sabor, e isso refletiu na escolha dos organizadores do Lollapalooza, assim como tinha ocorrido anteriormente com redes consagradas, como o Eataly, a Starbucks, a rede Pão de Açúcar, o Zona Sul, o Hortifruti, o Super Nosso, o Angeloni, o Zaffari e muitos outros”, conta Anna Carolina Coelho, diretora comercial da Wewish Bebidas Saudáveis.

Há anos as principais empresas de refrigerante do mundo tentam se associar a produtos saudáveis. Nesse contexto, os refrigerantes orgânicos e naturais são a junção de dois mundos que pareciam muito distantes, o mundo das bebidas saudáveis com o mundo dos refrigerantes. “O refrigerante orgânico tem todos os atributos de um refrigerante convencional com a saudabilidade dos produtos naturais e orgânicos. O Wewi inaugurou essa categoria no Brasil, proporcionando aos consumidores novas possibilidades. O Wewi representa o prazer sem culpa, a chance de tomar algo realmente gostoso, sem a sensação de estar consumindo algo que deveríamos evitar”, explica Rodrigo Campos, diretor de Marketing da Wewish Bebidas Saudáveis.

Segundo a empresa, o Wewi é produzido com ingredientes 100% naturais e orgânicos derivados de frutas ou extratos de origem vegetal. Assim, não contém em sua fórmula sódio, conservantes, corantes, aromatizantes sintéticos, ácido fosfórico, agrotóxicos, ingredientes transgênicos ou qualquer elemento de origem artificial.

O Wewi recebeu o selo de orgânico no mercado brasileiro e também selos americano e europeu de procedência orgânica.

Em 2017 a Wewish lançou uma nova linha de produtos o Wewi All Natural Super Zero, um refrigerante natural zero calorias, com os mesmos ingredientes do Wewi Orgânico, porém com um blend de stévia e adoçantes naturais no lugar do açúcar orgânico.

A Wewish bebidas saudáveis, fundada em 2015, veio na sequência da Natumaker que foi a empresa que desenvolveu e lançou a marca Wewi em 2012 depois de seis anos de pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias industriais. Para alcançar este objetivo, a Wewish apostou no desenvolvimento de tecnologia própria, aliada a experiência no mercado de bebidas dos fundadores. Seu nome, (“nós desejamos” no inglês), remete à vontade de mudar o mundo, mesmo que aos poucos, um sorriso de cada vez. E sua primeira linha de produtos acabou ganhando o apelido da empresa, Wewi, que também quer dizer leve em uma linguagem indígena brasileira.

Anna Carolina Coelho, Eduardo Castilho e Rodrigo Campos trocaram seus empregos em multinacionais por um sonho comum: fazer algo diferente, em nome de um mundo melhor. ‘O nosso objetivo é contribuir para um mundo melhor, produzindo bebidas saudáveis e sustentáveis. Não é à toa que nosso slogan é “a cada sorriso um mundo melhor, mais gostoso e mais saudável”, explica Ana Carolina Coelho.

Público infantil

Para o público infantil nada melhor que embalagens com estampa de personagens da Disney para criar uma empatia com o produto. A Obrigado foi escolhida para traduzir o estilo de vida da aventureira Moana Waialiki, a protagonista do filme da Disney, uma corajosa jovem que vive em uma tribo na Oceania. A marca, que produz água de coco integral, sem adição de açúcar e com o teor de sódio igual da fruta, licenciará o filme traduzindo sua sintonia com a história da personagem e o cenário em que ela vive.

Em contato com a natureza, Moana tem uma vida saudável, verdadeira e os elementos naturais como a água de coco, fazem parte dos seus dias, dialogando com a identidade da Obrigado, que traz em seu portfólio também sucos especiais como jabuticaba, pera com abacaxi, capim santo e gengibre e detox, todos com água de coco.

A história de Moana conta a jornada de uma personagem que decide partir em busca de seus ancestrais, em uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Sua viagem começa em mar aberto, onde enfrenta muitos desafios e histórias misteriosas.

As novas embalagens, em homenagem ao filme, estarão disponíveis em todos os pontos de venda do país em abril, mantendo o mesmo valor das embalagens originais.

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