Uma imersão ao futuro da gestão – Engarrafador Moderno

Uma imersão ao futuro da gestão

business team workRoger Martin, referência mundial em estratégia e design thinking, fechou a programação da 16ª edição da HSM EXPO, realizada em São Paulo a semana passada. O estudioso mostrou como a estratégia realmente funciona nas organizações. “Percebo que os executivos acreditam que a estratégia é importante, mas, ao mesmo tempo, acreditam que ela seja complicada, onerosa e com eficácia limitada. Mas ela pode ser simples, divertida e eficaz”, afirmou. O segredo, segundo ele, é pensar a estratégia não apenas como processo de planejamento. “Ela tem de ser vista como uma escolha que requer rigor, mas também criatividade.”
Dentro do mesmo contexto, Sofia Esteves, Presidente da DMRH, falou sobre o futuro do trabalho. A partir de dados que mostram que 50% dos postos de trabalho atuais vão desaparecer até 2050 e dar espaço a outro tipo de demanda, ela alertou sobre a necessidade de que cada profissional pense em como se manter relevante nesse “futuro volátil e incerto”. “Antes, o poder estava com quem detinha o conhecimento. Hoje, valorizamos quem sabe multiplicar seu conhecimento. Daqui pra frente o poder estará cada vez mais na mão de quem resolve o problema numa velocidade cada vez mais rápida. É a liderança situacional”, ponderou.
E por problema se compreende todos os grandes desafios da atualidade, inclusive e principalmente as demandas sociais, como tem feito Daniel Izzo, co-fundador e diretor-executivo do Vox Capital, o primeiro fundo de investimento de impacto do Brasil. Izzo deixou o cargo de executivo de uma grande multinacional para se dedicar a oferecer capital e apoio à gestão de startups de impacto no Brasil. “É função de sobrevivência parar de pensar apenas no que a gente está gerando para a gente mesmo e começar a gerar para o mundo”, sugeriu.
Em meio às discussões sobre negócios e propósito, o filósofo Leandro Karnal revelou a necessidade e preocupação ética dentro das organizações. “Nenhuma empresa nasce ética. Ética pressupõe responsabilidade e a crença de que toda escolha implica perda”, disse. No caso das empresas, ao recusar o suborno e o uso do recibo falso, por exemplo, a organização assume que vai crescer 4% ao invés dos 20% que poderia crescer. “Não pode haver choque entre ética e ganho. Não é errado ter ganhos, desde que eles acompanhem uma carreira sustentável gradativa, orgânica e permanente.”
Ao abordar os desafios para a gestão eficaz do tempo, o diretor da Dale Carnegie Training, Fabian Bormida, alertou ao público sobre o erro que é sempre priorizar o urgente em detrimento do que é importante. Nessa lógica, explicou, temas muito importantes como os valores da instituição e a integração de funcionários podem ficar esquecidos ou postergados. “O problema, ao deixar para depois temas importantes, é que uma hora ele pode se tornar urgente”, alertou.

Recuperação econômica do Brasil

O economista e consultor Ricardo Amorim discutiu em sua palestra as perspectivas positivas para o cenário econômico brasileiro. De acordo com o especialista, a crise já é a palavra de ordem do ano de 2016 para o Brasil, mas a economia se move em ciclos. “Ciclos não são estáveis, podem ser positivos ou negativos. Os mais curtos duram três anos e os mais longos, oito anos. Se não vier uma crise externa, o Brasil está entrando num ciclo onde a economia vai surpreender para melhor”, apostou para os cerca de 4 mil executivos que assistiam à sua palestra.
O jornalista e escritor Fernando Gabeira analisou a situação global – com a vitória de Donald Trump ao cargo de presidente dos EUA e o aumento dos movimentos de extrema direita na Europa – sob uma perspectiva histórica: sempre após uma fase de progresso, como foi a queda do muro de Berlim há três décadas, vem um período de retorno. “Não acredito que teremos um retorno a um nacionalismo extremado, mas a história nos ensina que o progresso não é linear e simples.”

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Alta Performance

Eric Boullier, diretor de corrida da McLaren, falou sobre como a montadora enfrenta cenários de alta complexidade e competitividade por meio de equipes de alta performance e tecnologia de ponta. “Todos na empresa têm a cultura de se desafiar para serem os melhores em um ambiente tão competitivo. A cada corrida, pessoas na pista e na fábrica estão conectadas observando cada detalhe do desempenho do carro, da durabilidade do equipamento. Afinal, não é qualquer coisa. A F1 é um show que se repete a cada quinze dias com espectadores no mundo inteiro.”
Eleito um dos dez líderes que mais inspiraram jovens no Brasil, Flavio Augusto falou sobre Visão, Coragem e Competência a partir de sua trajetória. Ele fundou sua própria empresa, a Wise Up, aos 23 anos. A visão surgiu quando ele percebeu que as escolas tradicionais de línguas, com cursos que chegavam a oito anos de duração, não atendiam à demanda dos profissionais que precisavam aprender o idioma em um curto prazo. “Ele não queria se formar professor, mas ter o inglês suficiente para acompanhar uma palestra sem fone. Pronto, eu tinha a visão, daí tive de ter a coragem de usar o capital de R$ 20 mil reais do cheque especial e a competência de montar o time certo.”
Ao falar sobre “Tecnologia e a reinvenção contínua”, Ethevaldo Siqueira falou que as novas invenções devem provocar a fusão dos mundos físico, digital e biológico. Por mundo físico, leia-se os veículos autônomos e a robótica; na área biológica, os avanços principais estarão na engenharia genética; e, na questão digital, o foco deve estar na internet das coisas. “Se já ficamos admirados com o que vemos hoje, nos próximos dez anos ficaremos ainda mais encantados com tudo o que surgiu a partir da microeletrônica”, afirmou o jornalista especializado em tecnologias da informação e da comunicação.

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